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18/04/2017

China à milanesa

A china começou a investir nos clubes europeus como forma de gerar negócio e construir sua imagem de poder para o mundo

Quando olhamos para o hall dos maiores clubes europeus da história e trazemos para o momento atual, sentimos falta de dois gigantes localizados na mesma cidade: Milão. A situação de Milan e Inter retrata a decadência do futebol italiano nos últimos anos. Mesmo internamente, os dois clubes sofrem ao ver a rival Juventus triunfar nos últimos cinco campeonatos e, possivelmente, também nessa temporada.

A esperança de rossoneros e nerazzurros vem da China. Seguindo uma tendência de outros clubes italianos e também praticada na Inglaterra, os dois clubes foram adquiridos por grandes grupos asiáticos.

Na semana passada, após uma novela que correu o risco de ser cancelada, o todo-poderoso e polêmico Silvio Berlusconi, então proprietário e presidente do Milan desde 1986, confirmou a venda para um grupo empresarial chinês no valor de € 740 milhões. Em nossa moeda, mais de R$ 2,5 bilhões. Uma fortuna para um clube atolado em dívidas e que saiu do cenário de grandes conquistas nessa última década.

A história do Milan deve ser respeitada, pois é o segundo clube que mais conquistou títulos da Champions League, com o total de 7 troféus, sendo superado somente pelo espanhol Real Madrid. Na Itália, conquistou 18 campeonatos nacionais, mesmo número de seu rival e vizinho Internazionale e atrás somente da soberana Juventus, com 32 scudettos.

inter-milan china

A Inter também merece destaque. Além dos títulos nacionais mencionados, também foi campeã em 3 edições da Champions League e também de 3 Copa da UEFA. O clube teve 70% de suas ações compradas no ano passado por um grupo chinês por € 270 milhões, algo em torno de R$ 970 milhões. Valor nada desprezível, porém essa nova gestão tem sofrido severas críticas por ter realizado investimentos exorbitantes em jogadores que têm rendido muito abaixo das expectativas.

Os chineses, bem como árabes e russos, viraram seus olhos para grandes e tradicionais clubes do futebol europeu, como forma de gerar negócios e construir sua imagem de poder para o mundo.

A China marcou território em Espanha – com a aquisição de parte do Atlético de Madrid e Espanyol de Barcelona, na França – com parte do forte e tradicional Lyon, e na Inglaterra – com participação acionária representativa no Manchester City e Aston Villa. Por sua vez, árabes e russos controlam grandes forças como PSG, parte majoritária do Manchester City, Chelsea e uma série de clubes de menor expressão.

Em uma província com cerca de 3,5 milhões de habitantes como Milão, ter dois clubes com tanta história e sucesso como Milan e Inter é uma prova mais do que suficiente para elevar a cidade ao título de uma das principais capitais do futebol mundial. O colapso financeiro que esses clubes sofreram para tentar manter elencos de alto padrão e a ineficiência de suas gestões levaram aos seus antigos proprietários a abrir mão do futebol e passar adiante.

Os torcedores sonham com um novo momento de glórias. Nesse último sábado, o primeiro clássico “chinês” entre Inter e Milan foi disputado pelo Campeonato Italiano e terminou empatado em 2×2. O Milan ocupa a modesta 6ª colocação, dois pontos a frente da Inter, presente na 7ª colocação. Os três primeiros disputarão a próxima edição da Champions League e os dois seguintes participarão da Europa League.

Detalhe: o jogo ocorreu no horário do almoço, às 12:30 de Milão. Ou melhor dizendo, às 18:30 de Pequim.

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