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O caso aconteceu na última segunda-feira e serviu como combustível para o momento turbulento vivido pelo São Paulo. Incomodado com a reação de um torcedor a uma mensagem postada na rede social Twitter, o volante Denílson respondeu com um xingamento. O episódio é um exemplo de como a ausência de filtros cria riscos para qualquer plano de comunicação.

Antes da discussão teórica, detalhes do caso: Denílson postou uma mensagem com manifestação de apreço pelo São Paulo. Um internauta respondeu e disse: “Falar não resolve. Tem que mostrar. Está na hora de parar com o marketing próprio e jogar bola, honrar a camisa que diz que ama”.

Denílson respondeu de forma ríspida: “Vai tomar no c…”. O internauta chegou a postar uma tréplica, que precedeu uma série de manifestações contra a explosão do jogador. Mais comedido, o atleta publicou nova mensagem e tentou encerrar a polêmica.

O caso de Denílson é emblemático por dois motivos. Em primeiro lugar, trata-se de um ato sincero. O volante não pensou ou mediu as consequências que o texto teria. Além disso, o episódio mostra a repercussão que as mídias sociais atingiram. Se a cena tivesse acontecido na rua, longe de holofotes, câmeras e teclados, talvez tivesse sido facilmente abafada.

O desabafo de Denílson, insuflado pelos resultados ruins e pela pressão que certamente o jogador tem passado – até mesmo dentro do clube – não foi, contudo, o primeiro exemplo de comportamento inadequado de um atleta em mídias sociais. Já houve casos igualmente ruins envolvendo esportistas de diferentes modalidades.

Todos esses episódios têm um ponto em comum: poderiam ter sido evitados se houvesse um filtro entre o atleta e a mídia. As redes sociais facilitaram a publicação de qualquer tipo de conteúdo e deram voz ao mundo. Em outro lado, elas desobstruíram barreiras que existiam entre ídolos e fãs.

E o que os atletas precisam entender é que eles são prestadores de serviço. Sempre que eu vejo um caso como o de Denílson, penso no ofício de garçom. O profissional que serve mesas e anota pedidos é constantemente insultado, maltratado e mal remunerado. Entretanto, existe uma ideia mais sedimentada de que “o cliente tem sempre razão”.

Em outras palavras, é mais fácil evitar uma discussão. Afinal, você depende do dinheiro e da presença daquela pessoa. Isso vale para o garçom e para o atleta, por mais diferentes que sejam os dois mundos.

O problema é que o atleta nem sempre se relaciona com o fã. Ele é blindado em diferentes âmbitos, e as redes sociais são um meio imune a esse controle. Essa é uma grande explicação para a enorme quantidade de gafes que aparecem nos Twitters e similares.

Por mais que o atleta queira ter uma vida de pessoa normal e alimentar redes sociais como os amigos comuns fazem, é urgente que ele entenda: aquele é um ambiente que complementa o trabalho. O esporte vive de idolatria, e a relação com os fãs é parte da construção do ídolo.

Portanto, redes sociais não podem ser tratadas de forma amadora. Um atleta preocupado com a imagem e com o reflexo que ela tem deve planejar e ponderar o que deve ser publicado nesse tipo de plataforma.

Isso não quer dizer, porém, que o atleta deve ser falso ou “plastificado”. É fundamental que ele tente ser autêntico, mesmo que a autenticidade seja dizer que aquela mídia não é alimentada pelo dono do nome.

O fã quer chegar mais perto do ídolo, evidentemente. Mas quer ainda mais ser tratado com respeito e honestidade. Saber que foi enganado é ainda pior do que nunca ter conseguido uma brecha para falar com o atleta.

No mundo ideal, um atleta deveria ser preparado para lidar com a mídia. Esse treinamento deveria incluir as redes sociais, ambientes que são públicos e profissionais.

No entanto, são raros os casos de atletas que usam bem a mídia. São ainda mais remotos os que lidam de forma eficiente com redes sociais. E quase sempre, essa proficiência parte de conhecimento empírico.

Os Jogos Olímpicos de Londres-2012 foram assunto em mais de 150 milhões de tweets. Durante a vitória do jamaicano Usain Bolt nos 200 m rasos, houve 80 mil mensagens por minuto na rede social. É um potencial muito grande para ser tratado de forma amadora.

No ano passado, TJ Lang, jogador de futebol americano do Green Bay Packers, usou o Twitter para criticar a arbitragem da NFL. O post dele tinha conteúdo enfático, e a mensagem foi replicada cem mil vezes. O número é quase o dobro do número de pessoas que seguiam o atleta.

Quando o Twitter começou a se tornar popular, jogadores de ligas norte-americanas chegaram a usar a rede social em intervalos e paralisações de partidas. Isso levou a maioria das competições a desenvolver códigos de conduta específicos para redes sociais.

Denílson e Lang foram igualmente inconsequentes. A diferença é que o jogador brasileiro levou apenas um puxão de orelha do São Paulo, enquanto o norte-americano foi duramente punido pela NFL.

Deixar redes sociais à mercê de arroubos ou momentos ruins é um tiro no pé para o atleta, mas também para os times que eles defendem e as ligas em que eles atuam. Todo mundo perde com um ídolo que não sabe se comportar como tal.

 

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br

 

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