Universidade do Futebol

Geraldo Campestrini

11/11/2015

Qual a velocidade da mudança?

É possível recuperar o tempo perdido se o trabalho for bem feito, mas o processo deve ser coordenado e orquestrado coletivamente

É inegável que o 7 a 1 é um marco importantíssimo no processo de transformação do futebol brasileiro. Não são poucas as análises que discorrem sobre o assunto e o necessário início de ciclos de mudanças para voltar a colocar o país em uma posição de destaque global para além dos jogadores de futebol.

Mas qual é efetivamente a velocidade de uma mudança plena? Quanto tempo leva para colhermos os frutos de um trabalho se ele for iniciado de uma maneira positiva e consistente?

Dependendo do tempo de letargia e da dificuldade de implementar a inovação ante concorrentes mais fortes e melhor preparados, pode ser que a eternidade seja a resposta (não são poucos os exemplos na indústria de casos em que um grande líder foi simplesmente aniquilado por novos entrantes que apresentaram inovações… quando se tentou recuperar o terreno perdido já era tarde!). Mas não vamos aqui pensar no pior.

Acredito que é possível, sim, recuperar o tempo perdido se o trabalho for bem feito em virtude do tamanho do país e da sua representatividade global em relação ao futebol. Mas o processo de mudança deve ser coordenado e orquestrado coletivamente!

Começam a aparecer histórias positivas de mudanças no Brasil justamente impulsionadas por pressões externas ou por uma conscientização sobre a sua necessidade desde o fatídico jogo da semifinal da Copa de 2014. Mas ainda estão demasiadamente isoladas!

A velocidade da mudança – e, para processos análogos ao caso brasileiro, o curto prazo é algo como 8 a 10 anos – depende, sim, de uma mudança coletiva. Para que possamos contar boas histórias a partir de 2023, a transformação construída em 2014/15 ainda é muito tímida e permanece concentrada em poucos exemplos, que não sobreviverão se o todo não fizer a sua parte. Precisamos construir agora o nosso futuro!

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