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Lilian de Oliveira
Colaborador

Arquiteta e urbanista autônoma, graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo), em 2007. A partir do trabalho final de graduação, sobre a necessidade de espaços públicos para grandes massas, somado a projeto para um estádio em Itaquera, emprenhou-se na produção de materiais sobre arquitetura esportiva devido à ausência de uma variedade de estudos e análises de caso.

Responsável pelos blogs Gol da Arquitetura e Arquibancada, auxilia universitários com projetos em desenvolvimento sobre estádios, arenas e temas relacionados à Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e eventos esportivos em geral.

Desde 2008, presta serviços de consultoria a interessados em se preparar para os eventos no Brasil.

Tem como bagagem a experiência em voluntariado durante os Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro e na Copa do Mundo Fifa 2010, na África do Sul.

Coluna
Cidade-sede: Fortaleza
Fachada do Novo Castelão garante aproveitamento maior de ventilação e iluminação natural; entenda
24/05/2012

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De patinho feio a um dos estádios mais organizados e bem elaborados da Copa 2014. O Castelão, desde sua divulgação inicial, desenvolveu-se muito em qualidade, mostrando grande evolução arquitetônica.




Com torres de energia eólica, potencial do litoral nordestino, o projeto tem intuito de minimizar os gastos energéticos com o “Green Goal”, conforme pede o manual de recomendações da Fifa. Além disso, tem propostas básicas de reuso de água da chuva e escolha de materiais de baixo impacto ambiental e reaproveitamento, conforme diz o arquiteto Hector Vigliecca, grande profissional uruguaio com atuação há muitos anos no país.

O projeto original, que antes tinha uma cobertura mais bruta, provocava sombra irregular no gramado. Hoje a cobertura é mais leve e, embora na imagem mostre bastante sombra (talvez por uma simulação de fim de tarde), acredito que tenha uma interferência menor no gramado, maior transparência e uma estrutura mais esbelta. O material usado pretende refletir os raios solares amenizando a temperatura interna.

Felizmente, por ser mais próxima ao Equador comparada a outras cidades-sedes, a necessidade de diferentes graus de transparência na cobertura é menor e o gramado pode ter condições de manter-se em boa qualidade para jogo, desde que com os cuidados básicos.

Os ventos em Fortaleza provocariam diferentes situações/forças na cobertura, portanto o projeto garante segurança com ventos de até 110km/h.







O projeto é uma reforma, demolindo somente parte da arquibancada superior para colocação dos camarotes Vips e a arquibancada inferior, para o rebaixamento do campo em 4m, o que pode aproximar o público da partida. No entanto, passa a exigir alguns equipamentos de segurança e profissionais para garantir que ninguém invada o campo.

Há uma necessidade de se preocupar com a interferência das placas de publicidade à beira do campo, que, se não for colocado já no estudo de visibilidade com a altura real dos padrões da Fifa, interfere nos limites do campo, perdendo fileiras de arquibancada como aconteceu na Copa de 2010, na África do Sul.

Da mesma forma deve ser estudado o banco de reservas, que raramente está nos projetos de visibilidade, mas que neste já consta. Felizmente a Fifa prevê materiais adequados para minimizar alguns problemas. Geralmente eles devem ser rebaixados, que é a forma como aparece nas imagens deste projeto.

A plataforma de acesso criada para o estádio separa os torcedores comuns, acima dela, dos Vips, abaixo da mesma. Também sob a esplanada, estará a Secretaria de Esportes do Ceará, acesso da imprensa e estacionamento.

A reforma é característica interessante para adequação de um estádio em más condições ou desatualizados. Mantém-se o necessário, principalmente a estrutura das arquibancadas, e cria-se uma fachada e cobertura com estrutura independente. No caso do Castelão, a estrutura de aço carbono tubular da fachada é formada por 60 pilares treliçados, como podemos ver abaixo.

A combinação da estrutura metálica, que se encaixa às arquibancadas de concreto antigas, complementa sua função a partir do momento em que amortece as oscilações estruturais, ajudando, assim, a minimizar as vibrações causadas pelas torcidas. Essa suavização acontece pela ligação com a arquibancada e com o solo.



A fachada mostra revestimentos diferentes para orientações diferentes do estádio. Isso garante maior aproveitamento de ventilação e iluminação natural para que haja economia energética conforme a orientação solar e fachadas mais ou menos ensolaradas.

O acesso às arquibancadas é feito de forma radial, portanto, o público se espalha melhor em momentos de aglomeração, como na saída de partidas, por exemplo. Outra questão importante neste projeto é que desde a plataforma externa de acesso, o torcedor pode alcançar através das rampas intercaladas, uma subindo e outra descendo, o anel superior ou inferior, conforme o ingresso indica, facilitando a acessibilidade ao lugar numerado.

Para atingir o anel superior, no entanto, há uma escadaria até as aberturas das arquibancadas. A acessibilidade a portadores de deficiência, portanto, fica limitada ao anel inferior, o que é, de certa forma, comum. Tais características podem ser observadas pelas imagens abaixo.



Com a praticidade do projeto e tecnologias atuais, a obra se mantém como a mais avançada para a Copa e sediará uma das semifinais da Copa das Confederações 2013, evento teste e classificatório para a Copa do Mundo 2014.




Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

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Tags: copa do mundo , brasil 2014 , arenas , estádios , negócios , arquitetura , Urbanismo , planejamento estratégico

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