Universidade do Futebol

Colunas

23/12/2019

Futebol é ciência

Projetos dão origem aos resultados. Não o contrário

É semana de Natal! Tempo de reflexão e confraternização. É costume trocar presentes e também época de boas novas, assim como foi há pouco mais de dois mil anos. Muito longe de quaisquer comparações, uma boa nova destes dias é a probabilidade da chegada de mais um treinador português para o futebol do Brasil: Jesualdo Ferreira, para o Santos Futebol Clube. Bom, esta coluna está sendo escrita na segunda-feira (dia 23), nada ainda até agora foi definido, por isso da expressão “probabilidade”. Independentemente da vinda dele, é notável a numerosa presença de técnicos portugueses nas principais ligas de futebol do mundo.

Notável, mas não surpreendente.

Há quase quatro décadas que o ensino superior em Portugal, através das suas principais escolas, dedica-se a entender o esporte, e claro, o futebol, como uma ciência. Quer seja dentro de campo, através das análises de jogo; ou fora dele, quando se estuda a gestão da modalidade. Todos os fenômenos são possíveis de serem estudados, analisados, quantificados e compreendidos. Com isso, há o controle e, com o controle, é possível gerir as situações em jogo e aquelas que o influenciam diretamente.

José Mourinho, renomado treinador português de futebol. (Foto: Divulgação/Reprodução)

 

Os grandes treinadores portugueses, sejam eles mais velhos ou mais novos, tiveram em maior ou menor escala contato direto com esta ciência. Há quem diga que o futebol não é uma ciência completamente exata, entretanto, ela te dá as condições para que a chance do erro seja infinitamente menor. Ao mesmo tempo, tem sido provado todos os dias que é sim possível combinar um bom futebol com boas práticas de gestão.

Os resultados de todos esses estudos, que começaram há décadas, não surgiram de maneira imediata. Demoraram para acontecer. O protagonismo mundial que o futebol luso possui levou tempo para que acontecesse. Houve um brilho nos anos 60 do século passado que levou muitos anos para voltar. Em uma primeira análise, especificamente em Portugal e em comparação com o Brasil, o imediatismo não conduz o plano de ação e a opinião pública cobra, sobretudo, pelo bom senso. Por estas bandas, hoje enxergam-se mudanças, mas historicamente é completamente o contrário. Neste cenário, entende-se a frase que esta coluna gosta muito, do Professor português Gustavo Pires: “o problema é que, no mundo do esporte, em inúmeras situações, os projetos decorrem dos resultados e não são os projetos que dão origem aos resultados”.

Diante disso, especialistas falam muito sobre um retrocesso do futebol no Brasil nos últimos anos e isso passa pelos 7 a 1 de 2014 e da ausência do país no topo do mundo da modalidade. Por isso é tempo e urgente que, seja no futebol ou em todos os campos da sociedade, tergiversemos da ambição desmedida, personalista e do imediatismo, para se agir com bom senso e planejamento (projetos), a fim de compreender as situações e resolvê-las e, deste jeito, deixar um legado (resultados).

Um Feliz Natal!

——-

Em tempo mais uma citação que se relaciona com o tema da coluna:

 

“O futebol é um serviço público.”
Professor Manuel Sérgio,
Filósofo português (1933 – )

Comentários

  1. Romário Cardoso Costa disse:

    Bom dia Virgílio! Admito que desconhecia o termo tergiversemos, que você usou na sua coluna. Tive que recorrer ao dicionário para entender o que você quis dizer ao usá-lo. Para aqueles que como eu, também, desconhecem o significado de tergiversemos, segue a definição:”Vem do verbo tergiversar. O mesmo que: hesitemos. Utilizar vários pretextos, subterfúgios, desculpas; fazer rodeios; evitar afirmações claras.”

Deixe uma resposta