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21/07/2017

Campanha do Cruzeiro ganha o mundo

Clube mineiro recebeu o Leão de Ouro, no 64º Cannes Lion, pela campanha #VamosMudarOsNúmeros

Há muito tempo o futebol deixou de ser jogado somente dentro das quatro linhas, conforme bem destaca Marcos Guterman no livro “O Futebol Explica o Brasil: Uma história da maior expressão popular do país”: “ O futebol é o maior fenômeno social do Brasil. Representa a identidade nacional e também consegue dar significado aos desejos de potência da maioria absoluta dos brasileiros. Essa relação , de tão forte, é vista como parte da própria natureza do país (…)”. Por essa razão, os clubes e jogadores de futebol acabam por possui um papel e uma relevância muito além das quatro linhas.

O Cruzeiro marcou um verdadeiro gol de placa quando no Dia Internacional da Mulher, na partida contra o Murici-AL, pela Copa do Brasil, os jogadores do Cruzeiro entraram em campo levando mensagens com referências às mulheres estampadas na camisa.

A inciativa do clube mineiro levantou uma importante reflexão diante de estatísticas que mostram a violência contra as mulheres, tais como “A cada 2h uma é morta”, “A cada 10 jovens, 8 sofreram assédio”, “A cada 11 minutos, um estupro”, “Apenas 9 em cada 100 deputados”, “Salários 30% menores”.

As estatísticas apresentadas foram colhidas pela pela ONG Azminas (que luta pelo empoderamento feminino) e demonstram o sofrido cotidiano das mulheres no Brasil.

A campanha denominada #VamosMudarOsNúmeros foi premiada com o Leão de Ouro na  categoria “Meios de Comunicação” do 64º Cannes Lion, a maior e mais prestigiosa premiação para a publicidade mundial.

O gol de placa teve o apoio da Umbro (fornecedora de material esportivo do clube) foi marcado pelo Departamento de Marketing do Cruzeiro em parceria com a Ong AzMina e a Agência New360.

Para se ter uma ideia do feito da equipe mineira, pode-se compara-lo ao recebimento de uma bola de bronze da FIFA por atleta que atue no Brasil.

Parabéns ao Cruzeiro! Medidas como essa no futebol tão importante culturalmente (e muitas vezes tão machista) são imprescindíveis para a mudança dos paradigmas da sociedade brasileira em casos de preconceito e intolerância.

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