Universidade do Futebol

Geraldo Campestrini

11/01/2012

Agassi e a formação

Em tempos de Copa São Paulo de Futebol Junior, me pus a ler uma autobiografia, do ex-tenista Andre Agassi. Não sou muito afeito à leitura de autobiografias, uma vez que elas retratam, naturalmente, uma história única, que via de regra não se reproduz estatisticamente na população. Contudo, esta foi marcante.

Inclusive na época de seu lançamento, anos atrás, quando Agassi declara abertamente ter detestado jogar tênis ao longo de toda a sua vida. Surpreende e intriga, pois vai no sentido contrário a muita coisa que estudamos sobre formação e desempenho de atletas de alta performance – como um atleta, que foi número 1 do mundo, está no rol dos melhores tenistas de todos os tempos, pôde ter odiado fazer o que fez por tanto tempo?

Surpreende, mas se explica, pelas palavras do próprio Agassi: a especialização precoce, vinda desde a infância, quando seu pai o obrigava a bater centenas de bolas diariamente e depois, em uma escola preparatória de tênis altamente tecnicista.

Todo o enredo da sua vida leva-o a revolta, depressão, uso de drogas, álcool, agressividade e tantos outros estereótipos que marcaram a trajetória polêmica de Agassi como tenista.

Enfim, é uma leitura que vale muito a pena para refletirmos sobre algumas atitudes que temos na formação de atletas do futebol e também no julgamento (ou condenação pública) de ídolos da modalidade ante desvios de conduta social que são publicados nos meios de comunicação social.

No primeiro, para termos a real clareza se o que está sendo proposto para a formação de jogadores e cidadãos é condizente com os anseios daquele indivíduo ou passa pela satisfação de desejos próprios: treinadores, pais, dirigentes etc.

Da mesma maneira, o comportamento social de atletas é o resultado do ambiente em que ele foi criado, sendo que a análise fria de fatos podem não refletir exatamente o contexto e os porquês de seu comportamento.

Como dito no início do texto: “em tempos de Copa São Paulo de Futebol Junior”, vale a pena pararmos para pensar sobre a reprodução de desejos próprios em terceiros…

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

Comentários

Deixe uma resposta