Universidade do Futebol

Lilian de Oliveira

12/07/2012

Cidade-sede: Rio de Janeiro

Um dos estádios que apresenta menos detalhes, menos informações e mais confusões quanto pode mostrar é o estádio Mário Filho, mais conhecido como nosso Maracanã. Ícone mundial pela grandiosidade e pela Copa de 1950, o ideal é que o estádio fosse adequado hoje conforme a tecnologia permite e conforme as necessidades atuais do futebol e da Fifa sem descaracterizar o estádio – o que é bastante difícil.

 

Dentre as reformas do Maracanã, considerada um “retrofit”, foi feito o ajuste das arquibancadas, objetivando um pouco mais de visibilidade e proximidade do campo – o que é bastante importante pela distância atrás dos gols, resultado de seu formato oval.

A cobertura ganha uma nova parte, somada à original. O novo trecho é dividido em dois materiais: o PTFE, em maior parte, e o policarbonato na parte mais interna da cobertura, permitindo insolação. Apesar de o material não ser o mais adequado, é um dos mais baratos, e pode colaborar com a insolação no gramado, embora não haja qualquer desenho na cobertura que auxilie a insolação conforme o horário do dia e orientação do sol. Um dos grandes problemas do policarbonato é a durabilidade e o amarelamento com o tempo.

Ainda em relação à cobertura, entra em questão uma nova polêmica. Quando a cidade se candidatava, sondavam a ideia de que o Maracanã fosse capaz de gerar energia e um estudo apresentava inviabilidade no custo dessa energia.

Apesar de ser uma explicação difícil de se entender, hoje, parecem ignorar esse estudo, pois a cobertura do estádio também terá células fotovoltaicas capazes de sustentar cerca de 200 residências.

A drenagem do estádio é outro impasse. Mas não é somente o Rio de Janeiro que sofre com essa questão. A exigência de drenagem a vácuo é complicada financeiramente e um tanto injustificável para ausência de chuvas tão intensas no Brasil, ainda mais no período da Copa do Mundo – o mês de julho.

Além disso, no caso do Maracanã, o espaço sob o gramado não comporta os equipamentos por conta de um lençol freático muito próximo. A proposta da cidade é proporcionar o dobro da drenagem convencional a fim de compensar a não adoção deste sistema.

As arquibancadas tiveram recentemente definidas as cores dos assentos: amarelo, azul e branco, separados por anel de arquibancada se afastando, nessa ordem, do gramado. A decisão provavelmente é ligada às cores da bandeira, considerando o gramado verde como parte da simbologia à bandeira.

No entanto, poderia ser trabalhado algum desenho para maior identidade ao estádio – tem suma importância construir uma unicidade, características personalizadas como mais uma arma para marcar a imagem do equipamento.

A parte externa do estádio não foi descaracterizada, como podemos ver na imagem abaixo.

O entorno começa a ter desenhos de trabalho urbano, como desenho de calçadas e arborização. Passarelas o ligarão com o metrô, embora este, hoje, já seja um transtorno na saída de grandes eventos.

A sensação na passarela atual é bastante complicada, com camelôs, empurra-empurra, restrição de acesso para evitar superlotação dos vagões, entre outros desconfortos. Para uma melhor solução, muitos outros meios de acesso devem ser trabalhados. Há propostas, mas ainda complicado. O desativado Museu do Índio, onde hoje ficam alguns índios vendendo artesanatos e trajados tipicamente, pode ser ameaçado pelo estacionamento, uma atrocidade novamente à nossa cultura.

O estádio é um pouco problemático em termos de localização e facilidades viárias, mas, com a reforma, não deve ser descaracterizado, somente atualizado. Vamos esperar por mais detalhes, pois, em termos de projeto, é um dos mais ocultos perante a mídia.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

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