Universidade do Futebol

Gustavo D’Avila

07/08/2014

A liderança primal dos técnicos

“Os grandes líderes mobilizam as pessoas, inflamam a paixão e inspiram o melhor dentro de seus liderados.” Esta frase extraída do livro O poder da inteligência emocional, de Daniel Goleman, traduz a essência do que pode ser entendido por Liderança Primal, aquela liderança que inspira não apenas por uma capacidade de ver estrategicamente ou por ideias poderosas de um líder, mas sim por se tratar de um tema mais fundamental da liderança, que os grandes líderes agem por meio das emoções!

Podemos compreender que os técnicos de futebol, tal qual um grande líder de pessoas, possui também uma tarefa emocional primal, ou seja, uma tarefa primeira em tudo que faz enquanto líder, afinal eles sempre desempenham um papel emocional decisivo. Quer um exemplo? Se analisarmos os primeiros líderes da humanidade, fossem eles chefes tribais ou xamãs, todos conquistaram seus postos em grande parte pelo fato de sua liderança ter sido emocionalmente vibrante.

Na vida moderna, isso também é verdadeiro, a principal de muitas funções da liderança é canalizar as emoções coletivas em uma direção positiva e limpar uma neblina causada pelas emoções negativas em sua equipe. Dito isto, torna-se importante sabermos que o segredo para exercer uma liderança primal proveitosa é desenvolvermos as competências de liderança relativas à inteligência emocional.

Os técnicos vivem situações em que suas equipes passam por maus resultados e se perguntam como fazer para que seus atletas possam segui-lo enquanto líder e com isso terem crença em suas orientações e ensinamentos. Pensando na inteligência emocional dos técnicos e no conceito da liderança primal, estes devem desenvolver sua capacidade de contagiar os atletas, ou seja, tornarem-se verdadeiros imãs humanos atraindo no papel de líder emocional o maior número de atletas para a direção comum que promoverá melhores resultados na prática.

O primeiro passo para o técnico iniciar sua liderança primal é estar atendo ao impacto que o seu humor causa no ambiente em que convive, por mais triviais que as emoções e os humores possam parecer do ponto de vista estritamente profissional, elas exercem uma influência real sobre a realização do trabalho cotidiano. Por exemplo, um estado de ansiedade branda causado pelo líder aos seus atletas, ponde apontar para uma situação próxima que exija mais foco e atenção dos atletas na sua execução.

Porém, a pressão prolongada pode sabotar os relacionamentos de um grupo com seu líder, bem como limitar claramente o desempenho dos atletas, devido ao fato de reduzir a capacidade do cérebro de processar informações e responder de maneira eficaz conforme a expectativa. O estresse gerado pelo ambiente negativo prolongado prejudica as habilidades mentais e também a inteligência emocional das pessoas.

Por outro lado, uma boa conversa bem humorada, os risos, ou uma disposição positiva por parte do treinador, em geral reforçam as capacidades neurais mais críticas dos atletas para a realização de um ótimo trabalho. Ou seja, fica claro para nós que o conjunto de emoções sentidas durante a realização do trabalho refletem o real e melhor indicador da verdadeira qualidade de vida profissional e no esporte isso não é diferente, uma vez que já ouvimos várias vezes no meio esportivo atletas elogiando determinados ambientes nos clubes em que atuam; se isso acontece fica clara sua percepção de ter qualidade de vida profissional no determinado clube.

Assim, se faz prudente por parte dos técnicos atuais desenvolverem suas competências de Inteligência emocional e com isso iniciarem o quanto antes uma atuação destacada em suas lideranças primais junto aos seus atletas e as pessoas que são lideradas por eles.

Até a próxima! 

Comentários

Deixe uma resposta