Universidade do Futebol

Geraldo Campestrini

25/12/2013

Fim de ano e as expectativas para 2014 – parte 1

Começamos o ano esperançosos de dias melhores, com novas arenas e novos projetos para o futebol brasileiro. Acabamos, entretanto, de forma melancólica, com violência, justiça desportiva e fracasso esportivo no Mundial de Clubes, voltando a colocar os mesmos pontos de interrogação que colocávamos no início dos anos 2000: qual o problema? Como solucioná-lo?

Antes de mais nada é bom lembrar que que nada do que acontece no futebol não se repete na sociedade brasileira como um todo. A questão da violência nos estádios não é nem um pouco diferente daquela que vemos nas ruas ou em eventos com grandes multidões e forte apelo emocional. A diferença é, certamente, a repercussão e a espetacularização destas questões pela mídia quando o assunto é a modalidade mais popular do país.

No caso da Portuguesa no STJD, os comentários gerais vão na linha do “coitadismo”: “Poxa vida, a Lusa fez uma bela campanha no Brasileirão, mas só por causa de 15 minutos vai ser rebaixada? Não é justo!”. Eis um argumento “clássico” sobre o caso. Esquecem-se, muitos, que o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) existe há anos, que a aplicação de penas para atletas ocorreu de forma igual ao longo de 38 rodadas (e não apenas na 38ª, como muitos querem sugerir) e que a responsabilidade pela escalação de atletas é do clube e de ninguém mais. É comum, em nossa cultura, “passar a mão” e “aliviar” a incompetência, quando deveríamos fortalecer a meritocracia.

A melancolia de final de ano é causada, sobretudo, porque achávamos que estávamos avançando significativamente no combate à violência nos estádios ou sobre a incompetência (pelo menos para erros elementares) no mundo da gestão do esporte. O resultado esportivo negativo no Mundial é apenas a cereja no bolo, não merecendo análise mais profunda (até porque, vez por outra, alcançamos vitórias em campo por força do trabalho de grupo e não por conta de uma estrutura que faça jus à conquista).

Serve, portanto, como um sinal de alerta para os avanços que estamos buscando, sob pena de continuarmos patinando em assuntos que já não fazem mais parte da mesa de debates de países desenvolvidos no mundo do futebol…
 

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