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Lilian de Oliveira
Colaborador

Arquiteta e urbanista autônoma, graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo), em 2007. A partir do trabalho final de graduação, sobre a necessidade de espaços públicos para grandes massas, somado a projeto para um estádio em Itaquera, emprenhou-se na produção de materiais sobre arquitetura esportiva devido à ausência de uma variedade de estudos e análises de caso.

Responsável pelos blogs Gol da Arquitetura e Arquibancada, auxilia universitários com projetos em desenvolvimento sobre estádios, arenas e temas relacionados à Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e eventos esportivos em geral.

Desde 2008, presta serviços de consultoria a interessados em se preparar para os eventos no Brasil.

Tem como bagagem a experiência em voluntariado durante os Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro e na Copa do Mundo Fifa 2010, na África do Sul.

Coluna
Cidade-sede: Belo Horizonte
Cobertura do Novo Mineirão, com membrana de dióxido de titânio, facilita insolação campal e protege de pragas
10/05/2012

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A reforma está bem projetada sem descaracterizar o famoso estádio mineiro, o Mineirão. Em suas principais características de fachada, mantém o símbolo do futebol local, mas, desta vez , revitalizado e atualizado. A arquitetura é de Gustavo Penna, arquiteto mineiro.

Um dos projetos em que a circulação externa foi bem pensada, este apresenta uma grande esplanada que garante a dissipação do público e que fica localizada sobre os estacionamentos, que, por sua vez, aproveita a inclinação do terreno. O desenho de piso é baseado na distribuição da massa em sentido radial e, de quebra, ainda enfatiza a arquitetura do estádio, destacando-o.





 

A grande praça tem a função de ligar o estádio ao Mineirinho (à extrema esquerda na foto acima), valorizando o complexo para o futuro. Sob as lajes, além dos estacionamentos, estão os espaços para suporte do evento, com pé direito duplo, o que amplia o leque de atividades que possam ser realizadas no local após a Copa do Mundo 2014.



Sua cobertura, por responsabilidade também da GMP arkitekten, famosa pela vasta experiência em estádios e cobertura dos mesmos, é metálica, leve, presa por tirantes, e deveria, inicialmente, receber policarbonato, o que poderia amarelar com o tempo, pois o material não é mais adequado. Felizmente, foi divulgada a informação de que a cobertura será em uma membrana de dióxido de titânio, mais econômica que o policarbonato, e com funções mais interessantes.

Segundo o site Ciclo Vivo, “este elemento, em contato com a umidade do ar e as gotas da chuva, se comporta como se fosse um teflon (revestimento de panela) - nele a sujeira não gruda nem se acumula. Mas, a reação química entre as moléculas de água e o CO2 da atmosfera na presença do dióxido de titânio gera CO3, nitrogênio. É como se o revestimento fizesse uma espécie de fotossíntese, retirando o gás carbônico da atmosfera.”

Ainda na mesma matéria, de acordo com uma empresa do material, “esta limpeza é garantida durante o dia pelo estímulo dos raios ultravioletas e à noite são alimentados por células fotovoltaicas. O revestimento evita danos à superfície e, consequentemente, diminui o custo de manutenção”.

A DuPont é uma das fabricantes do chamado Ti-Pure R-105 e apresenta como uma das principais características a cor branco-azulada, que favorece uma cobertura térmica. Foi declarado em 2011 que o Mineirão produzirá energia solar para residências das proximidades, a qual surge da união deste material à uma planta geradora de energia. Com uma segunda planta destas, a capacidade de alimentar mais residências aumenta, e a perspectiva é que beneficie 1.500 casas.

A cobertura ainda facilita a insolação do campo (rebaixado em 3,5m em relação ao original), protegendo contra o desenvolvimento de pragas no gramado. Dessa forma, a manutenção do mesmo é mais econômica. A cobertura, hoje, já recebe suas peças metálicas, garantindo o bom andamento do cronograma da construção.



Com estas informações, podemos classificar o estádio como um que está um pouco a frente ao restante já que tem, de fato, características sustentáveis. Seria função de todos tentar conseguir o selo verde de construção, o que provavelmente não vai ocorrer, mas o máximo que puder ser feito, a sociedade apoia.

Parte da compensação pela construção desta área impermeável, que é a esplanada, é registrada pela distribuição a artesãos mineiros da madeira do estádio, podendo ser reciclada. Além disso, o governo pretende plantar cerca de 3.500 árvores próximo à Pampulha.

Espero que seja realmente cobrado pela sociedade tal postura, e que seja feito antes da Copa, pois, depois do evento, poucas vezes aparece alguma preocupação.

Sinto que falta um pouco de ideia de quais eventos podem ser realizados, o que não é função do arquiteto – o mesmo somente se encarregou de elaborar um projeto que pudesse abrigar eventos genéricos, ainda não definidos. Minas, há algum tempo, esteve pesquisando muito sobre os eventos, inclusive na África do Sul, durante a Copa 2010, e deve apresentar cada vez mais novas soluções para um evento mais saudável na capital Belo Horizonte.

Atualmente, a obra segue com vários trechos em execução além da cobertura, como o sistema de elétrica, hidráulica, drenagem e também do piso da esplanada. Minas é uma das cidades mais organizadas e mais transparentes, que cedem mais informações. Um site, inclusive, foi lançado. Nele, todos podem saber um pouco mais sobre a preparação da cidade, do estádio e demais notícias.


Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br


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Tags: arenas , estádios , negócios , indústria do futebol , planejamento estratégico , arquitetura , Urbanismo , sustentabilidade , projeto , investimento

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