Universidade do Futebol

Colunas

06/08/2016

Crise técnica do futebol brasileiro

Após o 7x1 na Copa do Mundo, a ideia de crise ganhou ainda mais força e argumentos para sustentar esse pensamento não faltam

Olá, prazer! Meu nome é Danilo Benjamim, sou formado em Bacharel em Treinamento Esportivo e trabalho com futebol há cerca de 10 anos. Atualmente sou treinador do sub-11 e auxiliar do sub-20 do Coritiba FootBall Club.

Minha trajetória no futebol começou desde bem cedo, através de meu pai (o Benê), agradeço a ele por ter me apresentado a este esporte tão fascinante. Como 99% dos garotos no Brasil, tentei ser jogador profissional e consegui no máximo chegar às categorias de base, o que não diminui o amor pelo esporte ou o desejo de competir profissionalmente.  Decidi, então, ir à faculdade, realizar cursos e capacitar-me (continuamente) para ser um profissional do esporte.

Iniciei no Paulínia Futebol Clube, sob o comando do Prof. Dr. Alcides Scaglia. Neste clube, atuei como professor na escolinha, treinador nas categorias de base e auxiliar no profissional, até ter a oportunidade de participar de um processo seletivo conduzido pelo Prof. João Paulo Medina no Coritiba, o que resultou em minha vinda ao clube em março de 2015.

Para finalizar minha apresentação, quero ressaltar que desde o início da minha carreira com a chamada “paixão nacional” busco conduzir minhas ações baseado no conhecimento científico e em minhas experiências com o jogo. Diante disso, para começar nossas discussões neste espaço, pergunto: você concorda que o futebol brasileiro viva uma crise técnica?

A ideia de uma “crise técnica” no nosso futebol tem sido alimentada em diversas discussões, seja naquelas de mesa de bar até os debates acalorados da mídia esportiva, e sustentada pelos recentes e sucessivos insucessos dos clubes brasileiros em campeonatos internacionais e da seleção brasileira. A ideia de crise ganhou ainda mais força após o 7×1, a má campanha nas eliminatórias e a eliminação ainda na 1º fase da Copa América. Argumentos para sustentar esse pensamento não faltam e num primeiro momento, ao se olhar para o cenário, sustentá-lo parece ser uma opção bem atrativa.

Apoiar esta ideia significa concordar que “já não temos tão bons jogadores como antigamente”, algo que vai diretamente contra o histórico do futebol brasileiro, que em todas as décadas teve jogadores de notório destaque mundial. Será, então, que a “fonte secou”?

Vamos olhar para o ranking oficial de seleções da FIFA (a intenção não é discutir seus critérios):

Imagem1

Os dados da população de cada país são fornecidos pelo THE WORLD BANK, este ainda mostra que, em média, a divisão entre homens e mulheres é de 50%. Agora vamos pensar sob a lógica de que, quanto maior o número de tentativas (população) maior a probabilidade de acerto (conseguir bons jogadores). Sob esta lógica, o Brasil que tem mais que o dobro da população de homens de todos os demais países do ranking, deveria estar no topo e com folga, visto que tem muito mais chances de possuir bons jogadores, o que, como mostra o ranking, não acontece. A que isso se deve?

Um dos princípios da probabilidade diz que “experimentos aleatórios (obter bons jogadores, no nosso caso) apresentam resultados imprevisíveis”, mesmo com uma enorme vantagem na amostragem. Segundo o senso comum, esta imprevisibilidade de resultados tem sido cruel com o futebol brasileiro, pois considera que nossa geração de jogadores não seja tão boa como as do passado. Porém, pergunto-me e também a você, leitor, por que esta imprevisibilidade não tem sido tão cruel com as demais seleções, visto que elas têm uma probabilidade menor em função de sua menor população? Que aspectos desta imprevisibilidade diferem no Brasil em relação aos demais países para que nossos resultados tenham sido tão abaixo dos demais? O que os outros tem feito para conseguir resultados melhores? Será que a geração de jogadores deles é tão superior à nossa?

