Universidade do Futebol

Gustavo Lopes Pires de Souza

06/11/2015

Mata-mata ou pontos corridos?

O Estatuto do Torcedor estabelece que, em pelo menos uma competição de âmbito nacional, as equipes precisam conhecer o número de partidas previamente

Restando cinco rodadas para o final do Campeonato Brasileiro, o título já está praticamente definido, já que o Corinthians abriu 11 pontos sobre o Atlético Mineiro e restam somente 15 em disputa.

Apesar de ainda haver algumas disputas contra o rebaixamento e para acessar o G-4, a definição do título reacende o debate acerca da fórmula de disputa.

Entre 1971 e 2002, o Campeonato Brasileiro nunca repetiu uma fórmula e sempre teve fases de mata-mata. Após 2003, a fórmula sempre foi a de pontos corridos e, desde então, instaurou-se o debate acerca da emoção (ou falta dela) no modelo atual de competição.

O torneio por pontos corridos faz justiça à equipe mais regular e que se planeja melhor. À exceção do Flamengo em 2009, que conquistou o título embalado na reta final, todos os demais campeões foram clubes que montaram um elenco mais amplo e com uma estrutura mais sólida.

Ademais, estatísticas mostraram que o torcedor brasileiro se acostumou a comparecer aos estádios em competições que não possuam fases finais, eis que os três últimos campeonatos de “mata-mata”, em 2000, 2001 e 2002, tiveram médias de 11.546, 11.400 e 12.886 pagantes, respectivamente, e em 2014 a média foi de 16.555 torcedores.

Por outro lado, nas competições “mata-mata”, a imprevisibilidade em se garantir um título ou uma classificação em um único lance é extremamente emocionante, o que acaba por criar lances lendários e jogadores míticos.

Outrossim, apesar de possuir uma média de público menor, os jogos das fases decisivas têm estádios lotados e atraem toda a atenção da mídia.

Paralelamente à discussão sobre a melhor fórmula de competição, há uma questão jurídica relevante, pois o artigo 8º, II, do Estatuto do Torcedor, estabelece que pelo menos uma competição de âmbito nacional tem que ser em sistema de disputa que as equipes participantes conheçam, previamente ao seu início, a quantidade de partidas que disputarão, bem como seus adversários, o que, a priori, define o sistema de pontos corridos.

Caso prevaleça esta interpretação, o Estatuto do Torcedor proíbe a volta do “mata-mata” e sedimenta o debate.

Doutro giro, em uma competição “mata-mata” se sabe exatamente os adversários de 90% da competição e tem conhecimento dos restante que estariam, apenas, pendentes de confirmação desportiva.

O sistema de disputa por pontos corridos tem sua origem na Europa, onde os países possuem dimensões bem menores. O Brasil tem uma vastidão continental. Equipes como o Sport Recife, por exemplo, possuem um desgaste com viagem incrível, pois todos os demais clubes da Série A estão nas regiões Sul, Sudeste e o Goiás, na Centro-Oeste. Será que o Sport que começou também a competição não teria perdido fôlego pelo cansaço com as viagens?

O futebol brasileiro precisa se reinventar dentro de suas peculiaridades geográficas e culturais. O Campeonato Brasileiro precisa ser, de fato, Nacional. O modelo norte-americano (outro país de dimensões continentais) viabiliza a participação no certame nacional de equipes de leste a oeste.

O futebol brasileiro precisa se unir de Norte a Sul. Todas as cores, todas as torcidas. Todos os Brasis. Fomos os melhores do mundo atentos às nossas peculiaridades regionais. Enquanto o mundo se preocupava com competições nacionais (e internacionais), o brasileiro se preocupava com a rivalidade local, com os estaduais.

É fato que hoje não haja mais espaço para grandes campeonatos estaduais, mas há espaço para o futebol brasileiro se reinventar e criar sua própria identidade. Só assim,voltaremos ao topo do mundo.

