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Eduardo Barros
Colunista

Técnico de futebol CBF-Licença B, formado em Educação Física pela UNICAMP-SP e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP. Ex-atleta de futebol, também tem cursos e capacitações na área de Neurolinguística, Coaching e Liderança.

Trabalhou por quatro anos no Paulínia FC, exercendo as funções de técnico, auxiliar técnico e analista de desempenho, nas diferentes categorias, do sub-11 ao sub-17. Como membro do Departamento de Pedagogia participou da elaboração do “Currículo de Formação do Atleta”.

Em mais de duas temporadas no Grêmio Novorizontino, atuou como auxiliar técnico da equipe profissional e treinador das categorias sub-20 e 17. Exerceu também a função de Head Coach das Categorias de Base, coordenando as diretrizes técnicas da gestão de campo.

No Clube Atlético Paranaense, foi técnico da equipe sub-13, auxiliar técnico da equipe sub-17, Construtor Metodológico (sendo responsável pela criação didática do Modelo de Jogo do Clube) e Coach individual.

Atualmente, é auxiliar técnico da equipe sub-23 do Coritiba Foot Ball Club e consultor metodológico das categorias de base. Atua também como professor no curso de Gestão Técnica da Universidade do Futebol, além de ministrar outros cursos e palestras com os temas Categorias de Base e Metodologia de Treinamento.
 

Coluna
Entrevista Tática: Oliver Minatel, atacante do Nacional da Madeira-POR
“A principal diferença do futebol brasileiro para o europeu está no jogo sem bola”, avalia o jovem
02/06/2012

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Oliver Minatel teve parte de sua formação realizada no Paulínia FC. Todos os treinadores que tiveram oportunidade de trabalhar com o atleta sempre elogiaram sua leitura de jogo. Em fase final de formação, com quase 20 anos, já se encontra há duas temporadas na Europa e, juntamente com Gabriel Girotto (Botafogo-RJ) e Fábio Tavares (seleção sub-20 e Fluminense-RJ), atualmente, é o atleta de maior destaque oriundo do clube formador do interior de São Paulo.

Na última temporada, encerrada semanas atrás, atuou por 419 minutos na equipe comandada por Pedro Caixinha, que fechou o campeonato português na sétima colocação com 44 pontos.

Confira, abaixo, a entrevista com o atleta:

1- Quais os clubes por que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

- Paulínia FC, dos 13 aos 16 anos (2005 a 2009);
- PSV-HOL, aos 17 anos (2009/2010);
- Nacional-POR, dos 18 anos até hoje (2010 a 2012).

2- Para você, o que é um atleta inteligente?

O atleta inteligente é o que consegue absorver completamente as informações destinadas a ele em seu jogo, fazendo a leitura do que está se passando e executando com sucesso. Sendo assim, ajuda seus colegas no momento em que ocorre o imprevisto, onde muitas vezes não existe a possibilidade de receber orientações vindas de fora.

3- O quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

O futebol de rua me ajudou por fazer com que desde cedo tivesse que lidar com situações onde é preciso saber se proteger sozinho, pois na maioria das vezes existem garotos mais velhos. Isso também faz com que a responsabilidade aumente, pois esperam sempre que o melhor jogador resolva.

Iniciei minha trajetória no futsal com apenas sete anos e acredito que sem essa base não estaria aqui hoje. Eu me lembro das dificuldades que tive no início, pelo peso da bola e principalmente a falta de espaço. Algumas importantes características que pude aperfeiçoar no futsal foram: proteção da bola, dribles em espaço reduzido e condução de bola em velocidade.

4- Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Para se vencer no futebol hoje, a equipe tem que ter um senso de união coletiva enorme, pois cada vez menos o individual consegue resolver os jogos.

5- Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

Para além do talento natural, são importantes os treinos físicos e táticos.

6- Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Como sou atacante, as principais características necessárias são a finalização certeira, movimentações para abrir espaços para os meias e bom posicionamento nos cruzamentos (atacando sempre a bola). Sem bola, cada vez mais os atacantes ajudam na marcação, seja pressionando ou recuando em um bloco mais baixo para compactar.

7- Quais treinos físicos você acha importante?

Treinos físicos sem bola dificilmente ocorrem (exceto na pré-temporada); portanto, acredito que os trabalhos de manutenção na academia para prevenção de lesões são os mais importantes durante a temporada.

8- Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Para se tornar um grande jogador esses quatro pontos são fundamentais. A tática exige do jogador uma leitura de jogo aperfeiçoada, levando em conta que quando estamos lá dentro temos de tomar as decisões sozinhos e em curto espaço de tempo. Já a técnica é a característica que exige que o jogador tenha um talento natural, que apenas será aperfeiçoada com os treinos. Físico e psicológico têm para mim uma forte ligação, pois mesmo bem fisicamente existem situações onde sem o espírito de sacrifício e “entrega”, os fatores psicológicos, não existe sucesso.

9- Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

O melhor treinador com quem trabalhei até o momento é o meu atual treinador, Pedro Caixinha. Além de ter uma visão ampla do que se passa no jogo, trabalha muito bem durante a semana um cenário parecido ao que encontramos nos jogos, preparando muito bem o time.



 

10- Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Já atuei algumas vezes em posições em que não estava habituado e acredito que a maior dificuldade é na hora de marcar.

11- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

A preleção é boa por mostrar o que o adversário tem como pontos fortes para nós neutralizarmos e quais são os pontos mais fracos para podermos explorar. Além disso, deixa claro o posicionamento de todos nas bolas paradas ofensivas e defensivas. O fator emocional também é importante, pois na maioria das vezes no final existe um vídeo motivacional ou algo do gênero.

12- Você pode explicar algum treinamento realizado pelo treinador Pedro Caixinha que te deixa preparado pra jogar?

O treino mais importante na minha opinião ocorre no meio da semana, quando fazemos circuitos, separados em grupos (dois times de quatro jogadores em cada estação) e fazemos diferentes tipos de confrontos, simulando sempre o que está em mente para o jogo do fim de semana.

13- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

A maior diferença dos esquemas táticos está na hora de marcar, pois quando temos a bola o treinador nos dá liberdade total para trocas de posição e movimentações no campo ofensivo. Aqui, jogamos quase sempre no 4-3-3, fazendo sempre com que o campo fique grande e baixando um médio entre os zagueiros para a saída de bola, subindo, assim, os laterais. Para mim a melhor forma de jogar é no 4-4-2, pois assim existe a possibilidade de mais movimentação no ataque.

14- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

• Com a posse de bola;
• Assim que perde a posse de bola;
• Sem a posse de bola;
• Assim que recupera a posse de bola;
• Bolas paradas ofensivas e defensivas.

A mentalidade implementada pelo nosso treinador é de que com bola abrimos o jogo, e sem bola pressionamos rápido logo no momento da perda. Nas bolas paradas marcamos zona e nas ofensivas existem diversas variações (bolas rápidas, longas, no 2º poste, curtas).

15- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Quando algo não está dando certo, tentamos resolver primeiro sozinhos, identificando o que está mal para corrigir. Continuando mal, com certeza o treinador ajudará no intervalo.

16- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Após os jogos gosto sempre de assistir ao VT sozinho. Faço minha autocrítica e vejo os pontos em que acertei e onde poderia ter feito melhor. Na reapresentação existe sempre a conversa com a comissão para falar do jogo e, caso tenha alguma dúvida em especial, converso com eles para saber a opinião de quem está vendo de fora.

17- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

Por nunca ter atuado profissionalmente no Brasil, é mais difícil de analisar, porém, acredito que a principal diferença do futebol brasileiro para o europeu está no jogo sem bola. No futebol europeu, as equipes são montadas basicamente para marcar muito, reagir muito rápido à perda, pressionar sempre e, quando têm a bola, tentar manter a posse e articular jogadas pré-determinadas com diagonais e cruzamentos. Já no futebol brasileiro, existem os jogadores de marcação e os jogadores de ataque, fazendo com que o jogo fique mais imprevisível e "quebrado" com muitos ataques e times mais expostos.

18- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma comissão técnica, qual seria?

O mais importante para a comissão técnica é ter sempre o grupo em mãos, tendo sempre um bom relacionamento com os atletas.

19- Existe alguma semelhança entre os treinos realizados no Paulínia FC, no PSV e no Nacional? Explique.

Os treinos realizados no Paulínia, no PSV e no Nacional têm uma base semelhante, com trabalhos em espaço reduzido, finalização com confronto e treinos mais curtos em intensidades mais altas.


Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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Tags: Setor Técnico , Formaçao de atletas , talento , treinamento esportivo , treinador , intercâmbio , cultura , Psicologia Intercultural , categorias de base , preleçao , análise do jogo , Sistema defensivo , sistema ofensivo

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