Amigo leitor, minha intenção é gerar reflexão e discussão sobre o nosso atual cenário, que, indiscutivelmente, não é bom, mas acredito ser um tanto injusto e minimalista colocar a responsabilidade numa possível “crise técnica de uma geração menos talentosa de jogadores”. E você, o que pensa a respeito deste assunto?

Aguardo sua opinião certo de que este é apenas o primeiro tema que vamos tratar, ainda discutiremos bastante sobre metodologia de treino, formação do jogador e da equipe, cenário do futebol brasileiro e mundial. Conto com a sua contribuição!

Grande abraço!

Sem-Título-2

Comentários

  1. Benê Lima disse:

    Sustentar como fator preponderante e único uma crise técnica do futebol brasileiro, não soa como presunção de superioridade absoluta de nossa parte? Ademais, o que dizer da evolução técnica e tática dos nossos concorrentes? Não seria melhor buscarmos identificar os multifatores que embasam nossa posição, em vez de cedermos tão facilmente ao conceito de crise?

    • Olá Bêne!
      A ideia desta crise técnica não se sustenta por se basear somente no final da cadeia, o jogador, porém, é uma conclusão fácil e rasa de se chegar por ser, talvez, a mais visível, a que fica mais aparente. Porém, examinando o problema (ele existe) mais a fundo, poderemos ver que o jogador atual é somente a ponta do iceberg, que a crise passa pela questão técnica e por vários outros fatores diretamente relacionados ao jogo que temos apresentado, mas dizer que não possuímos mais bons jogadores, não é uma afirmação que se sustente ou tenha fundamento.
      Grande abraço!

  2. Gabriel Pinto disse:

    Boa tarde,
    Em primeiro lugar permita-me que me apresente. O meu nome é Gabriel Pinto, sou um jovem treinador Português.
    Não tenho por hábito entrar em debates “sociais” sobre futebol, mas sinceramente custa-me ver o estado do Futebol Brasileiro que me habituei a ver desde muito cedo.
    Iniciando a minha reflexão, devo referir que não concordo de todo com a ideia de “crise técnica”. O Brasil continua a ser um dos maiores exportadores de talento de todo o Mundo e para os mais diversos contextos competitivos e por enquanto, não vejo qualquer motivo para se duvidar da existência de qualidade técnica.
    Então qual é a minha opinião sobre a realidade do Futebol Brasileiro?
    Sendo muito direto e claro: O Futebol Brasileiro não acompanhou a evolução da modalidade porque nunca duvidou que a qualidade técnica, que caracteriza o jogador Brasileiro, pudesse ser “rebaixada” por qualquer outro fator de rendimento.
    Em contraponto, O Futebol Europeu continuo e continua a fazer um estudo exaustivo de tudo aquilo que caracterizada a modalidade, o jogo. Entendeu-se o que é necessário para influenciar o jogo e trabalha-se agora única e exclusivamente considerando esses fatores.
    Aqui poderei destacar dois fatores distintos: O Treino e a vertente tática, interligadas entre si.
    No que diz respeito á metodologia de Treino, a “revolução” pode ser designada por uma única palavra: especificidade.
    Relativamente á vertente tática, refiro-me as questões de organização e processos coletivos, sendo muito direto.
    Ora, não há muito tempo atrás quase que as palavras “técnica” e “Tática” eram vistas como a antítese Individual-Coletivo. O futebol Brasileiro sendo riquíssimo na vertente técnica, nunca precisou de se preocupar com as questões relativas á organização e dinâmica coletiva porque a individualidade e qualidade técnica chegava, o que hoje facilmente se percebe que não é verdade. Pelo próprio sentido tático do jogo se percebe, por exemplo que são cada vez menos as situações de 1X1 que acontecem durante o jogo, porque hoje em dia existe uma obsessão pelo tático, pelo coletivo e pelo bloco. Ganha a organização, perde a qualidade, porque falando em alto rendimento, também existe qualidade. E mesmo que seja menor, é facilmente “alcançada” pela organização.
    E isto não acontece apenas na Europa. Muitos outros Países, que apresentaram uma “crise de valores” no passado, tiveram que encontrar estratégias de adaptação á existência do contexto atual do Futebol e hoje alcançaram um patamar diferente no Futebol Mundial.
    Existem ainda fatores sociais, económicos e educacionais que influenciam tudo isto, ao qual o contexto atual do Brasil, não ajuda, mas prefiro ficar-me pelos fatores técnico-táticos.
    Em síntese, acredito fielmente que o problema do Futebol Brasileiro não é dos jogadores mas sim daquilo que é a organização do contexto desportivo e do Futebol do Pais e também daquilo que é o conhecimento e a formação do Treinador Brasileiro, que é quem tem mais capacidade para influenciar o desenvolvimento do Atleta.
    Esta é na minha opinião, o principal problema do Futebol Brasileiro atual e é preciso ter a noção que vai demorar algumas gerações a mudar, mas é preciso olhar sobretudo para a formação do jovem jogador e perceber quais são as suas “forças” e as suas necessidades e ajustá-las áquilo que são as exigências do Futebol atual e por fim, potenciá-lo em função de todo este envolvimento.
    Obviamente que estou a descrever uma visão simplista e que poderíamos falar de tudo isto durante dias e meses.
    Abraço a todos!

