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07/05/2019

Negócio fechado: o caso do Palmeiras e do Athletico

É público o debate sobre a inviabilidade de acordo de Athletico e Palmeiras com o grupo Globo. Há prós e contras, como em todas as discussões. Apesar de todos os contras, ganham na verdade estas duas instituições com isso. No texto, uma análise sobre o porquê ganham

Eis que Athletico e Palmeiras não chegaram a acordo com o Grupo Globo e vários dos seus jogos não terão transmissão pelos canais do principal grupo de mídia do país. Em um primeiro momento é ruim, uma vez que o torcedor compra pacotes de transmissão, aguarda ansioso pelos jogos; grupos se reúnem em bares e restaurantes, estabelecimentos que esperam pelo futebol para potencializar os rendimentos. Como se houvesse um vácuo, um vazio, em pleno século XXI, caracterizado pela disponibilidade dos meios de transmissão e rapidez das informações.

Entretanto, o não acordo abre muitas possibilidades de longo prazo. Muitas delas abordadas nesta coluna. Em primeiro lugar, o clube é o grande responsável pelo seu produto. Um deles é o seu jogo e como ele vai colocar o seu jogo no mercado, como vai transmiti-lo, a fim de potencializar a exposição de patrocinadores e tudo o que for relacionado ao clube e ao jogo específico. Obviamente não dá o imediato retorno, mas o resultado virá com o tempo.

A possibilidade de acordo com outros grupos de mídia abre outras oportunidades também outrora desconhecidas. A presença de um concorrente é benéfica para o mercado e, em um futuro, caso haja possibilidade de acordo, é capaz de fazer as partes cederem em vários pontos. Quem ganha com isso? A instituição esportiva. O atleta. O torcedor, também.

Não é o fim do mundo Palmeiras e Athletico ficarem de fora da TV em alguns jogos. É bom sinal, de que existem outras possibilidades e oportunidades. Concorrência conduz à competitividade e competitividade leva à excelência na condução, transparência e execução dos negócios, do que levado em acordo e da gestão como um todo. Para além do futebol, é disso que o país precisa também.

Athletico e Palmeiras, grandes protagonistas fora de campo no início do Brasileirão Série A 2019. (Foto: Divulgação)

 

Com tudo isso, é questão de autonomia e “soberania” financeira do clube, que não dependem de certas origens de receitas antecipadas. Isso é financeiramente bastante saudável, permite o clube a trabalhar a longo prazo. O Athletico, especificamente, faz isso há muito tempo e está colhendo os frutos agora. Haverá sim um acordo, porque é inaceitável que dois grandes clubes da primeira divisão de profissionais de futebol do Brasil – principal modalidade do país com indiscutível palmarés internacional – não tenham a totalidade dos seus jogos disponíveis na TV. No entanto, as condições do acordo têm tudo para serem bem diferentes.

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Em tempo mais uma frase desta coluna:

Jogue na Inglaterra. Porque melhor do que ouvir você tem futuro”, é ouvir “you have a future

Anúncio da Nike ao promover o concurso “A Chance”, em 2011

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