Universidade do Futebol

Gustavo D’Avila

15/11/2012

A confiança como alavanca de resultados no futebol

Nos últimos dias, muito se falou sobre o título antecipado do campeão brasileiro de 2012, o Fluminense. Percebi que foram abordados alguns temas como da atualidade no futebol, a importância de se ter uma boa estrutura de gestão fora de campo, uma comissão técnica de alta qualidade, um grupo formado por atletas vencedores mesclados com atletas da base que têm identificação com o clube, um patrocinador forte e a elaboração de um bom planejamento e sua execução.

Concordo plenamente com todos os temas abordados acima e quero acrescentar mais um ponto que penso ser também um diferencial em equipes vencedoras: a confiança dentro do grupo de trabalho.

É possível conceituar a confiança como uma relação de aceitação voluntária e antecipada de investimento pessoal de risco, no qual se espera que a outra parte não haja de forma oportunista dentro do relacionamento interpessoal, pois este comportamento geralmente causa danos aos envolvidos na relação.

A confiança traz naturalmente essa ideia de assumir riscos, pois confiar em alguém significa colocar-se de maneira voluntária, vulnerável e dependente do outro, seja num relacionamento profissional ou pessoal. Se pensarem em suas vidas e nos seus relacionamentos, a forma como constroem ou construíram seus relacionamentos de confiança não passam pelo exposto aqui? Se pensarmos então numa equipe de futebol, existe inúmeras situações de relação de confiança, tais como dos jogadores com a comissão técnica, dos jogadores com os gestores do futebol, da comissão técnica com os gestores de futebol, dos gestores de futebol com os executivos do clube, dos membros da comissão técnica entre si e dos jogadores entre si. Parece complexo não é mesmo? E no fundo é complexo, pois gerir toda essa relação de confiança é um enorme desafio que grupos vencedores conseguem ultrapassar.

Em um ambiente aonde não temos uma atmosfera de confiança, a quebra desta pode contaminar uma equipe inteira, principalmente se essa prática for fomentada pelos profissionais hierarquicamente superiores. É aquele ambiente no qual as pessoas comentam: “cuidado, pois aquilo que você diz pode ser usado contra você”.

Neste cenário, o ciclo da desconfiança se instala e gera um tipo de relação baseada no medo e a cooperação só poderá ser alcançada parcialmente e através da coerção. Não é necessário nem dizer que este ambiente não se sustenta por muito tempo, ainda mais no futebol aonde os resultados são os indicadores de sucesso que possibilitam a permanência de técnicos e eventualmente até de jogadores dentro dos clubes.

Em oposto ao mencionado acima, em uma atmosfera de confiança a satisfação e a motivação aumentam consideravelmente, pois os membros deste grupo ou organização podem e desejam contribuir e partilhar seus problemas e ideias com mais liberdade, sem receio de comportamentos oportunistas por parte dos colegas ou por superiores e sem medo de repreensões. É um ambiente no qual a cooperação é espontânea e ela surge como elemento facilitador na execução das diversas tarefas de uma equipe.

A expectativa de confiança é formada por dois elementos: um emocional e outro cognitivo, que coexistem conforme as pessoas que interagem entre si e conforme a especificidade das situações envolvidas.

Um relacionamento de confiança somente pode ser sustentável se as pessoas envolvidas conseguirem perceber o benefício mútuo envolvido na relação, com isso o engajamento ocorre continuamente e todos passam a assumir mais riscos inerentes a estas relações. Este benefício compatível com as expectativas das pessoas que estão se relacionando pode ser um benefício financeiro, de reputação, de uma conquista ou apenas a manutenção de um laço de amizade valioso para ambos.

A promoção do interesse mútuo na direção de objetivos comuns em uma equipe de futebol pode constituir uma estrutura eficiente de incentivo para mobilizar os membros a perseguir metas compartilhadas, e nestas equipes que esta estratégia é adotada a probabilidade de promovermos o desenvolvimento de relações de confiança eficazes entre seus membros aumenta consideravelmente.

Deixo para você meu amigo leitor a reflexão, baseado no que foi comentado nesta coluna, de como poderia ser avaliado o nível de confiança nas relações nas demais equipes que disputam o campeonato brasileiro de 2012? Seria a confiança nas relações mais um precioso tema a se dedicar para alavancar os resultados nas equipes de futebol? Pense a respeito e tire as suas próprias conclusões.

Para interagir com o autor: gustavo.davila@universidadedofutebol.com.br

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