    • Benê Lima disse:

      Ótimo comentário. Talvez possamos considerar até como injunções algumas de suas premissas. O único questionamento que faço é o seguinte: os nossos atuais gestores, em regra não são piores que os do passado; os nossos treinadores também não me parecem pior e menos dotados em conhecimento que os do passado. Portanto, como somente agora isso veio a tona? Não existiria pois, algum(ns) outro(s) fator(es) que não conseguimos identificar? Abraços!

      • Marcelo Rocha disse:

        Bom dia!
        não há duvidas quanto ao desenvolvimento tático em constante evolução, as capacidades físicas dos atletas também são bastante distintas de décadas atras. Mas irei tecer apenas o comentário em um sentido, exemplo concreto, da rotina da infância brasileira…não faço aqui uma analise geográfica, e nao me proponho a demonstrar com exatidão todos os aspectos, mas apenas um olhar pontual, simples…se pudéssemos, porventura, nos colocar em uma maquina do tempo, e nos transportarmos para o periodo de 1965/1980, para as praças e escolas (recreios), campos de qq cidade do Brasil, iriamos reparar em um simples recreio de escolas, dezenas de bons, de ótimos, e excelentes jogadores, que nem se propunham a serem jogadores de futebol, pois apenas jogavam como hobby…falo em dezenas “por escola”…qq jogador mediano daquela epoca seria considerado hoje um bom jogador, em qualidades tecnicas diversas…então, querer afirmar que o que mudou foi o desenvolvimento tatico, para mim é um erro fatal, pois o que precisamos é retomar a força da qualidade propria do futebol brasileiro, e é claro, desenvolver o que de melhor nos servira como desenvolvimento tatico, dentro de nosso perfil tecnico. Se os ronaldinhos gauchos hj estivessem brotando das praças e ruas, nao teriamos esquemas taticos europeus que capazes de segurar a qualidade tecnica do improviso.

    • Olá Gabriel!
      Concordo em grande parte com sua opinião, o jogo mudou muito, e infelizmente o Brasil não tem acompanhado toda essa evolução com a mesma velocidade que os demais países, continuamos possuindo excelentes jogadores, porém no futebol atual, somente isso não é suficiente, a nossa estrutura de futebol não se profissionalizou como deveria, e isso tem refletido negativamente dentro de campo. Realmente é tema para um bom tempo de discussão…
      Grande abraço!

