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07/02/2017

O lado oposto da bola

A final da Copa Africana de Nações foi realizada nesse último domingo, porém a organização do futebol nos países africanos é muito precária e amadora

O continente africano vive assolado pela pobreza e explorado pelo chamado primeiro mundo, apesar da importância fundamental da África no processo evolutivo da raça humana e pela riqueza natural e cultural produzida para todo o planeta. Esse mesmo retrato é similar quando olhamos para o futebol.

Apesar de ter sido sede da Copa do Mundo da África do Sul em 2010 e haver a expectativa de alguma seleção africana conquistar um título mundial nas últimas três décadas, ainda não pudemos assistir esse sucesso se concretizar, sendo que nenhum país do continente jamais chegou a fase semifinal em uma Copa do Mundo da FIFA.

A organização do futebol nos países africanos é muito precária e amadora. De lá, saem grandes jogadores de extremo talento que ganham muito destaque nas principais ligas europeias, mas que praticamente não geram nenhuma receita financeira aos clubes e campeonatos locais.

Nesse último domingo foi realizada a final da Copa Africana de Nações entre os dois países com maior número de títulos, Camarões e Egito. A seleção de Camarões conquistou o seu 5º título com a vitória de virada por 2 x 1, enquanto o Egito permanece como o maior campeão com 7 troféus conquistados.

O torneio é cercado de polêmica por ser jogado no início do ano e que coincide com a metade da temporada europeia, então é comum ver jogadores importantes da Premier League, Bundesliga,  La Liga e demais ligas do continente europeu desfalcarem seus times por algumas semanas para representarem as suas seleções, bem como ver jogadores recusarem a convocação de seu país para permanecer no clube que investiram em seu potencial e que garantem a qualidade de vida que muitos jamais imaginaram existir.

O evento não teve transmissão de nenhum canal de televisão brasileiro e isso reflete um pouco a falta de importância e destaque dado por todo o mundo. Também houve pouco interesse de empresas na competição, sendo que somente foram negociadas duas cotas de patrocínio.

A francesa petroquímica Total foi a principal patrocinadora. A empresa é a quarta maior do mundo em seu segmento e possui interesse estratégico no continente africano pelo fato do território ser responsável pela produção da maior quantidade de petróleo da companhia entre todas as regiões em que está presente no mundo.

A outra patrocinadora é a empresa de telecomunicações Orange, também de origem francesa e que possui maior presença em países do continente africano do que na própria Europa. A Orange era a principal patrocinadora do torneio até a edição passada realizada em 2015, na Guiné Equatorial. A empresa está presente em 19 países africanos, número maior do que na própria Europa, onde atua em 13 territórios.

Hoje é impossível imaginar qualquer desenvolvimento esportivo em uma região onde a maioria dos países não possuem nem mesmo a mínima condição de subsistência. As preocupações prioritárias em busca de uma condição mínima de bem-estar social passam por cima de qualquer outra necessidade. Permanece, particularmente, o sonho de assistir a África e a sua alegria contagiante também conquistar um papel de destaque no futebol e esporte mundial, digno de sua importância para a história de todos nós.

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Comentários

  1. Carlos Vitor disse:

    Parabéns, mais uma !

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