Universidade do Futebol

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13/05/2018

(Re) Estruturando o modelo de formação – Parte 1

A importância dos diferentes formatos de jogo (futebol de 3, 5 e 7) na formação do futebolista

Nos últimos dias andei conversando com algumas pessoas sobre a iniciação no futebol, mas uma em particular me chamou bastante a atenção. Um amigo próximo, ex-jogador de futsal, me disse estar espantado, pois seu filho de 4 anos já está participando de campeonatos e se especializando em uma posição dentro da quadra! A comparação feita foi com ele próprio, dizendo que em sua época, com 4 anos, estava somente brincando na rua.

Continuei a conversa, pois se tratava de um tema muito interessante, e lhe disse que em Portugal o sub-7 joga 3×3 com golzinhos e sem goleiro. Não há campeonatos, muito menos posição fixa. O objetivo primordial é continuar desenvolvendo o gosto pelo jogo, de forma lúdica e recreativa.

O papo estava realmente agradável e por isso continuei dando alguns exemplos, como o da Europa (UEFA) que a partir do ano 2000introduziu o futebol de 7 como obrigatório para as categorias sub-10 e sub-12. Esta decisão contribuiu muito para uma melhor aprendizagem do jogo e uma formação mais eficaz, além de respeitar as diferentes fases de desenvolvimento do futebolista e servir de guia para os professores e treinadores.

Em seguida ele me fez a grande pergunta: e porquê aqui é diferente?

Bom, é óbvio que o futebol de 11 apresenta uma estrutura e um conjunto de situações muito complexas e incompatíveis para o desenvolvimento de uma criança ou de um jovem futebolista. Por isso, em 2016o ex-jogador de futebol e da seleção brasileira, Mauro Silva (atual vice-presidente de integração com atletas da Federação Paulista de Futebol), tomou a frente das ações para tentar modificar o formato de jogo do sub-11. A proposta era que em 2017, o campeonato paulista da categoria fosse realizado num campo menor (73x50m), com bolas e balizas adaptadas à idade e num formato de 9×9 incluindo os goleiros.

Pude perceber algum alívio da parte dele e por isso segui o raciocínio, dizendo que seria fundamental adaptar e adequar todo o contexto que envolve o jogo de futebol de acordo com as motivações e características dos jovens futebolistas. Ou seja, o jogo (futebol de 3, 5 e 7) praticado em campos com medidas e dimensões reduzidas reúne as melhores condições para o ensino e aprendizagem do futebol nos primeiros escalões de formação. Neste caso, é o jogo que se adapta à criança e não o contrário.

Resolvi então fazê-lo entrar no contexto! Imagine que você e teu filho estão na quadra da praça jogando basquete. O garoto vai arremessar um lance livre com uma bola oficial, estando à uma distância de 5 metros da cesta que se encontra à 3,05 metros do chão, com precisão e técnica adequadas?

Resposta: Em hipótese alguma!!!

Voltamos ao futebol e lhe disse que deveríamos pensar a respeito das dimensões da bola, do espaço de jogo, do tamanho da baliza, do número de jogadores e algumas adaptações às regras do jogo para cada escalão. Tudo isso precisa estar de acordo com os níveis físicos, fisiológicos e cognitivos do jovem futebolista. Do contrário, continuaremos observando partidas de distintas categorias em campos de futebol de 11 e nos deparando com situações nocivas como, por exemplo, quando um goleiro de 10 anos não alcança a bola após um chute, pois a bola foi muito alta e as dimensões da baliza não permitem intervenções adequadas.

Uma ideia de progressão mais adequada seria a inclusão do futebol de 3 para iniciantes (sub-7) e o futebol de 5 para sub-9 antes de chegar ao futebol de 7. Seguindo este exemplo que é bem parecido com modelos utilizados por países representativos no panorama europeu e de outros esportes coletivos, esta progressividade da relação entre o espaço de jogo e o número de jogadores contribuiria para uma melhor aprendizagem do jogo. Além disso, é um modelo que permite que cada jogador intervenha mais vezes, ou seja, aqueles que estão no jogo, realmente participam do jogo.

 

Comentários

  1. SIDNEY JAIRO ZABEU disse:

    Os parabenizo pela atitude e matéria. Já passou da hora de entendermos a prática e a formação de atletas de futebol com maior responsabilidade e, acima de tudo com conhecimento. Respeitar conceitos, processos pedagógicos e metodologias de acordo com a capacidade física (músculo – esquelética ) dos jovens praticantes, assim como a de assimilação de conteúdos e psicológica, na perspectiva de ensinar partindo do menos complexo para uma maior complexidade, respeitando as fases da aprendizagem desportiva e o desenvolvimento da sua maturação bio-psíquica desportiva. temos que modificar a nossa cultura desportiva/futebolística, principalmente, quando se trata de ministrar treinamentos para crianças e adolescentes. Onde se entende que basta haver habilidade técnica e potencial futebolístico na criança/adolescente que já, descobrimos uma fonte milionária de fazer dinheiro e resolver todos os problemas financeiros da família. é como se tivesse tirado o bilhete premiado da loteria.
    E, que muitas vezes essas idéias são aceitas pelos ministradores de treinamentos, principalmente, em escolinhas de futebol e, em, algumas vezes nas categorias de base. esquecendo e desconsiderando, que estamos trabalhando com seres humanos, os quais necessitam de encontrar e desfrutar do seu tempo para seguir adiante na sua prática. Necessitam passar e desenvolver essas fases de forma natural e no seu devido tempo. Evitando assim a “queima ” de etapas e possivelmente, a desistência da pratica esportiva/futebolística, em função de um a sobrecarga de conhecimento e treinamento físico, incompatível para a sua faixa etária e capacidade física , psicológica, maturação entre outros. A importância de conhecer o processo de pedagogia desportiva e respeitá-la é de fundamental importância no desenvolvimento humano. Iniciar o processo de esporte educacional, depois adaptação ao processo de esporte de rendimento e, finalmente, iniciar o de alto rendimento é fundamental para chegar ao caminho do sucesso. Se existe potencial esportivo é importante saber que campeões são feitos. Eles não nascem campeões!

    Uma vez mais, parabenizo a apresentação dessa matéria e ao gestor em apresentar uma proposta de Ensino-Aprendizagem e Treinamento compatível com o desenvolvimento humano dos praticantes, abominando o empirismo e o “achismo” muitas vezes presentes no dia a dia do esporte brasileiro, principalmente, no futebol.

    Abraço fraterno.

    Prof. Sidney Jairo Zabeu.

  2. Muito interessante o texto e também a contribuição do amigo Prof Sidney Jairo Zebeu. Parabéns!

  3. Leonardo Araujo disse:

    Excelente, essa ideia venho acompanhando e tentando implantar em várias aulas da escolinha, uma pena q os campeonatos não seja assim ainda.

  4. Fabio disse:

    Parabéns pelo texto e pelo comentários dos colegas. Na aprendizagem do futebol tem algo que deve estar as crianças praticamente o tempo todo, todos correm atrás se posiciona mas ela que ensina, que motiva que é o motivo para correr; ela é redonda e possui varias marcas e tamanhos mas quanto mais estiver com crianças melhor. Atividades divertidas com presença da bola a todo momento ensina muito mais, portanto 3×3 ou 5 x5 é melhor caminho para aprender se devertindo. Agora a regra e 11×11 e você é adulto mas não é atleta, prefere jogar um 5 x5 ? 7×7 ou 11×11? .

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