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Rodrigo Barp
Colunista

Advogado graduado pela UFPR. Pós-graduado em Direito e Negócios Internacionais (UFSC). Pós-graduado em Marketing Esportivo (UNICENP). Diretor da Worldwide Football (www.worldwidefootball.com.br), empresa dedicada ao Marketing Esportivo, Relações Internacionais e Direito Desportivo. Membro do Grupo de Estudos em Futebol e Marketing, Estação IBMEC / Cidade do Futebol, desde 2007. Auditor do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paranaense de Futsal entre 2003 e 2006. Membro da Comissão de Esportes da OAB/PR entre 2003 e 2006. Como advogado, atuou em causas desportivas nacionais e, especialmente, internacionais, junto à Câmara de Resolução de Disputas da FIFA e ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS-CAS), ambos na Suíça.

Coluna
Sem bola
Objeto que fica em posse de um atleta é o centro do carrossel catalão. Mas o que fazem os companheiros?
19/12/2011

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O FC Barcelona atropela seus adversários - na Espanha, na Europa e no Japão - porque sabe jogar muito bem sem a bola em seus pés.

Esqueça a referência das estatísticas de TV que vinculam o êxito do clube à posse de bola.

Sim, é verdade, ela fica 70% do tempo nos pés dos jogadores da equipe a cada jogo.

Isso aumenta as chances de gols e vitórias, é verdade.

Mas ouso enxergar e defender o outro lado dessa percepção.

Já que o futebol é coletivo, penso que não é a soma dos poucos segundos em que a bola passa por todo jogador da equipe - que no fim do jogo se traduz em 60 minutos em 90 minutos jogados - que faz a diferença.

A diferença está na movimentação da equipe toda sem a bola, quando um dos seus jogadores está com a bola ou, até mesmo, quando ela está com o adversário e se faz pressão para lhe provocar o erro e recuperá-la.

Ainda mais pelo fato de que, hoje, quando muito, o jogador fica com a bola em sua posse por 2 minutos.

E nos outros 88 minutos?

A bola é o centro do carrossel catalão em torno do qual orbitam os muito bem entrosados jogadores.

Mas apenas um dele está com a bola.

Logo, o que fazem os demais?

Jogam sem ela. Procuram espaços livres. Pressionam a saída de jogo do adversário. Dão opção ofensiva e defensiva para os companheiros.

Até o goleiro já se acostumou a isso, ao ser acionado a jogar com os pés.

Diferenças históricas de estilo, o futebol brasileiro se acomodou em termos de evolução tática, assim como favorece o comodismo dos jogadores em jogar longe uns dos outros, com movimentação intensa, troca de passes, posse de bola e, acima de tudo, ocupação do campo todo sem a bola.

Nisso, Tostão, ídolo e comentarista, vaticina com o que concordo: já não existe mais jogador de meio-campo apenas defensivo ou apenas ofensivo.

Existe (deveria existir) jogador inteligente em sentido amplo, para exercitar essa nova maneira de se enxergar o jogo.

Se ainda não chegou ao Brasil, que iniciativas como a Footecon sirvam para discussão e propagação dessa linha evolutiva para o futebol no Brasil.

A conquista do bicampeonato mundial do Barça sobre o Santos prova que o bom futebol é um esporte solidário e coletivo, de muita movimentação.

Sem a bola.

Futebol operário, sem show. Com efeito, esse é o próprio show dado pelo Barcelona.

Mesmo porque o jogo se joga com uma bola para 22 jogadores.

Não uma para cada um dos jogadores.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

Tags: atleta inteligente , barcelona , Posse de Bola , cultura , Filosofia , história , santos setor técnico

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