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16/04/2017

Quando o talento não prevalece no futebol

Como fica a mente e o estado emocional do atleta!

Recentemente li uma matéria sobre um atleta profissional que foi dispensado pelo seu antigo clube, equipe de Série A do Brasileiro, devido sua baixa estatura. Isso aconteceu na sua subida para o elenco profissional.

Agora me pergunto, será que um atleta que permaneceu por 9 anos num clube e chegou a seleção brasileira sub-18 não tinha qualidades e talentos suficientes para prosseguir no clube de origem? Como fica a mente e o estado emocional deste atleta em situações como esta?!

Bem, apenas para contextualizar ainda mais esse cenário que pode ser mais recorrente com os jovens que desejam ingressar na carreira de jogador de futebol, vamos elencar algumas das características de um atleta de futebol na posição de meio campista, como era o caso deste atleta, segundo a publicação no livro “Qualidades físicas e psicológicas e exercícios técnicos do atleta de futebol”, de Rogério Silva de Melo.

Qualidades físicas

  • Resistência
  • Coordenação
  • Recuperação
  • Velocidade de deslocamento

Qualidades psicológicas

  • Sociabilidade
  • Liderança
  • Combatividade
  • Persistência

Após essa contextualização, me pergunto se ainda deixamos de valorizar talentos em potencial no futebol brasileiro, devido a antiga e eventual discussão sobre a estatura dos atletas, para determinadas posições em campo.

Mas minha preocupação com o tema vai além, será que os clubes brasileiros oferecem apoio psicológico e emocional adequado para os atletas nessa situação, como a do caso acima citado?! De quantos jogadores profissionais não estaríamos falando no Brasil, que eventualmente passam por situações como esta e podem chegar até a interromperem suas carreiras de forma prematura?

Minimamente, para atenuar os impactos emocionais, profissionais e sociais, penso que os clubes poderiam colaborar com os atletas neste contexto com ações simples e pontuais tais como:

  • Elaboração de um plano de transição para uma nova realidade profissional através de um plano de metas para a carreira, independente da expectativa criada até o momento na mente deste atleta;
  • Orientação mínima e suficiente sobre gestão financeira e orçamento familiar.

Assim, acredito eu, poderíamos colaborar efetivamente com a continuidade da carreira destes atletas, independentemente do mérito e comparação entre as necessidades físicas, frente aos talentos apresentados por estes atletas.

Até a próxima.

Comentários

  1. Foto de perfil de Jonathan Jonathan disse:

    Concordo plenamente que é injusto na realidade desses jogadores, quando estão fazendo essa transição e são surpreendidos dessa forma, sem ao menos ter uma preparação principalmente psicológica. Praticamente vivendo uma ilusão, por que acredito que é um sonho se tornar um jogador profissional e fazer sucesso na sua carreira, Sendo que, para chegar até esse nível pegando o exemplo desse meio campista, é necessário demonstrar total capacidade para chegar até onde chegou, e foi o que ele fez.

  2. Foto de perfil de Augustinho Augustinho disse:

    Acredito que falta uma política educacional que valorize os atletas na formação, e que garanta principalmente estudos com amplas possibilidade de uma carreira profissional,se não for um jogador aproveitado no profissional.ele tenha condições de trabalho em outras areas.

  3. Ali Sad disse:

    Ótima e verdadeira sua opinião prof° D’Ávila, meu filho passou por situação similar, quando de 20 peneiras em sua vida, passou
    em 4, hoje ele está com 13 anos, mas já foi por duas vezes, mesmo sendo passado para fase seguinte, foi recusado por um clube, inclusive com menção do próprio avaliador, a sua baixa estatura. Hoje diariamente faço trabalho psicológico para q siga em frente.

  4. João Inácio disse:

    Quando eu me deparo com este tipo de notícia, que infelizmente é rotineira, só reafirma o que eu penso, quando o assunto é categoria de base, falta conhecimento por parte dos profissionais responsáveis. Quando vemos jogadores como: Messi (1,70cm), Hazard (1,73), Philipe Coutinho (1,71), Iniesta (1,71), Kanté (1,69), Mertens (1,69), Insigne (1,63), Rafael Sobis (1,72), Guerra (1,69), Sornoza (1,66), Jadson (1,68), Cueva (1,69), Montillo (1,69), Cazares (1,71), Otero (1,70)… será que não tem algo errado em quem avalia?

  5. Foto de perfil de Marcelo Marcelo disse:

    Esse texto só deixa claro que é preciso uma formação dos profissionais que avaliam, não e por que fui um jogador profissional que tenho capacidade de avaliar um atleta. Avaliar um atleta vai muito além do seu biótipo:
    qualidades físicas
    • Resistência
    • Coordenação
    • Recuperação
    • Velocidade de deslocamento
    Qualidades psicológicas
    • Sociabilidade
    • Liderança
    • Combatividade
    • Persistência
    Se ceguíssimos esse modelo de avaliação sem formação técnica e científica estaríamos condenando grandes talentos ao fracasso, onde estariam os Romários e os Bebeto do futebol brasileiro.
    Mas entendo que para determinadas posições tem que se levar em conta o biótipo ( zagueiros e goleiros).

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