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Pensar no futuro é sempre um desafio, e esse desafio é ainda maior se o tal futuro em questão envolver um cenário em que você está inserido. São poucas as pessoas que conseguem projetar com acuidade a evolução de suas realidades, e esse é um dos motivos para as decisões que envolvem futuro profissional serem tão complicadas. Deixar a empresa em que você trabalha pode ser uma decisão simples, mas abre uma infinidade de caminhos. Escolher entre eles é também escolher para onde levar a própria vida.

O trabalho, afinal, não é a vida de ninguém. No entanto, a vida profissional é uma seara fundamental para qualquer um – seja por ambição, criação de laços com outras pessoas ou apenas por desenvolvimento pessoal – e exerce influência direta em outros âmbitos.

Tenha em mente os dois conceitos tratados nos parágrafos acima (a dificuldade para projetar o futuro e a relevância da vida profissional) e pense: o que você busca na carreira? Você trabalha apenas para acumular dinheiro, prioriza experiências ou quer aprimorar seu talento, por exemplo? Nenhuma das respostas é errada.

Agora tente transportar essa lógica para a carreira de um jogador de futebol. É justo condenar alguém que prefere ganhar dinheiro? É certo rotular ou diminuir um atleta que abre mão de desafios em nome de experiências pessoais?

Toda essa discussão precisa ser considerada antes de qualquer análise sobre Ronaldinho Gaúcho. Principalmente porque há poucas informações concretas sobre as motivações profissionais do meia-atacante – talvez por preservação da imagem ou talvez até por falta de percepção dele sobre o que está acontecendo.

Ronaldinho Gaúcho foi eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo em 2004 e 2005. Viveu um período incontestável – no primeiro semestre de 2006, não era raro encontrar quem dissesse que ele estava a uma Copa do Mundo de entrar no panteão de Pelé e Garrincha. E depois, o que aconteceu com a carreira dele?

Num primeiro momento, Ronaldinho Gaúcho fracassou na Copa de 2006. O jogador do Barcelona era um dos ícones daquela seleção de quem se esperava encantamento, mas as marcas indeléveis do time foram a falta de compromisso, o sobrepeso e a bagunça na concentração em Weggis (Suíça) antes do Mundial.

Depois, Ronaldinho simbolizou também uma derrocada no Barcelona. O time catalão caiu a ponto de romper com o modelo vigente e abrir mão de nomes badalados como Deco, Eto’o e o próprio brasileiro. A criação do time que encantou o mundo nos anos seguintes passou por essas saídas.

Ronaldinho passou anos no Milan e um período conturbado no Flamengo após ter deixado a Catalunha. Só foi reencontrar o protagonismo no Atlético-MG, time em que foi um dos artífices da campanha vitoriosa na Copa Libertadores de 2013.

No Atlético-MG, contudo, o período de bonança de Ronaldinho também não foi longevo. O segundo semestre de 2013 já não foi tão eficiente quanto o primeiro, e a temporada 2014 começou mal. O período do meia-atacante no clube acabou de forma melancólica – desentendimento com o técnico Levir Culpi e rescisão de contrato em julho.

Em 2006, Ronaldinho estava a alguns passos da imortalidade. O que motivou a mudança de desempenho dele nos anos seguintes? Foi apenas uma queda técnica ou houve uma decisão profissional? Ele escolheu novos caminhos porque ficou sem espaço nos clubes anteriores ou ficou sem espaço nos clubes anteriores por ter escolhido novos caminhos?

A questão é que a saída do Atlético-MG abriu novamente o mercado para Ronaldinho. O brasileiro podia ter usado diferentes argumentos para escolher um novo caminho, e o rumo que ele escolheu foi assinar um contrato com o Gallos Blancos de Querétaro, time que está longe de ser uma das potências no México.

E por que essa transferência, em meio a tantas outras, merece uma discussão um pouco mais aprofundada? Ronaldinho pode ter tido diferentes motivos para escolher o Querétaro. Pode ter feito isso por dinheiro, por vontade de viver no México ou por ter gostado do plano do clube para os próximos meses.

A questão é que as motivações profissionais podem ter origem pessoal, mas não podem desconsiderar que todo profissional é um produto. Ao decidir assinar contrato com o Querétaro, Ronaldinho criou efeitos imediatos para o valor de mercado que ele possui.

Toda decisão profissional precisa considerar isso também. Qual é o potencial do mercado mexicano? Ele tem abertura para um personagem como Ronaldinho Gaúcho? O Querétaro é a melhor forma de um jogador como ele ganhar espaço no país?

Ronaldinho pode ter tido excelentes razões para escolher o Querétaro. O ponto é: era esse o melhor caminho para a carreira dele? A decisão fez bem ou mal para o valor de marca do brasileiro?

Toda a condução da negociação deixa isso no ar. Ronaldinho pode ganhar muito dinheiro jogando no México, mas ganhar muito dinheiro nem sempre é a resposta para uma decisão profissional.

E quem tem um trabalho de gestão de carreira no futebol brasileiro? Que jogador toma decisões absolutamente baseadas em efeitos de mercado e imagem?

Se fosse assim, será que teríamos tantos jogadores no futebol ucraniano ou no futebol russo? Teríamos tantos jogadores em times grandes da Europa?

Pensar na carreira de um atleta é um desafio complicado, e nem sempre os parâmetros são simples. Muitas vezes, a vontade de um atleta pode não ser o desempenho esportivo. Ronaldinho Gaúcho abriu um mundo novo ao escolher defender o Querétaro. Mas era esse o mundo que ele queria? 

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