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Eduardo Barros
Colunista

Técnico de futebol CBF-Licença B, formado em Educação Física pela UNICAMP-SP e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP. Ex-atleta de futebol, também tem cursos e capacitações na área de Neurolinguística, Coaching e Liderança.

Trabalhou por quatro anos no Paulínia FC, exercendo as funções de técnico, auxiliar técnico e analista de desempenho, nas diferentes categorias, do sub-11 ao sub-17. Como membro do Departamento de Pedagogia participou da elaboração do “Currículo de Formação do Atleta”.

Em mais de duas temporadas no Grêmio Novorizontino, atuou como auxiliar técnico da equipe profissional e treinador das categorias sub-20 e 17. Exerceu também a função de Head Coach das Categorias de Base, coordenando as diretrizes técnicas da gestão de campo.

No Clube Atlético Paranaense, foi técnico da equipe sub-13, auxiliar técnico da equipe sub-17, Construtor Metodológico (sendo responsável pela criação didática do Modelo de Jogo do Clube) e Coach individual.

Atualmente, é auxiliar técnico da equipe sub-23 do Coritiba Foot Ball Club e consultor metodológico das categorias de base. Atua também como professor no curso de Gestão Técnica da Universidade do Futebol, além de ministrar outros cursos e palestras com os temas Categorias de Base e Metodologia de Treinamento.
 

Coluna
Entrevista Tática: Nei, lateral-direito do Internacional
Polivalente jogador de 25 anos diz: "Sou blindado, isso me ajuda a não oscilar se recebo vaias ou aplausos"
12/11/2011

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Está aberta a entrevista tática!

"Ouvir" os jogadores de futebol brasileiro traduzirá um pouco da visão que os mesmos têm sobre a modalidade e auxiliará a prática de todos os membros da comissão técnica. Para complementar as perguntas-padrão divulgadas na coluna de apresentação, a Universidade do Futebol agradece as contribuições de todos os leitores e insere as perguntas elaboradas por Douglas Soares (aluno de graduação da UNISA/ pergunta 3), Luiz Peazê (CEO da Clínica Literária / pergunta 13) e Marcelo Padilha (aluno de graduação da UFMG / pergunta 14).

Além destas, algumas perguntas foram elaboradas ao atleta para complementar a compreensão das suas respostas.

Lembrem-se de que esta é apenas a primeira entrevista. Periodicamente, ela poderá ser aperfeiçoada, complementada ou até mesmo modificada para manter o objetivo que a mesma se propõe.

Acompanhe abaixo as respostas do Nei, lateral-direito titular da equipe do Internacional:

1- Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Palmeiras-SP - 12 anos / Bragantino-SP - 15 e 16 anos / Ponte Preta-SP - 18 a 20 anos e 21 anos / Corinthians - 20 anos / Atlético-PR - 21 a 23 anos / Seleção Brasileira sub-23 / Inter-RS - 24 e 25 anos.

2- Para você, o que é um atleta inteligente?

Atleta inteligente é aquele que consegue se diferenciar dos outros atletas não só dentro de uma partida, mas sim aquele que dentro e fora tem respeito dos seus companheiros. Um cara que coloque sua profissão como foco principal e que tenha uma personalidade que não muda nas horas boas ou ruins.

3- Você saberia descrever o quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

Eu creio que são modalidades com muita diferença uma da outra, mas de onde você pode tirar aprendizado para o campo e para o profissional. Por exemplo, no futsal você pensa muito rápido por ser um espaço mais curto e você tem um passe melhor e aprimora seu drible. No futebol de areia, você praticamente fica com a bola no ar o tempo todo, pois não tem condução, então, aumenta o controle; e no futebol de rua você aprende a malandragem do brasileiro, pois não tem regras.

4- Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Organização tática, muita tranquilidade e treinamento. Precisa também de um líder positivo dentro de campo.

5- Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

Acho que primeiro de tudo tem que ter uma aprendizagem de leitura tática aprimorada. Depois, um fortalecimento que o mantenha sempre em alto nível e repetição de trabalhos específicos à sua posição.

Você pode exemplificar como devem ser estes trabalhos específicos?

Os trabalhos têm que ser voltados para o que você vai usar no campo. Os meias têm que fazer uns passes com mais marcação, giros rápidos e enfiadas de bola difíceis. Os atacantes, mais finalizações, tabelas rápidas; os volantes, passes e viradas de jogo; os laterais, cruzamentos, tabelas e finalização; e os zagueiros, posicionamento e bolas aéreas.

6- Para ser um dos melhores jogadores de sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

O lateral, primeiro de tudo, tem que saber que a sua função é marcar. Não tem tanta necessidade de apoio, só tem que descer com certeza. Hoje em dia, um lateral que guarda sua posição, que não deixa tomar gols pelo seu lado e quando sobe tem um bom passe tem tudo pra ser um dos melhores. Com a bola, além do passe, ele tem que saber se projetar, pois sempre será o desafogo da equipe; e sem a bola, saber ocupar os espaços do campo sempre se posicionando pra ajudar os zagueiros.

7- Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Taticamente, eu tenho uma boa leitura do jogo e consigo prever várias jogadas, assim posso antecipar um lance mais facilmente. Tecnicamente, sou um cara que me projeto muito fácil ao ataque e chego muito fácil à linha de fundo para uma jogada típica dos laterais. Fisicamente, sou privilegiado, pois tenho velocidade, sempre fui muito forte e tenho uma resistência muito boa, o que me ajuda a manter em um jogo inteiro a mesma performance.

Psicologicamente, sou muito concentrado e praticamente não escuto nada de fora. Sou blindado, isso me ajuda a não oscilar se recebo vaias ou aplausos. Sendo assim, uma qualidade puxa a outra: ser rápido, ter boa velocidade, gostar de jogadas de profundidade e encontrar espaços pra ultrapassagens mais rapidamente e não ligar quando erro. Isso ajuda.

8- Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

(...) Um cara que taticamente posiciona o time de uma forma única e consegue ocupar todos os espaços do campo com todos os jogadores.

9- Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Sou conhecido por minha polivalência, então, nunca tive muita dificuldade de jogar em outras posições, mas sempre que atuo na lateral esquerda tenho um pouco de dificuldade, pois inverte totalmente o corpo pra tudo, tanto pra dominar, como pra driblar e chutar. Apesar disso, sempre joguei tranquilamente.



 

10- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

Pra mim, o mais importante foram os treinamentos e a preleção é mais pra relembrar.

Pra você, quanto tempo deveria durar uma preleção e o que precisa ser relembrado?

Dez minutos e relembrar as jogadas ensaiadas e bolas paradas.

11- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

4-4-2 e 4-3-3, eu tenho que me posicionar e me preocupar mais com a marcação sem tanta obrigação de apoiar, já no 3-5-2 eu tenho a liberdade pra atacar e às vezes quase chegando como meia. Eu prefiro o 4-4-2, pois é uma tática mais consistente onde é muito difícil de entrar.

Um time certinho com o 4-4-2 e as peças certas tem tudo pra ser campeão.

12- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:
 Com a posse de bola;
 Assim que perde a posse de bola;
 Sem a posse de bola;
 Assim que recupera a posse de bola;
 Bolas paradas ofensivas e defensivas.

Com a bola, nosso time joga no 4-5-1, onde priorizamos a posse de bola, pois temos um time muito técnico. Quando perdemos a bola, adiantamos um dos meias, vamos para o 4-4-2 e o time todo marca na linha do meio-campo. Recuperando a bola, tentamos ficar o máximo de tempo com a posse de bola por não termos jogadores de muita velocidade e tentamos acertar um passe pelo meio, então, ficamos com a bola até a hora certa.

Nas bolas paradas ofensivas sempre vamos com quatro jogadores para a área, sempre preenchendo o primeiro pau e um no segundo. Na bola parada defensiva, marcamos individual nos escanteios e nas faltas laterais marcamos por zona.

Existe alguma mudança de comportamento previamente treinada para jogos fora de casa? E com a vantagem no placar? Explique:

Não tem nenhum tipo de treinamento pra essa situação. Eu pelo menos nunca vivenciei um treinamento assim.

13- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Tento acalmar e, o mais importante, manter o posicionamento. Continuar com posse de bola e mostrar que temos condições de recuperar.

14- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Eu assistia a todos os meus jogos, em casa, antigamente, mas com o tempo você vai ficando mais calejado, não precisa mais ver e sabe onde você errou. Estando mais experiente você não precisa que ninguém venha dizer que está errado ou que precisa melhorar.

15- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

O futebol brasileiro tem muita improvisação, já o europeu é muito tático e você nunca vê um time desorganizado por mais largo que seja o placar. Acho que essa diferença é de cultura mesmo, pois aqui é o país do futebol e achamos que nunca temos que aprender nada. Lá, o futebol evoluiu muito e enxergaram que taticamente você consegue montar um time campeão.

16- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma comissão técnica, qual seria?

Pense sempre com a cabeça do jogador, nunca tente pensar com a tua. É bem mais fácil e assim você vai entender, poder ajudar e melhorar o time todo.

Para finalizar, dê sua opinião sobre o que achou da entrevista e como, na sua visão, a mesma pode contribuir com o futebol brasileiro:

Uma entrevista muito interessante para quem é treinador, que poderá ver o pensamento de jogadores de diferentes status, posições e divisões. Conhecendo mais os jogadores que tem, facilita o trabalho para os treinadores.

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

Tags: inter , internacional , Setor Técnico , atleta inteligente , entrevista , jogador de futebol , técnica , treinador , treinamento esportivo , liderança , psicologia , Tática

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