Universidade do Futebol

Rodrigo Barp

23/07/2012

O crime não compensa quando o esporte é opção

Estava conversando com amigos meus sobre os rumos da eleição para a prefeitura de Curitiba.

Muita imaginação e adivinhação política por parte de todos nós.

Comentários sobre as articulações de bastidores, possíveis e improváveis coligações.

Um tanto de decepção sobre como os rumos de nossa democracia são maltratados no país.

Em boa parte por nossa culpa, sim, pois ficamos alheios a uma cobrança e participação popular mais ativa, que extrapole o direito de votar e ser votado.

Eis que a conversa começou a pender sobre como combater os altos índices de criminalidade e violência, atualmente também associados ao tráfico e consumo de drogas.

Disse, com firmeza, mas ressabiado da repercussão: “o esporte pode ser, sim, um grande vetor de mudança positiva desse cenário. Mas associado, obrigatoriamente, à educação”.

Vi que meus amigos se entreolharam e assentiram frente à sugestão.

Fui além e disse que a prática esportiva ajuda na integração por meio dos esportes coletivos; na concentração e disciplina a partir dos esportes individuais; a formação de valores e do caráter das pessoas resta favorecido; a produção intensa de adrenalina, endorfina, dopamina.

Sei lá, muito hormônio desses que literalmente “surravam” o corpo e a mente, fazendo com que as únicas coisas que eu queria fazer, ao chegar em casa dos treinos, era comer, ler e dormir.

A conversa foi ficando mais rica, na medida em que essa experiência democrática e participativa era alimentada com ideias para viabilizar a boa intenção, mas de maneira prática.

Aumentar e melhorar as instalações esportivas nas escolas e centros públicos e privados; investir na qualificação dos professores; criar programas de incentivo financeiro vinculados ao desempenho escolar e esportivo; envolver as comunidades e famílias locais.

Alguns se perguntam se, efetivamente, os indicadores do esporte, nesse contexto de prevenção e redução de problemas vinculados à criminalidade, são passíveis de mensuração.

Afirmo que sim, pois recebi de um amigo escritor e ativista social da Irlanda, Don Mullan, um relatório da Universidade de Chicago que ampara esta iniciativa.

A partir de um programa chamado World Sport Chicago and Youth Guidance, voltado para a redução da violência juvenil, o Laboratório de Criminologia da Universidade realizou estudo que comprovou que a terapia cognitiva comportamental associada ao aconselhamento e à prática esportiva teve significativo impacto no aumento do engajamento nos estudos e a redução da violência em 43%.

O estudo foi apoiado em jovens do sexo masculino de Chicago que vivem em áreas de alto risco social na cidade.

Gostaria de ver esse tipo de discussão qualificada nos debates e nos programas de governo/mandato nestas eleições.

Aliás, fiz um pouco da minha parte, ao sugerir a destinação do orçamento da cidade, para 2013, por meio do serviço oferecido à população para balizar a votação da Lei Orçamentária Anual.

Cobrar de maneira eficaz é o segundo passo para transformarmos o país – também por meio do esporte.

Só o primeiro passo – a indignação e reclamação – já não adianta mais.

O endereço era http://loa.curitiba.pr.gov.br/.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br 
 

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