Comentários

  1. E qual seria uma boa idéia para resolver esse problema do desgaste de equipes como o Sport?

    • Bebeto disse:

      Como citado o modelo dos EUA para ligas, uma fórmula que não fira o estatuto do torcedor poderia ser:
      -2 ligas regionais com 12 times cada;
      -poderia se dividir norte-nosdeste-centrooeste/sul-sudeste, mantendo os times do G12 no msm módulo e a regionalidade a finco, ou destribuir as forças, com sul, centrooeste e sp em um e o restante do sudeste, o nordeste e Norte em outro;
      -os times jogam em turno e returno, ao longo da temporada, dentro desta liga, disputando os títulos da liga Brasil Sul e liga Brasil Norte (22 jogos);
      -os times tb jogam em turno único contra os times da outra região,, tb ao longo da temporada, intercalando os jogos, somando pontos para a liga Brasil (liga brasil=aos 22 jogos do módulo regional + os 12 inter-regional, somando 34 jogos, 4 a menos que o campeonato atual);
      -campeões regionais com vagas garantidas na sul-americana, assim como o campeão da copa do Brasil, campeão da liga Brasil com vaga na libertadores;
      -copa do Brasil no decorrer do ano, em 2 etapas: copas estaduais e copa dos campeões estaduais, onde os estados com melhor rankeamento nas competições nacionais (como faz a UEFA) classificam direto a segunda fase, no mais, confrontos sempre definidos por sorteios, em jogos únicos (sistema da fa Cup)
      -ficaria a critério da liga decidir como procederia na liga regional, a optar por contar ou não os jogos inter-regionais. Em minha opinião, seria interessante com os 34 jogos contassem pontos, prevalecendo o caráter nacional do torneio;
      -teríamos a copa do Brasil como torneio abrangencionista, e como forma de não estinguir por definitivo os estaduais, torneio onde há o confronto grandes x pequenos, Davi x golias, flamengo x goitacaz, corinthians x XV de Jau, com todos os times do estado participando e em sua etapa final, integrando as regiões do pais, podendo confrontar o campeão carioca com o campeão do acre, o campeão de alagoas com o gaúcho, e assim por diante. Sua decisão deve ser na mesma semana da 34ª rodada da liga Brasil;
      -segunda divisão da liga Brasil somente a nível das ligas regionais com 18 times (mesmas 34 rodadas). Campeão sobe direto e segudo a quinto disputam a segunda vaga. Lanterna rebaixado direto. Outros 2 últimos disputam o mata-mata de acesso;
      -terceira divisão a nível estadual, de modo a garantir o calendário com ao menos 30 rodadas e no máximo 36 para os times (grupos, como no paulista, turno único, turnos múltiplos etc), começando e terminando junto com a liga nacional, os vencedores de cada estado e os 2 últimos do regional disputam um mata-mata por 3 vagas na segunda divisão;
      —>A GRANDE CEREJA DO BOLO:
      • campeão norte (#1 ou #2)
      • campeão sul (#1 ou #2)
      • campeão da copa do Brasil (#3)
      • + 3 melhores classificados (tb tem vaga assegurada na sul-americana) na liga Brasil, independente da região (#4 a #6)
      Jogam a copa dos campeões do Brasil, ou supercopa do Brasil, ou qq outro nome bonito e atrativo, onde os campeões sul e Norte já entram direto nas semifinais (considerados melhor campanha 1 e 2); confrontos sempre time de melhor # contra o de pior #. O time de melhor # joga em casa e pelo empate nas 2 primeiras fases (até as semi-finais). Final em jogo único, campo neutro e estádio dividido. Empate leva a prorrogação e penaltis.

