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Lilian de Oliveira
Colaborador

Arquiteta e urbanista autônoma, graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo), em 2007. A partir do trabalho final de graduação, sobre a necessidade de espaços públicos para grandes massas, somado a projeto para um estádio em Itaquera, emprenhou-se na produção de materiais sobre arquitetura esportiva devido à ausência de uma variedade de estudos e análises de caso.

Responsável pelos blogs Gol da Arquitetura e Arquibancada, auxilia universitários com projetos em desenvolvimento sobre estádios, arenas e temas relacionados à Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e eventos esportivos em geral.

Desde 2008, presta serviços de consultoria a interessados em se preparar para os eventos no Brasil.

Tem como bagagem a experiência em voluntariado durante os Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro e na Copa do Mundo Fifa 2010, na África do Sul.

Coluna
Chelsea em Battersea
Edifício é muito grande e com história importante e peculiar; clube deveria realizar muitas intervenções
19/07/2012

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Há cerca de dois meses, o Chelsea publicou que poderia mudar sua casa para a antiga usina termoelétrica de Bettersea. Trata-se da maior construção de tijolos da Europa e, para que pudesse ser um novo estádio para o clube inglês, deveria ter uma grande gama de especialistas para o projeto.



A ideia é difícil de sair, pois alguns torcedores têm direitos financeiros sobre o Stamford Bridge, além disso, a construção é complicada.

Além disso, há cerca de três semanas, a Ernst & Young, empresa que gerencia o prédio, informou que um consórcio malaio venceu a concorrência e terá direito a comprar a construção.

Segundo comunicado público divulgado, as empresas compatriotas Setia e Sime uniram-se e fizeram uma proposta de 400 milhões de libras (pouco menos de R$ 1,3 bilhão) para assumir o controle da antiga fábrica. O consórcio pretende usar o local da usina e terrenos próximos para erguer um enorme complexo comercial e residencial.

No entanto, deixando a viabilidade de lado, explicarei, baseado na minha experiência com restauro, como seria o processo de projeto desse novo estádio com capacidade de 60.000 torcedores (contra 40.000 do atual).



Acima, Stamford Bridge, casa atual do Chelsea



Para a concretização deste projeto, a equipe deveria ser formada por dois grupos: o de projeto de estádios (especializado) e o grupo de restauro (composto por arquitetos especializados em restauro, historiadores, restauradores para fazer prospecções e topógrafos).

Para início, deveria ser feito o levantamento detalhado, do que existe hoje, suas patologias e também prospecções para descobrir materiais e cores originais. Junto à equipe de projeto, decidiria-se o que deveria ser preservado, então. Independente do quê, tudo deveria ser registrado em desenhos e em fotografias.

A partir daí, cada equipe desenvolveria o seu projeto, conversando entre si para compatibilização das ideias e interferências estruturais. A parte de restauro iria identificar todos os serviços a serem feitos (limpezas, lavagens, trocas de materiais, consertos, impermeabilizações, restauro de elementos, etc.) e definiria as novas intervenções, com especificações de materiais e cores que se destaquem na construção salientando a nova intervenção.
 

“Restaurar um edifício não é mantê-lo, repará-lo ou refazê-lo, é restabelecê-lo em um estado completo que pode não ter existido nunca em um dado momento.”

Viollet LeDuc, restaurador renomado

 

A intenção para o novo estádio do Chelsea seria usar a imagem icônica da construção para marcar o estádio. Para isso, as torres seriam mantidas e lavadas. No entanto, o perigo é se tornar o antigo Wembley, com uma arquitetura pesada e que foi perdida na renovação mais recente. Pode funcionar como ícone, mas não necessariamente de beleza.

A descaracterização da construção é necessária para a construção do estádio e, eu, como profissional da área, acredito que não seja um benefício nem para o Chelsea, nem para a história da Usina de Battersea.



Para quem não conhece, a usina já foi capa do álbum do Pink Floyd, “Animals”, e também de gravação de vídeo dos Beatles (Help!). É um edifício muito grande, muito famoso, com história importante e com suas peculiaridades.


É também protegida em Londres, o que dificultaria ainda mais a intervenção drástica que uma arena exigiria. Teria que ser muito modificado para conseguir ser transformado em estádio.

Vale mais a pena se manter em casa, Chelsea!


Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

Tags: arquitetura , Urbanismo , chelsea , arenas , negócios , história , arte , música , investimento

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