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É impressionante como temos um hábito de comentar e dizer "grandes verdades" simplesmente olhando para o resultado em campo, durante 90 minutos ou a conquista de um título.

A mais recente e, por assim dizer, surpreendente, foi o título da Libertadores ganho pelo Atlético-MG, tendo lido, visto e ouvido nos últimos dias muita gente comentar sobre “planejamento que culminou com a histórica vitória”.

Primeiro de tudo, é preciso separar muito bem o entendimento sobre o termo "planejamento". O caso do Galo Mineiro foi um típico investimento pontual na área técnica, com recursos não necessariamente gerados pela entidade – OK, a atividade-fim de um clube de futebol é o futebol, com natural aporte e foco no seu departamento específico. E isso o Atlético-MG fez muitíssimo bem e de forma exemplar.

O que quero dizer, na verdade, é que o "planejamento" possui uma visão mais holística da organização. No caso de clubes de futebol, transcende o time em si, passando pelas áreas da estratégia, do mercado, da gestão, do marketing, das finanças, do relacionamento com o torcedor e por aí vai.

Portanto, para ficarmos em um único número para o caso em voga: um clube que acumulou mais de R$ 250 milhões em déficits nos últimos 10 anos, que possui uma dívida total na casa dos R$ 414 milhões (quase 2,6 vezes superior a sua receita bruta anual) não se pode dizer que realizou um bom planejamento.

Sei que o tema é complexo e envolve uma série de outras variáveis e nuances. Mas casos recentes como o do Corinthians, que estruturou o clube de maneira mais sólida e ampla, impactando, naturalmente, no futebol, é um bom exemplo do momento.

E o quanto está sendo custoso destruir um trabalho de décadas de gestão consistente e profissional do São Paulo, que vem paulatinamente desmantelando sua estrutura técnica e administrativa há pelo menos cinco anos – e está começando a colher seus frutos (no sentido negativo) somente agora (vide coluna nesta Universidade do Futebol de 26 de Janeiro de 2011).

Quero dizer com isso que temo o fato da construção do título do galo não passar de um "Castelo de Areia", como em muitos casos que assistimos de camarote dentro do futebol brasileiro, por estar centrada especificamente em uma personalidade (seu presidente) e não institucionalmente, dentro de uma evolução organizacional planejada e alimentada ano após ano por um ciclo contínuo de aprendizagem.

Saindo um pouco do tema futebol e inspirado no caso recente de Eike Batista e seu conglomerado de empresas "X": não me lembro (desde 2008 – quando começou a se tornar mais midiática a saga do ex-bilionário) de qualquer reportagem que tenha alertado para o crescimento descontrolado e "falso" destas empresas na bolsa, com anúncios de poços de petróleo sem o efetivo embasamento técnico.

Só vi elogios. Só vi horizontes positivos, em um "céu de brigadeiro", que associava, inclusive, o aparecimento de um bilionário no Brasil com a evolução do país enquanto uma nação de economia pujante.

Hoje, não há jornal ou revista especializada que não aponte inúmeras falhas – algumas, segundo as reportagens, infantis. É comum, ainda, o tratamento de forma ridicularizada o falso desenvolvimento das empresas de Batista. Novamente, os "Profetas do Passado" aparecem.

Lá, no mundo corporativo, como cá, no futebol, estamos cheios de críticos de resultados. Para os clubes, é preciso aprender lições dentro de casa e também com seus rivais com a finalidade de pensar as soluções de uma entidade não somente pelo resultado do domingo e dos "tapinhas nas costas" após uma grande goleada no clássico. É necessário pensar o clube como célula viva, independente de quem esteja liderando seus rumos.

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