      Pontos importantes:
      *apesar de ser um detalhe, o formato não deixa de ser um detalhe importantíssimo, porém outras medidas não deveriam ser deixadas de lado, caso contrário, não adiantaria muita coisa;
      *o acesso a cada divisão só deve ser efetivado após o time cumprir algumas obrigações, como: estádios com capacidade mínima compatível com a divisão e devidamente credenciado pelas federações, polícia, bombeiro, sindicatos etc e com garantia de disponibilidade para todo o calendário (evitando, por exemplo, que o case de concessões como o Maracanã e engenhao ao se fecharem deixem seus times sem estádio para mandar o jogo. Neste caso, os times já teriam obrigação de apresentar previamente o estádio que mandariam os jogos neste metido). Ct aprovado pela liga, federação e sindicato. Teto e piso salarial. Responsabilidade fiscal e garantias de pagamentos (de todas as naturezas, podendo até mesmo ser através de penhoras). Entre outras medidas semelhantes;
      *para a copa do Brasil, no quesito acima vale tudo, rs. O que não vale é deixar os (times) pobres fora da festa;
      *para a copa dos campeões (ou supercopa etc) a liga e a CBF dariam o suporte a disputa da competição para eventuais times classificados através da copa do Brasil que não tiverem a estrutura necessária a participação da competição. Uma forma de os times ajudarem compulsoriamente nesse socorro seria todos os times não classificados a qq etapa de mata-mata (o torneio em questão, os mata-mata de acesso das divisões inferiores etc) teriam a obrigação de deixar seus estádios a disposição do torneio.
      *discussão sobre como seria feita a negociação dos direitos de TV. O modelo dos EUA muito me agrada (nacional e internacional 100% igualitário, regional, normalmente ppv, independente). O modelo inglês tb e interessante. Grandes premiações no copa dos campeões.
      *não sou simpatizante do ajuste ao calendário europeu, principalmente por pelo fato do argumento da janela de transferência, pois existe outra no meio do ano. Na vdd creio que o ajuste levaria até mesmo a perda de competitividade nas negociações com os jogadores na tentativa de mantê-los (mais fácil segurar alguém que está disputando uma competição que entre outras, porém tb creio que como fator isolado não seja de grandes benefícios ou prejuízos. O ponto chave está na duração e democracia do calendário, que passaria a ter entre 31 e 37 semanas para todos os times do pais, números bem mais razoáveis (sendo modesto) que os atuais, não levaria um time a jogar 80 jogos na temporada e seria facilmente ajustavel a qq das 2 configurações, permitiria parada nas datas fifa e competições internacionais , além de férias e pre temporada decente.

  2. Bebeto disse:

    Como citado o modelo dos EUA para ligas, uma fórmula que não fira o estatuto do torcedor poderia ser:
    -2 ligas regionais com 12 times cada;
    -poderia se dividir norte-nosdeste-centrooeste/sul-sudeste, mantendo os times do G12 no msm módulo e a regionalidade a finco, ou destribuir as forças, com sul, centrooeste e sp em um e o restante do sudeste, o nordeste e Norte em outro;
    -os times jogam em turno e returno, ao longo da temporada, dentro desta liga, disputando os títulos da liga Brasil Sul e liga Brasil Norte (22 jogos);
    -os times tb jogam em turno único contra os times da outra região,, tb ao longo da temporada, intercalando os jogos, somando pontos para a liga Brasil (liga brasil=aos 22 jogos do módulo regional + os 12 inter-regional, somando 34 jogos, 4 a menos que o campeonato atual);
    -campeões regionais com vagas garantidas na sul-americana, assim como o campeão da copa do Brasil, campeão da liga Brasil com vaga na libertadores;
    -copa do Brasil no decorrer do ano, em 2 etapas: copas estaduais e copa dos campeões estaduais, onde os estados com melhor rankeamento nas competições nacionais (como faz a UEFA) classificam direto a segunda fase, no mais, confrontos sempre definidos por sorteios, em jogos únicos (sistema da fa Cup)
    -ficaria a critério da liga decidir como procederia na liga regional, a optar por contar ou não os jogos inter-regionais. Em minha opinião, seria interessante com os 34 jogos contassem pontos, prevalecendo o caráter nacional do torneio;
    -teríamos a copa do Brasil como torneio abrangencionista, e como forma de não estinguir por definitivo os estaduais, torneio onde há o confronto grandes x pequenos, Davi x golias, flamengo x goitacaz, corinthians x XV de Jau, com todos os times do estado participando e em sua etapa final, integrando as regiões do pais, podendo confrontar o campeão carioca com o campeão do acre, o campeão de alagoas com o gaúcho, e assim por diante. Sua decisão deve ser na mesma semana da 34ª rodada da liga Brasil;
    -segunda divisão da liga Brasil somente a nível das ligas regionais com 18 times (mesmas 34 rodadas). Campeão sobe direto e segudo a quinto disputam a segunda vaga. Lanterna rebaixado direto. Outros 2 últimos disputam o mata-mata de acesso;
    -terceira divisão a nível estadual, de modo a garantir o calendário com ao menos 30 rodadas e no máximo 36 para os times (grupos, como no paulista, turno único, turnos múltiplos etc), começando e terminando junto com a liga nacional, os vencedores de cada estado e os 2 últimos do regional disputam um mata-mata por 3 vagas na segunda divisão;
    —>A GRANDE CEREJA DO BOLO:
    • campeão norte (#1 ou #2)
    • campeão sul (#1 ou #2)
    • campeão da copa do Brasil (#3)
    • + 3 melhores classificados (tb tem vaga assegurada na sul-americana) na liga Brasil, independente da região (#4 a #6)
    Jogam a copa dos campeões do Brasil, ou supercopa do Brasil, ou qq outro nome bonito e atrativo, onde os campeões sul e Norte já entram direto nas semifinais (considerados melhor campanha 1 e 2); confrontos sempre time de melhor # contra o de pior #. O time de melhor # joga em casa e pelo empate nas 2 primeiras fases (até as semi-finais). Final em jogo único, campo neutro e estádio dividido. Empate leva a prorrogação e penaltis.