      • Gabriel Pinto disse:

        Caro Benê,
        Concordo totalmente quando diz que existem outros fatores associados, sem duvida alguma que sim. Sou também da opinião que muito desta problemática deriva também de fatores sociais, ainda que não consiga indentificá-los a todos.
        Não duvido que o treinador brasileiro mantenha as qualidades, aquilo que pretendo dizer é que o conhecimento sobre o jogo evoluiu bastante na ultima década e aquilo que sinto é que a generalidade dos treinadores brasileiros não acompanhou essa evolução e isso é claramente visivel e unanime.
        Agora, acredito totalmente que o paradigma vá alterar e que o Brasil volte ao “topo” do Futebol Mundial no futuro, agora não duvide que vai demorar algumas gerações e que terá de existir mudanças profundas em tudo o que rodeia o Futebol Brasileiro, tanto dentro, como fora do campo.
        Esta é a minha visão do exterior, obviamente que todos vocês terão mais conhecimento de causa do que eu.
        Abraço

  3. Mario Moraes disse:

    Concordo em muito com o que o Gabriel expôs como opinião e acrescento ao comentário do Benê, que os gestores, empresários, treinadores e outros participantes ativos do nosso futebol tem outros interesses inerentes aos cargos.
    E amplio a discussão á péssima formação dos nossos ( inúmeros e ótimos ) atletas na base, devido a tudo que foi dito acima e ainda a formação social do mesmo, sempre blindado, mimado, elevado e sem a preocupação principal da formação moral e intelectual. Temos excelentes atletas individuais, mas que pouco sabem do jogo, cognitivo baixo, taticamente inferiores, mas que valem milhões para todos os envolvidos. Mas e a crise técnica do nosso futebol que Danilo Benjamin questionou ???? Enfim são vários fatores juntos, nunca deixando de lado o nosso momento social e político, pois estamos atolados em lama de corrupção e insegurança.

    • Olá Mário!
      Realmente nossa estrutura de futebol como um todo é quem vive uma crise, tecnicamente, continuamos possuindo excelentes jogadores, porém, pela evolução do jogo ao longo do tempo, somente isto não é mais suficiente. E a questão da formação humana dos nossos atletas é realmente um ponto extremamente deficitário e que afeta sim o rendimento de nossos jogadores.
      Grande abraço!

  4. ISAIAS disse:

    Boa noite. na minha opinião, esse tema tem a ver com tudo o que acontece, e ou , deixa de acontecer fora de campo. ou seja o Futebol brasileiro nunca deixará de ser a fonte mais rica d e jogadores no mundo. o que falta é termos profissionais , capacitados cada vez mais, em qualidade e quantidade, para pensarem , e projetarem o Futebol fora de campo. a nossa capacidade de gerar grandes talentos no Futebol não está ligada a nenhuma estatística, ou proporção de população.Mas sim com as nossas origens e miscigenação. temos o DNA de vários povos e isso faz com que o nosso Futebol seja diferente e mais técnico. Portanto jamais teremos uma crise técnica , ou de talentos no Futebol. a crisa é de carência d e outros profissionais. Esta é a minha opinião. claro que respeito as demais.

    • Olá Isaias!
      O pensamento de que “o futebol brasileiro nunca deixará de ser a fonte mais rica de jogadores” e de que isso se deve ao nosso DNA, é um tanto perigoso, pois pode ter sido a raiz para a acomodação e estagnação que viveu nossa estrutura de futebol. A questão da formação do jogador de futebol é multifatorial, necessitamos de profissionais qualificados nas mais diversas áreas inerentes ao jogo, dentro de campo, ainda, possuímos excelentes jogadores, porém, só isso não é o suficiente.
      Grande Abraço!

