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16/04/2019

A Confederação Brasileira de Futebol de cara nova: e não é o novo presidente

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou novo símbolo e camisa reserva histórica, de cor branca. Para além do emblema, são simbólicas e significativas mudanças. Na coluna desta semana, uma análise sobre elas

Na última semana a entidade máxima do futebol no Brasil apresentou novo escudo, que se confunde e se mistura com o amarelo da camisa. Está mais “limpo”. Mantém-se a cruz pátea, as estrelas das Copas do Mundo conquistadas pela seleção masculina principal e a inscrição “BRASIL”. Em um primeiro olhar, não parece que mudou muita coisa. Ademais, a camisa reserva terá a cor branca. Uma pá de terra para cobrir a ideia de que o uniforme branco traz má sorte, como a que deu a derrota na Copa de 1950.

O novo escudo da Confederação Brasileira de Futebol (Reprodução: Divulgação)

 

Sem dúvida que a indumentária branca carrega um estigma. Mas antes de ser, foi com esta cor que o Brasil teve a sua primeira conquista internacional, que neste ano completa o seu primeiro centenário: a Copa América de 1919, realizada no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Cem anos depois o certame volta ao Brasil. Como toda a história e palmarés, devem ser lembrados e celebrados. Ademais, tabus não são eternos e faz bem livrar-se deles. Brasil e Uruguai decidiram a Copa América de 1989 no Maracanã, em um 16 de julho, exatamente 39 anos depois de a seleção brasileira ter perdido a Copa do Mundo para os orientais. Em 1989 o Brasil venceu.

Data e estádio não perdem jogo. A camisa branca é respeito às origens do escrete brasileiro, para não falar dos ídolos de outrora: Barbosa, Friedenreich, Leônidas da Silva, Bigode, Preguinho, Marcos Carneiro de Mendonça, entre outros.

A mudança evolutiva no símbolo da CBF, como vimos nesta coluna em outros textos, é sinal dos tempos. Percebe-se conexão do escudo com a camisa, as cores não mudam. Parece mais “limpo” e claro, segue sendo de fácil identificação e desenho. Sugere dinamismo e sinergia: sempre se fala: “CBF é uma coisa e seleção brasileira é outra”. Em outras palavras, a faixa amarela do escudo o conecta ao amarelo da camisa, o que sugere serem um só. 

Com tudo isso, essas mudanças são bem-vindas e este colunista se arrisca a dizer que elas, a prazo, podem determinar caminhos mais transparentes para a organização. Se seleção e CBF são uma só (de acordo com a leitura e interpretação supracitadas), é preciso seguir a linha, agir e atuar como historicamente fez a seleção nacional brasileira de futebol: a serviço da modalidade no Brasil, servir e representar o povo brasileiro e sua identidade nacional. 

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Em tempo mais uma frase desta coluna: 

Nunca foi. Ambição, desejo de se tornar herói nacional e ganhar mais dinheiro sempre foi mais forte.

Tostão, campeão mundial de futebol em 1970, sobre em o alto-rendimento no esporte ser lugar para desenvolver valores morais e éticos

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