    Pontos importantes:
    *apesar de ser um detalhe, o formato não deixa de ser um detalhe importantíssimo, porém outras medidas não deveriam ser deixadas de lado, caso contrário, não adiantaria muita coisa;
    *o acesso a cada divisão só deve ser efetivado após o time cumprir algumas obrigações, como: estádios com capacidade mínima compatível com a divisão e devidamente credenciado pelas federações, polícia, bombeiro, sindicatos etc e com garantia de disponibilidade para todo o calendário (evitando, por exemplo, que o case de concessões como o Maracanã e engenhao ao se fecharem deixem seus times sem estádio para mandar o jogo. Neste caso, os times já teriam obrigação de apresentar previamente o estádio que mandariam os jogos neste metido). Ct aprovado pela liga, federação e sindicato. Teto e piso salarial. Responsabilidade fiscal e garantias de pagamentos (de todas as naturezas, podendo até mesmo ser através de penhoras). Entre outras medidas semelhantes;
    *para a copa do Brasil, no quesito acima vale tudo, rs. O que não vale é deixar os (times) pobres fora da festa;
    *para a copa dos campeões (ou supercopa etc) a liga e a CBF dariam o suporte a disputa da competição para eventuais times classificados através da copa do Brasil que não tiverem a estrutura necessária a participação da competição. Uma forma de os times ajudarem compulsoriamente nesse socorro seria todos os times não classificados a qq etapa de mata-mata (o torneio em questão, os mata-mata de acesso das divisões inferiores etc) teriam a obrigação de deixar seus estádios a disposição do torneio.
    *discussão sobre como seria feita a negociação dos direitos de TV. O modelo dos EUA muito me agrada (nacional e internacional 100% igualitário, regional, normalmente ppv, independente). O modelo inglês tb e interessante. Grandes premiações no copa dos campeões.
    *não sou simpatizante do ajuste ao calendário europeu, principalmente por pelo fato do argumento da janela de transferência, pois existe outra no meio do ano. Na vdd creio que o ajuste levaria até mesmo a perda de competitividade nas negociações com os jogadores na tentativa de mantê-los (mais fácil segurar alguém que está disputando uma competição que entre outras, porém tb creio que como fator isolado não seja de grandes benefícios ou prejuízos. O ponto chave está na duração e democracia do calendário, que passaria a ter entre 31 e 37 semanas para todos os times do pais, números bem mais razoáveis (sendo modesto) que os atuais, não levaria um time a jogar 80 jogos na temporada e seria facilmente ajustavel a qq das 2 configurações, permitiria parada nas datas fifa e competições internacionais , além de férias e pre temporada decente.

    • Bebeto disse:

      Faltou deixar claro só um detalhe:
      Como seriam as distribuições de vagas para competições internacionais:
      Libertadores: decidido pelo mata-mata. Caso hajam mais 6 vagas para o pais, as vagas extras seriam para a liga nrasil(
      Sul-americana: hierarquia: até 3 vagas para o mata-mata->até 3 vagas para a liga Brasil-> 1 vaga extra pra copa do Brasil-> 6 vagas para as ligas norte e sul, alternando por colocação na liga Brasil (3 pra cada região)-> eventuais demais vagas tb para a copa do Brasil.

    • bebeto disse:

      Se levarmos em conta que hj as competições regionais consomem aproximadamente 20 datas e os grandes centros do futebol europeu possuem ainda uma outra competição (a copa da liga), ainda seria razoável um acréscimo de mais algumas datas, possibilitando q cada região tenha 14 times (26+14 jogos-28 times) ou a divisão em 3 regiões (18+10+10 jogps-30 times).

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