      • ISAIAS disse:

        Danilo boa noite. minha resposta á sua excelente resposta dada a minha opinião, fica muito parecida com a da querida amiga e, unica mulher a escrever aqui. quando eu citei o nosso DNA futebolístico , eu não ousei dizer que, sería o suficiente para continuarmos soberanos no Futebol Mundial. mas que sería o nosso eterno diferencial, se usarmos todo o conhecimento desenvolvido na modalidade. e quero salientar que não é de ontem ou de hoje que os Europeus estudam Futebol. e demoraram, e muito, a atingirem esse nível, exatamente pelo fator técnico, lá não ser muito robusto. Haja vista o Grande número de jogadores sendo cada vez mais naturalizados. e teremos cada vez mais jogadores Brasileiros frequentando convocações de selecionados Europeus. porque se o jogador Brasileiro se desenvolver técnico, tático e cognitivo, como os Europeus querem e fazem muito bem. a técnica dos nossos atletas será mais evidenciada e valorizada.

  5. Marcos Ide (Telecamp) disse:

    Danilo, acho que desde a “profissionalização” do futebol brasileiro com o aparecimento e fortalecimento do empresário, os clubes estão cada vez mais reféns do sistema que se formou (quem está no futebol sabe do que estou falando e quem não está já ouviu falar). Isso criou um modelo que premia os melhores jogadores, o que é justo, mas que por outro lado ajuda vários outros medíocres a ocuparem o lugar de jogadores mais preparados e com condição de evolução. O que acontece é que temos e descobrimos diamantes, mas junto levamos bastante pedregulho ao invés de esmeraldas, turmalinas, rubis.

    • Olá Marcos Ide! Os empresários podem tanto facilitar quanto dificultar algumas situações no futebol, este é um fator dentre tantos outros, porém, não se deve generalizar, existem aqueles que prestam bom trabalho e contribuem, como aqueles que prejudicam. A nova regulamentação da FIFA que determina que somente pessoas jurídicas (no caso clubes de futebol ativos) detenham direitos federativos de atletas vem de encontro a solução de muitos problemas e de uma segurança maior aos clubes. E os bons jogadores são o objetivo de todos que trabalham com futebol, ninguém quer um atleta que de alguma forma possa prejudicar o bom andamento do trabalho, por isso ao avaliar um atleta se faz necessário enxergar além disso, enxergar o homem que esse atleta é, esse fator também é determinante nas tomadas de decisão da comissão. Grande abraço!

  6. Benê Lima disse:

    Muito bom o post, bem como os comentários dos participantes. Desejo cumprimentar a todos, e de maneira especial aos que fizeram referências aos meu comentários, tais como o Danilo Benjamim e o Gabriel Pinto. Abraços.

  7. Flaviana disse:

    Boa tarde a todos, unica mulher a se atrever a postar um comentário, mas vamos la. Sou professora de educação física, estudante de bacharel e apaixonada por futebol. Cumprimento a todos deste post e me atrevo a dizer que o pensamento de que os brasileiros tem um talento nato e até chamado pelos colegas acima como herança genética parece que colocou nossos jogadores em um pedestal, como se apenas reunir um grupo de jogadores talentosos fizesse a diferença. Por muito tempo apresentar um “futebol arte” convencia, mas hoje vemos que somente isso não traz resultados. A crise como colegas acima disseram não está na técnica de nossos jogadores, porque são habilidosos e o mercado busca por atletas brasileiros, na minha opinião, parece que os clubes não sabem como caminhar para seus objetivos, as metas traçadas estão confusas, os técnicos mudam e suas equipes também. Talvez seja a hora de repensar o tipo de metodologia a se usar, os profissionais, as tecnologias. Temos talento e habilidades natas, mas somente isto não basta.

