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14/03/2019

A praticidade de Felipão que ainda funciona

O estudo no futebol vai pouco a pouco ganhando espaço no Brasil e eu sou um entusiasta disso. Me fascina ler, procurar e pesquisar o que há de mais moderno no mundo da bola. Conhecimentos sobre tática e metodologias de treinamento – dois pilares da alta performance esportiva – sempre existiram, é verdade. Mas nunca tivemos algo tão bem elaborado como o que há atualmente.

E é nesse contexto em que a nova geração de profissionais do futebol busca se aprofundar em princípios, sub-princípios operacionais de ataque, defesa, transições e entender tudo sobre periodização de treino, que um treinador como Luiz Felipe Scolari, que carrega a antítese de todo esse movimento, triunfa e ainda consegue muito sucesso.

Mais do que cair no erro e na preguiça mental, que tanto os estudiosos condenam, de criticar Felipão e falar que os métodos deles estão ultrapassados e só funcionam porque conta com um elenco milionário, prefiro buscar o que ele faz muito bem para conduzir seus times a conquistas.

Felipão com suas conquistas e com sua idade não está preocupado com o futuro do futebol. O que importa para ele é a vitória. E para isso, Scolari tem de sobra o que falta em muitos técnicos que ficam dando murro em ponta de faca por aí: simplicidade no jogo e tato com os atletas.

Falar da família Scolari já é chover no molhado. Todos sabem e conhecem o jeito que ele lida com o grupo, dando pancada quando as mancadas acontecem, mas dando carinho quando o momento pede. E a simplicidade no jeito de jogar também está escancarada para todos verem. Podemos questionar se há beleza no jogo do Palmeiras, mas nunca podemos falar que não há eficiência. Os times de Felipão gastam a energia necessária para fazer mais gols que o seu adversário. Os padrões de atacar com muito lançamento e deixar a bola em disputa o mais próximo possível do gol rival e de defender com muitos jogadores com encaixes individuais estão aí para todos verem.

Usar a bagagem de conhecimento que os jogadores já tem, buscar cumprir a lógica do jogo e priorizar a objetividade e a conexão emocional com os atletas pode ser o pulo da gato para quem estuda muito. Unir o que há de novo com o que Felipão tem mostrado que funciona poder responder várias perguntas para quem se aprofunda muito no modelo, mas tem pouco resultado prático. Não devemos nos esquecer que o sucesso deixa pistas e não é obra do acaso. Aprender com o que funciona é um gesto nobre e inteligente.

 

Comentários

  1. JEFFERSON ALBUQUERQUE GIMENEZ disse:

    Não é diretamente a você a crítica, são para todos que escrevem.

    “Falta objetividade”

    Muitos textos parecem um romance sem fim…..

    Felipão

    Realmente foi vencedor e teve seus méritos…… mas dentre sua maiores conquistas com a seleção Brasileira,
    Me desculpem “até um peixe dentro de uma aquário ganharia 2002”.

    Ali só tinha 4 vendedores como melhores do mundo jogando (Rivaldo, Kaká, R9, R10) fora o Marcos goleiro

    Finalizando hoje a estratégia é brigar com toda imprensa dizer que tudo e todos estão errados para chamar atenção pra si. ASSIM ELE TIRA A PRESSÃO DO ELENCO

    SIMPLES ASSIM.

    O R9 fez a mesma coisa em 2002 Quando cortou o cabelo cascão

    Ninguém mais perguntou dos joelhos

  2. Thiago disse:

    O Felipão tem muita história e não há como negar. Suas conquistas o credenciam a ser considerado um dos maiores treinadores do futebol brasileiro. Não vou tirar o mérito da conquista de 2002 (como o colega Jefferson fez), mas vou sim destacar um ponto essencial no seu texto.

    Quando você diz “Os padrões de atacar com muito lançamento e deixar a bola em disputa o mais próximo possível”, automaticamente um padrão de jogo na base do chutão e da ligação direta, como acontecia na Inglaterra nos anos 60/70. Consagrado no Brasil, o Felipão não conseguiu se estabelecer no futebol europeu, e o padrão de jogo mostrado pelo Palmeiras e pelos clubes que ele treinou deixa o motivo bem claro.

    Minha opinião, é que o seu texto foi escrito com um tanto de paixão e talvez gratidão ao treinador, e tudo bem se você cultiva esse sentimento por ele, mas a verdade é que a forma como ele prepara a equipe pode dar certo aqui no Brasil, mas lá fora (principalmente em competições internacionais), tenho minhas dúvidas.

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