Universidade do Futebol

Rodrigo Barp

29/08/2011

Diga não!

O ser humano reina na Terra.

Reina porque a evolução das espécies privilegiou-nos com a capacidade intelectual.

O cérebro é nosso maior signo distintivo perante os demais seres.

É verdade, existem outros atributos que nos tornam únicos e favoreceram nossa adaptação, como a oposição do polegar ante outros dedos da mão, que permitiram a manipulação de instrumentos, em especial de defesa e, posteriormente, de domínio da agricultura e de outros animais.

Na transição evolutiva de milhares de anos entre os primatas e o primeiro ser humano, muito se perdeu e muito se conservou em nosso DNA. Herança genética que também condiciona, até hoje, nossa parte instintiva.

Passados alguns milhares de anos, o homem, de fato, usou essa inteligência para gerar riquezas, melhorar as condições de vida de seus pares, inventar maravilhas tecnológicas.

Também fez uso dela para destruir, matar, subjugar, escravizar, dominar, excluir, aproveitar-se.

Vendo o filme O Planeta dos Macacos – A origem, entendemos que, tanto o primata quanto o homem, dispõem de uma carga genética, inata, bem como o condicionamento ao meio em que vivem.

E que ambos conseguem, à sua medida, dispor de inteligência para aprender e executar ações.

No filme, César, o chimpanzé inteligente, consegue, com treino e estímulo medicinal, realizar tarefas em número recorde de movimentos.

Mas o homem consegue também ensinar, principalmente pelo exemplo.

E o homem também possui a capacidade de dizer não. O livre arbítrio.

Os primatas são condicionados a um aprendizado que lhes é imposto, sem questionamentos.

O homem pode dizer não. Pode indignar-se.

Se continuarmos fazendo as mesmas coisas, atingiremos os mesmos resultados.

Se o futebol brasileiro continuar formando jogadores autômatos, e não questionadores, pensantes, críticos, que desafiem a lógica, embora a respeitem, seguirá como a boiada pro abate.

Declínio técnico, que se refletirá em declínio comercial, e, com isso, o sistema não se sustentará.

Muitos de nossos jogadores sabem realizar tarefas com precisão.

Uns poucos sabem seu papel, o por quê de sua função no meio social, que lhes permita transferir o conhecimento e experiência adquiridos, quando almejarem novos horizontes na carreira – como treinadores, por exemplo, ou diretores de futebol.

É dever dos gestores do futebol criar condições favoráveis para essa evolução.

Dizer não a uma série de coisas equivocadas que são feitas no futebol, e encontrar caminhos diferentes, é o ponto de partida.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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