    • Olá Flaviana! O futebol é para todos! Que bom que você participou aqui conosco!
      Realmente, confiar somente em nossas capacidades técnicas (que continuam elevadas) é pouco para que sejamos vitoriosos no cenário do futebol atual, o esporte mudou muito (escrevi um pouco sobre isso em minha segunda coluna “A necessidade de Resiliência do Futebol Brasileiro”) e precisamos acompanhar estas mudanças em tudo que tange ao esporte. Não podemos perder nossa essência, praticar o “futebol arte” deveria ser sempre um objetivo, nos cabe entender de que forma podemos e otimizaremos isso. Grande abraço!

  8. Sou apenas amante do futebol, me limito a ser técnico de futebol de várzea (amador), de um time na Comunidade Heliópolis em São Paulo , capital.
    Então vou dar uma opinião como torcedor que acompanha algumas partidas nacionais e internacionais.
    Lembro-me da inesquecível seleção brasileira de 1982 (aliás como não lembrar), onde o “futebol arte” perdeu para uma seleção que praticamente havia se classificado no “ultimo minuto” daquela copa!
    Mesmo jogando pelo empate perdemos aquele jogo.
    Sorte deles e azar o nosso ?
    Bom creio que eles entraram em campo como único propósito: segurar a equipe canarinha e tentar jogar no erro do adversário.
    Aí veio a copa de 1986 e desde então achamos que o futebol brasileiro deveria copiar os “europeus” e então veio a era “Dunga” de Sebastião Lazzaroni.
    Acho que de lá pra cá os técnicos se preocuparam exclusivamente de tentar imitar o futebol europeu, tentamos líbero, tentamos “500 volantes” e aquela essência do nosso futebol arte foi ficando para segundo plano.
    Sem contarmos com o fato que os resultados imediatos nos clubes fizeram e fazem com que nossos técnicos se preocupem em tão somente resultados e não estamos vendo a preocupação de formar jogadores para que possam vencer uma copa do Mundo daqui 4, 8, 12 anos!!
    Finalizando, e desculpem-me a falta de palavras técnicas e até erros de português, na minha opinião temos que parar de querer imitar os outros, basta uma seleção européia ou não ser campeão mundial que pronto: “vamos imita-los”. Se os clubes e aqueles velhos olheiros percorrerem todo território brasileiro, encontraram vários Neymar, Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e quem sabe um novo “Pelé” (por que não)!
    Vejo o Brasil investindo em tecnologia de ponta, softwares de desempenho de atletas, táticos e tantos outros , mas não vejo alguém parar para pensar e dizer: “tenho a faca e queijo nas mãos , só basta saber cortá-lo” , ou seja, temos muitos craques espalhados pelo Brasil e exterior, porém não estamos sabendo achar um método ou um modelo de jogo para encaixar esses jogadores e voltarmos a ser os melhores do mundo!

    • Olá Robinson Soares! O futebol é democrático, é para todos, não precisa se desculpar de nada.
      Robinson concordo com você, o país é imenso, e temos muitos craques espalhados por ele, e te digo, com a modernização atual, a grande maioria deles está já nos clubes ou em seu radar, encontrá-los não é o maior de nossos problemas, mas sim, em como fazer com que estes craques cheguem as equipes profissionais sendo atletas de alto nível, em todos os sentidos, é isso que o futebol atual pede.
      É difícil mensurar até que ponto “copiamos” os europeus e até onde realmente se investe em tecnologia no nosso futebol, a questão é que precisamos refletir sobre isso e entender quais são as nossas necessidades e que estratégias estamos adotando para corresponder a elas.
      Obrigado pela contribuição e grande abraço!

