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Graduado em Educação Física (Ciências do Treinamento Desportivo) pela Faculdade de Educação Física da Unicamp, em 2001; mestre em Ciências do Desporto pela UNICAMP, em 2004; doutor em Ciências do Desporto também pela UNICAMP, em 2009. É especialista em Bioquímica e Fisiologia no Exercício.
Especializou-se como técnico de Futebol com três cursos de extensão em Técnicas e Táticas na modalidade.
É um dos maiores conhecedores no Brasil da Teoria do Jogo, Teoria Sistêmica e Teoria do Caos, aplicadas ao jogo de Futebol.
Dentre os trabalhos mais recentes foi Coordenador Científico do Projeto de Futebol Feminino na cidade de Jaguariúna (2005 e 2006); técnico de Futebol feminino (2005 e 2006); técnico de Futsal masculino (1997 a 2007); "espião" e observador de análises técnico-táticas para técnicos de Futebol. Foi técnico da equipe SUB-17 do Paulista FC da cidade de Jundiaí até o início de 2009. Depois disso, tornou-se assitente técnico da equipe profissional de futebol do Luverdense E.C. do Mato Grosso (equipe que foi campeã matogrossense em 2009). Voltou à São Paulo para trabalhar com a categoria juvenil do Desportivo Brasil (na Academia Traffic de Futebol) - período em que também esteve no Manchester United para observar o trabalho realizado na equipe inglesa. Na sequência foi trabalhar na base do SC Corinthians, onde hoje é treinador da categoria SUB-18.
Foi no último ano, um dos palestrantes e treinadores em evento que também reuniu comissões técnicas de base dos europeus FC Barcelona, Inter de Milão e Manchester United.
É professor de pós-graduação dos cursos de Futebol e Futsal da Universidade Gama Filho (UGF) e idealizador da disciplina de graduação da Faculdade de Educação Física da UNICAMP "Tópicos Especiais em Táticas no Futebol".
Defensor de novos paradigmas e na busca de um Futebol Integral e Integrado tem se dedicado nos últimos anos a levar Ciência ao Futebol.
Em 2009, em uma publicação científica de minha autoria, propus alguns princípios operacionais e algumas regras de ação que pudessem sistematizar as transições ofensivas e defensivas no jogo de futebol (e portanto auxiliar no treinamento de jogadores e equipes).
Recentemente, em um fórum de debates sobre “inteligência humana”, retomei esses princípios com a finalidade de usar um exemplo relacionado ao jogo de futebol para tratar do assunto “as tomadas de decisão e inteligência circunstancial de jogo”.
Aproveitando sugestões dos leitores que têm me enviado dúvidas e questões sobre a transição defensiva no futebol, trago para o texto de hoje, um pouco daquilo que apresentei no fórum.
Quando uma equipe está em seu campo de ataque e perde a posse da bola, tem que decidir rapidamente o que fazer para que o seu adversário não tire proveito do momento.
Ainda que antes mesmo de perder a posse da bola em uma jogada, uma equipe já tenha que estar preparada estruturalmente (geometricamente) para não “sofrer” em sua transição defensiva, é de se esperar que esse estado (de preparação / pré-ação defensiva) esteja bem entrelaçado e conectado com aquilo que ela pretende fazer imediatamente após a perda da bola.
Isso é muito importante e ganha ainda mais valor pelo fato de que um grande número de gols acontece, no mundo todo, em situações de transição.
Pois bem.
Então no momento “transição defensiva” a equipe que defende deve estar pronta, ou para atacar a bola imediatamente, ou para impedir a retirada da mesma da zona de pressão, ou ainda para recompor-se com base em uma referência qualquer (como a bola por exemplo), até atingir equilíbrio posicional.
Equipes diferentes por todo o mundo, dentro de seus “Modelos de Jogo” podem ser identificadas em suas transições defensivas por apresentar tipicamente (e portanto, predominantemente) uma dessas maneiras de agir.
