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Dizem que o mundo não será mais o mesmo com a pandemia da COVID-19. O futebol também não. Em um primeiro momento os gastos deverão ser contidos, menos pessoas frequentarão os jogos, menor será o consumo. A indústria do futebol terá o trabalho de manter e cativar o público que possui em vez de procurar aumentar a sua base de torcedores. Tudo bem que o futuro é incerto, mas não é o apocalipse. Questão de se reinventar.

Nesta quarentena este colunista viu a série “The English Game”, em exibição por determinada plataforma de serviços de filmes e séries por streaming. Recomendo fortemente, inclusive. Somos tão – e a cada dia mais – apaixonados por futebol que nos esquecemos que é uma criação relativamente recente dentro de uma linha do tempo. Um piscar de olhos de 160 anos, muito pouco dentro da história. O que reserva o futuro da modalidade? E-sports? Super atletas? Futebol “Disneyficado”[1] ou a escalada do futebol de bairro, comunitário, fenômeno que acontece atualmente no Reino Unido?

Em outro momento de reflexão este colunista lembrou-se de quando ficou por minutos a observar um cartaz com a foto aérea da modernização do estádio do Beira-Rio para a Copa do Mundo de 2014. Parecia o Coliseu, em Roma e fez lembrar das aulas de história, quando se dizia que lá aconteciam as corridas de brigas – entre outras coisas menos esportivas – que arrastavam as multidões. Aquilo durou séculos e certamente quem viveu aquele tempo deve ter imaginado que aquilo não acabaria.

Foto: Reprodução/Divulgação

 

Não quero que o futebol acabe. E não vai.

Se a modalidade for trabalhada com propósito, com a devida responsabilidade que possui em relação à sociedade e à formação de cidadãos, com respeito ao atleta e aos torcedores, o futebol sempre terá algo de bom para proporcionar. Em tempos de pandemia – sem ser romântico ou demagogo – observa-se (oxalá esteja correto) mais respeito e cuidado para com o próximo. Seja em relação à saúde, mas também na tolerância em relação às crenças e costumes. Sem esta diversidade a humanidade não avança, uma vez que novos pontos de vista e maneiras diferentes de pensar não surgem. Precisamos do outro para sermos pessoas melhores, e vice-versa. O futebol é sim capaz de ser um manancial dos bons exemplos que o mundo precisa, a partir do momento em que o indivíduo tiver em mente agir com bom senso e discernimento. Cada vez mais raros, não é mesmo?

Com tudo isso, quando tudo isso passar, certo que os calendários terão que ser ajustados, adequados e de certa forma, transformados. Mas antes que tudo isso seja feito devemos perguntar como queremos o futebol e o que queremos do futebol. Fuga da rotina? Válvula de escape? Oportunidade de negócio? Identidade, representação e pertencimento? As incertezas continuarão, mas não significarão o fim. Vai ser preciso se reinventar e vai ter que ser pra melhor.

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Em tempo, mais uma citação que se relaciona com o tema da coluna:

“Na luta não importa o tamanho do cão, mas o tamanho da luta no cão.
Archie Griffin

 

 


[1] “Disneyficação do futebol: termo utilizado para caracterizar os grandes conglomerados empresariais que possuem clubes de futebol pelo planeta, em analogia à “Disney World” e seus parques temáticos filiais no mundo;

 

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