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A derrota por 2 a 1 para o Sport, no dia 20 de junho, foi a quinta consecutiva do Vasco no Campeonato Brasileiro de 2015. O time carioca ocupava a lanterna do principal torneio do futebol nacional, e nem a demissão do técnico Doriva, anunciada um dia depois do revés, foi suficiente para amenizar o clima. No dia 22, o presidente Eurico Miranda resolveu agir. Surgiu então uma das maiores trapalhadas de comunicação na atual temporada.

“Estamos elaborando um projeto Ronaldinho Gaúcho. O que eu posso dizer é que está bastante adiantado e que em termos percentuais está na casa dos 90%, mas ainda é só um projeto”, anunciou o presidente vascaíno. Na mesma entrevista coletiva, Eurico também disse que o time carioca havia contratado o técnico Celso Roth, o atacante argentino Herrera e o lateral direito Léo Moura, outro que não fechou efetivamente com a equipe cruzmaltina.

O Vasco chegou a reagir nas rodadas seguintes, com vitórias sobre Flamengo e Avaí, mas a ascensão durou pouco. Foram outros três insucessos em sequência, empilhados em duelos com Chapecoense, São Paulo e Avaí. O time cruzmaltino segue na zona de descenso para a segunda divisão, com campanha pior do que nos anos em que acabou rebaixado.

No último domingo, um dia depois da derrota para o Grêmio, jogadores do Vasco foram cobrados por torcedores quando desembarcaram no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Atletas e comissão técnica ouviram xingamentos, reclamações e cobranças sobre o fracasso na negociação com Ronaldinho.

Ronaldinho, convém lembrar, foi um dos jogadores mais espetaculares da história do futebol brasileiro. Teve dois anos monstruosos no Barcelona (2004 e 2005), temporadas em que foi eleito pela Fifa o melhor do planeta. Depois, caiu de rendimento e passou a viver de lampejos. Na última temporada, defendeu o Querétaro no Campeonato Mexicano e acabou relegado ao banco de reservas.

No entanto, dada a precipitação de Eurico para tentar desviar o foco, Ronaldinho acabou virando um factoide no Vasco. Ele e Léo Moura se transformaram em símbolos de uma gestão que prefere dar respostas vazias em tom contundente a criar projetos de comunicação que sejam efetivamente relevantes.

É até claro demais para falar assim, mas Eurico parece não entender o quanto o mundo mudou nos últimos anos. Bravatas e carteiradas não são nada além do que elementos para transformar o “Youtube” em instrumento de cobrança sobre a gestão de um clube.

A comunicação do Vasco no período de crise podia ter criado lemas, mostrado a importância do torcedor para tentar reagir ou focar atributos históricos que têm valor perene, independentemente da fase negativa. Em vez disso, Eurico preferiu a resposta rápida e simples. “Ah, mas e se não der certo?”. “É só jogar a culpa nos 10% que faltavam”.

A situação de Eurico ficou ainda mais complicada porque Ronaldinho vai jogar no futebol carioca em 2015, mas no Fluminense. O time tricolor confirmou o acerto no sábado (11), e no domingo (12) usou o fato para tripudiar em nota publicada em seu site oficial.

“Entre os 10% que restavam a outros clubes para acertar com o craque havia o Fluminense. Pobres adversários, que ainda não aprenderam a lição: não se usa números contra o Tricolor”, diz a nota publicada no site do time das Laranjeiras.

Eurico conseguiu desviar a atenção e diminuir as conversas sobre a crise do Vasco, é verdade. Contudo, fez isso de uma forma que apenas criou mais pressão sobre o time que já faz péssima campanha no Brasileiro. Lidar com o fracasso nas conversas com Ronaldinho era tudo que o elenco não precisava.

Em meio a isso, Eurico resolveu vociferar novamente. Na última sexta-feira (10), disse que “o Vasco não será rebaixado”, mas que não fará mais contratações para isso: “O reforço sou eu”. Um dia depois, derrota por 2 a 0 para o Grêmio.

A verborragia é claramente o caminho preferido do presidente vascaíno. Contudo, está longe de ser o único. Eurico deveria saber que há uma série de outros caminhos para atingir o público e direcionar a torcida.

O Bayern de Munique colocou quase 70 mil pessoas na Allianz Arena na semana passada, na apresentação do elenco para a temporada 2015/2016, a despeito de ter perdido o ídolo Schweinsteiger, que passou a vida toda no clube. Se você souber como promover e tiver um planejamento adequado, é possível se comunicar com o torcedor e até desviar o foco em momentos ruins sem precisar recorrer a bravatas ou a 90%.

Ronaldinho no Fluminense

Sobre o negócio feito pelo Fluminense, ainda é cedo para falar. Ronaldinho não terá um salário baixo, e isso o transforma numa aposta de risco para o time tricolor, que não tem mais o mecenato da Unimed. Além disso, o jogador de 35 anos está longe do auge físico e nunca foi exatamente marcado pela competitividade.

A questão, dentro e fora do elenco, é comunicação mais uma vez. Se o Fluminense conseguir convencer a torcida de que Ronaldinho é o talento que faltava à equipe e conseguir convencer o elenco de que é preciso correr por ele, o negócio tem tudo para funcionar muito.

Para isso, porém, o Fluminense precisa saber como transmitir as mensagens adequadas. E aí, como Eurico ensinou, não basta vociferar coisas. Sobretudo se as coisas estiverem apenas 90% fechadas.

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