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Não importa o que você é, mas como se vende.

A premiada série americana Mad Men retrata o dia-a-dia de uma grande agência de publicidade de Nova York nos anos 1960.

O nome remete à Madison Avenue, mas também pode ser entendido como a vida louca e cheia de transformações pelas quais passam os protagonistas – Mad Men pode também ser traduzido por “homens loucos”.

Na série, vemos como o pano de fundo social dos Estados Unidos impactava a expansão da atividade publicitária.

Conflitos entre homens e mulheres, preconceitos, vida sexual, tabagismo, hábitos e estilo de vida, surgimento da TV, vida em família, independência das mulheres, que trabalham e usam anticoncepcional, assédio, consumismo.

A própria agência Sterling Cooper, nesse microcosmo, encerra o caldeirão de transformações culturais do país, e como sua atividade impulsionou a venda do “sonho americano”.

O mercado de patrocínios no futebol brasileiro tem crescido em ritmo aceleradíssimo em anos recentes.

Parte disso pode ser creditada à correção de distorções nos valores historicamente pagos aos clubes e às competições, é verdade.

A consultoria Sport+Markt divulgou, neste mês, resultado de pesquisa, que sinaliza que os clubes de futebol do Brasil arrecadam 104,6 milhões de euros por ano com a exposição de marcas apenas no uniforme.

O valor é superado apenas por Inglaterra (128 milhões de euros) e Alemanha (118 milhões de euros).

Um exemplo vívido desta impressionante constatação é o Corinthians, com lucro de 22 milhões de euros por ano, como o quarto maior patrocínio do mundo – atrás de Manchester United, Liverpool e Real Madrid.

Entretanto, podemos crer que alguns indutores deste crescimento podem mascarar uma bolha inflacionária, que não acompanhará o crescimento sustentado do mercado do futebol.

O chamado “efeito Ronaldo” no Corinthians e, agora, o efeito “Ronaldinho Gaúcho”, no Flamengo, não necessariamente evidenciam a convergência de melhores práticas administrativas nos clubes, para criar círculo virtuoso de investimento e qualificação de propriedades comerciais para os patrocinadores.

Ainda mais perigoso é saber que os tomadores de decisão nas empresas patrocinadoras raramente se utilizam de métricas para avaliar o retorno de investimento em mídia esportiva e patrocínio. Soube após conversar com um amigo que atua na maior empresa do ramo no país.

Disse que o seu escritório nunca esteve tão cheio, mas que ainda vê muita insensatez em alguns investimentos em patrocínio.

Nossos Mad Men brasileiros não despacham em escritórios na Madison Avenue.
Resta a segunda interpretação.

Afinal, não importa o que você é, mas como se vende.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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