  9. jorge amaral disse:

    Existe sim uma crise técnica, mas não causada pela diminuição do nível técnico do brasileiro, pois os jogadores brasileiros continuam sendo formados na mesma quantidade e qualidade, embora atualmente com o empecilho da corrupção desenfreada dos times. Éramos melhores em razão da baixa qualidade dos adversários, comparada com o talento bruto e individual dos nossos atletas, que eram revelados pela quantidade de campeonatos existentes no país, mas embora fôssemos os melhores, não se demonstrava muito em títulos, a exemplo das libertadores, mundiais interclubes e até mesmo em copas do mundo, pois deveríamos ganhar a metade desse títulos, no mínimo, caso os times e seleções fosse apenas bem convocados ou bem escalados, mas atualmente não temos as mesmas chances. Nas últimas décadas o nível técnico do futebol de outros países cresceram e nós continuamos no mesmo nível. Outro motivo que causou a impressão de que decaímos foi a goleada sofrida pelo Brasil na copa de 2014, fato também incomum, mas que ilustra a melhora do nível de nossos adversários. Um dia isso teria que acontecer, pois também é incomum o time inferior se superar sempre, mesmo o futebol sendo essa famosa “caixinha de surpresas”. Com a evolução técnica de times espanhóis, alemães, franceses, ingleses, russos e até de turcos, chineses, americanos e indianos, quase todos com muito dinheiro, grandes campeonatos e estádios sempre lotados, aumentaram o assédio aos melhores jogadores do restante do mundo, fato que se estendeu aos brasileiros, que há quarenta anos tinha apenas uma dúzia de jogadores atuando fora e hoje tem mais de 2000. Com a globalização pode-se ver ao vivo os grandes jogos desses campeonatos ou até disputas continentais, onde se encontram nossos melhores jogadores, tornando-se menos agradável acompanhar o nosso fraco e pobre campeonato. Em razão de estarmos defasados tecnicamente em relação a alguns times e campeonatos europeus, têm-se a nítida impressão ao ver um jogo de lá, que nossos jogadores são inferiores aos deles, mas se olhar direito, verão alguns grandes jogadores em grupos ruins e se olhar mais, em meio aos bons jogadores deles, estão os bons jogadores nossos, mais argentinos, uruguaios, paraguaios, chilenos, africanos, etc. Quanto aos nossos técnicos, estes não são bons, como nunca foram e por serem multiplicadores e não trabalharem com qualidade, o produto ficará comprometido. Nossos melhores treinadores não têm espaços nos times europeus devido a insuficiência técnica e é com esses mesmos conhecimentos que eles continuam formandos nossos atletas da base, os quais necessitam de melhores cuidados para evoluir. Para sanar esse problema, o treinador brasileiro terá que estudar, para entender melhor a dinâmica do jogo, que afinal não é tão difícil assim, mas será necessário a CBF e as federações trazer o conhecimento e implantar também nas divisões de base. A corrupção no futebol precisa acabar e o profissionalismo na administração é urgente para uma melhor gestão do futebol, fato que irá blindar um pouco os pobres times brasileiros e nossos jovens jogadores, que estão saindo do país cada vez mais novos.

    • Benê Lima disse:

      Caro Jorge Amaral, permita-me alguns contrapontos.

      Se não temos bons treinadores não temos bons formadores. Logo o argumento “brasileiros continuam sendo formados na mesma quantidade e qualidade” é questionável.

      Ao que nos consta, a corrupção, desvios de finalidade nos clubes. já foi bem maior. Hoje, tanto a legislação quanto a atuação dos conselhos fiscais, bem como a presença mais marcante dos sócios torcedores em alguns clubes tem ajudado a criar um ambi ente mais limpo e transparente nos clubes.

      Quanto aos parâmetros de avaliação dos nossos atletas, ele deve ser considerado tanto pela ótica das conquistas coletivas, quanto pelo desempenho individual.

      Outro aspecto que deve merecer uma análise mais criteriosa é o fator inato, imanente ligado ao atleta, pois na realidade os talentos não são formados. E é dos talentos que falamos, pois não existe fábrica que os construa.

      Abraço.

  10. Vilson Eburneo disse:

    Estão preferindo trocar tamanho pelo talento, acho que estamos migrando para o futebol americano.

Deixe uma resposta