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13/05/2017

Refletindo sobre a gestão do grupo

Como você enxerga essa tendência?

Olá caro leitor. Para iniciar esta reflexão, convido você para que, primeiramente, assista ao vídeo abaixo, um trecho de uma entrevista do treinador português, José Mourinho.

Qual é a relação que você estabelece com seu grupo de jogadores?

Mourinho deixa bem claro que o perfil de atleta com o qual se lida nos dias de hoje mudou bastante, o fácil e rápido acesso a informação permite com que, mesmo que minimamente, estes jogadores sejam um pouco mais críticos e curiosos, que estejam mais atentos as ações e decisões da comissão técnica. Não são mais tão raros os casos de jogadores ainda em atividade que realizam ou já possuem algum tipo de graduação, e até mesmo, cursos específicos de treinador de futebol. Como o treinador lida com esta situação?

O jogador tem se tornado cada vez mais questionador. O espaço do ditatorialismo dentro do futebol está ficando cada vez mais escasso. Como você enxerga essa tendência?

O convencimento pela simples imposição, pela coerção, dificilmente irá gerar o resultado mais benéfico. Assim como só conscientizar, dar abertura para expressão de opinião, sem assumir o papel de líder e determinar a direção a se seguir em momentos e pontos cruciais, também pode gerar maus resultados. Como se portar então?

Liderar um grupo exige conhecimentos e competências por parte do treinador que vão além das questões técnicas e táticas. Entre as equipes vencedoras do futebol, existem muitas diferenças no modelo de jogo, do perfil dos jogadores, da modelação tática, dos recursos e estruturas, etc., porém, uma semelhança, é quem está por trás destas equipes, sempre existe um grande líder, alguém que foi capaz de conduzir o grupo a remar na mesma direção, os grandes jogadores que compõem estas equipes, na maioria das vezes recordam da forma como seus treinadores se portavam perante os jogadores, como o treinador foi capaz de os cativar, como os instigou a serem melhores e lutarem por objetivos comuns.

Lidamos com “pessoas que se movimentam” como diria o Prof. Manuel Sérgio, pessoas que além de se movimentar, pensam, sentem, compreendem, possuem diferentes histórias de vida e visões de mundo. Dificilmente haverá um padrão de comportamento do treinador para toda e qualquer situação ou grupo de jogadores. O treinador precisa aderir aos seus conhecimentos do jogo, conhecimentos sobre aqueles que jogam o jogo.

A partir do momento que os jogadores, sejam eles com a idade e nível de experiência que for, enxergarem em seu treinador um líder que: mostra coerência no seu discurso com sua prática, que conduz seu trabalho com transparência, que demonstra conhecimento e domínio no que faz, que não se esquiva dos questionamentos e dúvidas dos jogadores, que compreende as individualidades de seus atletas e age com justiça para com todos. O treinador que conseguir incutir estas características em seu trabalho (além de outras competências relacionadas a gestão de pessoas) conseguirá aproximar seus atletas a alcançar seus objetivos individuais, assim como os objetivos coletivos traçados para o grupo.

Dentre as várias competências que se exige de um treinador, conhecer as pessoas, compreender suas particularidades e encontrar as melhores ferramentas didáticas para lidar com elas, são fatores determinantes na condução do grupo de jogadores no futebol moderno para se alcançar os objetivos coletivos, e ainda, contribuir com a evolução esportiva e pessoal de seus atletas. Um treinador, mais do que formador de jogadores, é também, um formador de pessoas.

“Ser capaz de mobilizar e modificar crenças, atitudes e comportamentos de outros indivíduos, orientando e organizando suas ações a uma meta. É, enfim, estabelecer objetivos possíveis de serem alcançados pelo grupo, equipe, clube ou empresa.” (Kouzes e Posner, 1997)

*Link para entrevista completa: https://youtu.be/tPbC4kH0mq4

Comentários

  1. Excelente artigo. A questão de manter uma equipe de futebol em constante evolução é o maior desafio de um Treinador de Futebol dentro da minha visão, para que exista uma competitividade interna dentro de princípios de justiça e respeito entre todos os liderados e membros de um grupo de futebol.

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