Ainda que de forma mais sofisticada, elas (as maneiras de agir) possam se combinar por setores (por exemplo, as linhas dos zagueiros e dos atacantes recompõem, enquanto os jogadores próximos a jogada atacam a bola com velocidade), é fato que com “Modelos de Jogo” bem definidos (seja pelos treinadores ou pelos atratores emergentes dos jogadores) aquilo que será expresso em ação nas transições defensivas estará sempre muito bem caracterizado, e não fugirá do que foi mencionado.
Porém, se olharmos para as transições pelo viés da “Lógica do Jogo” e da “Inteligência Circunstancial” seria absolutamente contraditório definir uma maneira de agir padronizada, individual e/ou coletiva.
Os problemas que emergem durante o jogo são únicos, imprevisíveis e acima de tudo circunstanciais. Isso quer dizer que a cada vez que se apresentam precisam ser resolvidos de maneira única e de acordo com as circunstâncias.
Uma vez que fique estabelecido que as soluções para os eventos do jogo devam seguir tipicamente uma determinada direção, quando essa (a direção) não for vantajosa, mais problemas surgirão!
Como o jogo de futebol é um jogo de estratégias simultâneas, não deixa de ser um caminho possível e, até certo ponto bom, ter uma direção tipicamente determinada para que os jogadores ajam.
Mas, com bom entendimento sobre o jogo e com conteúdos bem desenvolvidos, é possível que os jogadores ajam eficazmente de acordo com as circunstâncias, trazendo vantagens individuais e coletivas sem que as soluções possíveis para eles estejam envolvidas por um padrão definido por um modelo pré-formatado.
Na prática, podemos seguir algo como uma referência única, que possa abrir a todo o tempo o leque de decisões dos jogadores, e que acima de tudo potencialize a criatividade e dê a eles uma “autonomia social de jogo” (vide livro: “Desvendando o jogo de futebol”. Rodrigo Azevedo Leitão).
Na figura 1, por exemplo temos uma opção aberta de tomada decisão individual e coletiva em momento de transição defensiva.
Quando a equipe perde a bola, correrá risco se o adversário de alguma forma conseguir tirar proveito de um possível desequilíbrio que geraria um contra-ataque.
Tirar proveito não significa nesse caso, ficar ou não com a bola. Significa aumentar as chances de criar uma sequência ofensiva que resulte em gol.
E se para tal, os caminhos possíveis passassem pelos corredores desenhados na figura 1?
E se ao invés de regras de ação determinadas e especificamente padronizadas que devessem ser seguidas, houvesse um outro conceito? Um conceito aberto!
Porque na verdade, o problema para quem defende nas transições defensivas pode ser a gestão dos fluxos de passe de acordo com os possíveis caminhos da bola, e não qual regra de ação deve ser seguida.
E se todos os jogadores puderem compreender na essência, que circunstancialmente os fluxos e corredores da bola serão diferentes a partir de qual adversário recuperou a bola, sob que ocasião, como o fez, em que setor do campo, como estavam seus companheiros e adversários no momento da recuperação, qual a relação espacial de cada defensor e cada atacante com o gol, quantas e quais são as linhas de passe adversária, qual relação está estabelecida entre cada defensor e o homem da bola...
Parece complicado não é? Mas o fato é que não é!
Basta apenas mudar a percepção sobre as coisas; e estaria logo desenhado um sem número de soluções possíveis e circunstanciais para a transição defensiva!
Quando mudamos a percepção dos fenômenos que observamos, podemos mudar também nossa análise sobre eles.
E se mudamos a análise, logo seremos capazes de decidir e agir de maneiras diferentes!
Então provocativamente, para terminar, sem terminar, vou deixar na sequência a figura 2.
O desafio é que você olhe para ela, e a partir do que foi discutido nesse texto, analise o que você percebe... E me escreva, se tiver tempo...
E tendo ou não tempo, na próxima semana, falo um pouco sobre ela...
Por hoje, é isso...