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Em nada me espanta o mau momento do São Paulo. O resultado dentro de campo é sempre reflexo de tudo o que acontece fora dele, em todas as esferas do clube. No mundo corporativo isso se chama cultura organizacional. Não seria chegar na final do Campeonato Paulista e começar “bem” o Brasileirão que mudaria um cenário melancólico e arcaico que atormenta o Morumbi há anos.
Começo falando especificamente da parte de campo. Qual o conceito de jogo que o São Paulo quer ter como clube? Não está claro para ninguém. Diego Aguirre foi demitido no dia 11 de novembro do ano passado. De lá para cá, Cuca é o terceiro treinador. André Jardine e o interino Vágner Mancini foram remendando trabalhos. Não há paciência e convicção para fazer algo a médio prazo no São Paulo. O sucesso deixa pistas. E nunca vi uma equipe vencedora ser formada da noite para o dia. Muito menos com tantas mudanças no comando. E com ideias de futebol sempre tão antagônicas.
No comando do futebol as coisas também se mostram muito confusas no tricolor. Contratações equivocadas são a tônica dessa e de recentes gestões. É claro que até os melhores analistas de desempenho do mundo falam sempre em errar o menos possível quando se forma um grupo de atletas. Porém, Raí e sua equipe têm abusado do direito de errar. E mais do que erros no que tange a parte técnica e até física dos jogadores, está mais do que clara a dificuldade em se formar um elenco mentalmente forte, com a inteligência emocional necessária para suportar um ambiente carregado pela ausência de conquistas. Em cima disso, não é de hoje que questiono se Raí tem as competências técnicas para estar a frente do departamento ou se está lá apenas porque seu histórico de ídolo blinda o presidente Leco.
E por fim, chego na parte política do São Paulo. A guerra declarada e pública de Leco com o seu vice, Roberto Natel, deixa claro que nem todos remam pro mesmo lado no Morumbi. O São Paulo hoje é um clube frágil financeiramente que por ter um viés tão político em sua gestão fica atrasado em termos de marketing, arrecadação e negociações.
Para montar um quebra-cabeça vitorioso no futebol todas as peças devem estar bem encaixadas. No tricolor, porém, a impressão que se tem é que cada setor do clube está agarrado à sua própria peça pouco se importando com o todo, com o desenho final do quebra-cabeça. Ok, é uma opção. Só que os resultados em campo irão traduzir isso. Como estão há tempos traduzidos no São Paulo. A sala de troféus, que não ganha novos itens, mostra bem isso.
 

Marcel Capretz é jornalista com experiência em grandes emissoras de rádio e TV. Busca entender e explicar o jogo através do conhecimento.

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