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10/12/2019

A indústria do futebol no Brasil não será mais a mesma depois do último mês de novembro

Os títulos do Flamengo, o acesso do Red Bull Bragantino e a regulamentação do clube-empresa colocam boas práticas da gestão do esporte como referência

Este colunista esteve ausente nas últimas semanas, quatro para ser mais exato. Um mês. Quanta coisa aconteceu em um mês, não? Destacam-se: os títulos da Libertadores e do Brasileiro pelo Flamengo, os avanços dentro do Congresso Nacional sobre a regulamentação do clube-empresa, o sucesso do Red Bull Bragantino e o insucesso do Cruzeiro Esporte Clube.

Em todos os casos, o que há de comum entre eles é a quebra de paradigmas, exceto o último. O rompimento com o passado, com o lugar comum e com a mesmice. No caso cruzeirense é um retorno ao passado. Aliás, não consigo associar o Cruzeiro à má gestão. Outrora lembrado pela solidez, constância, filosofia de trabalho e credibilidade, o clube belorizontino passou o ano de 2019 – às vésperas do seu centenário – mergulhado em denúncias e escândalos, e não há dúvidas de que elas, em parte, contribuíram para deixar o clube à beira do descenso para o campeonato brasileiro de 2020 (este texto está sendo escrito em um sábado, 7 de Dezembro).

O “Ninho do Urubu”, centro de treinamento do Clube de Regatas do Flamengo. (Foto: Divulgação/Reprodução)

 

Flamengo e Red Bull Bragantino são os principais protagonistas do exemplo de que a seriedade, transparência e comunicação na gestão do esporte conduzem aos resultados esperados. O clube carioca tem particularidades que o paulista não tem, e vice-versa. Ao mesmo tempo ambos deixam de maneira escancarada o esquecimento com as velhas práticas do passado e o compromisso com um método de trabalho inserido dentro de um planejamento estratégico, quer seja dentro ou fora de campo.

No âmbito político, o processo de regulamentação do clube-empresa avança e já é marco bastante importante, uma vez que o potencial que o futebol possui para gerar emprego, renda e riqueza no Brasil ainda está muito aquém. Um ambiente regulamentado sugere mais segurança e será capaz de atrair investimento estrangeiro, assim como é o Paris na França, com capital do Qatar; o Manchester City na Inglaterra, com recursos de Abu Dhabi, e vários exemplos mundo afora, inclusive no Uruguai.

O efeito mais positivo que tudo isso tem para o futebol do Brasil e, consequentemente, para o esporte do país é o que popularmente conhecemos como “subir a barra”. Os eventos/fatos que aconteceram no espaço de um mês, mencionados no primeiro parágrafo tornaram-se exemplo e referência do que deve ser (ou não) feito.

Uma má gestão, com gastos irresponsáveis, sem transparência ou comunicação pode trazer títulos rapidamente, alegria e felicidade – que acabam por ser efêmeras. Entretanto, ela conduz o clube para uma espiral viciosa e a bancarrota torna-se caminho natural. Boas práticas de gestão do esporte podem em um primeiro momento não trazer títulos, entretanto acabam por ser a base para triunfos muito maiores. Não há dúvidas de que o torcedor do Flamengo orgulha-se dos títulos recentes, mais ainda pela grandeza, solidez e exemplo que o clube é atualmente.

O Red Bull Bragantino, que recentemente conseguiu acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. (Foto: Divulgação/Reprodução)

 

Dá-se um passo à frente para dar mais cinco mais adiante.

Com tudo isso, passo a passo e cada passo por vez enxergam-se mudanças em como o futebol tem sido trabalhado no Brasil. Esta coluna sempre reforça a questão do profissionalismo e uma melhor gestão a fim de otimizar o potencial que o esporte tem em gerar empregos, renda e riqueza. O cenário hoje é muito, mas muito melhor do que há cinco anos e, para esta coluna, surpreendentemente melhor do que se imaginava. Que continue assim.

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Em tempo mais uma citação que se relaciona com o tema da coluna:

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

Eduardo Galeano, escritor uruguaio (1940-2015)

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