Universidade do Futebol

Colunas

29/03/2016

Reflexões sobre remuneração e promoção às comissões técnicas nas categorias de base

O técnico do sub-15 pode ser melhor remunerado do que o do sub-20? O auxiliar-técnico do sub-15 pode ser promovido para treinador do sub-17?

Alguns paradigmas demoram para serem quebrados no futebol. Um deles, sem dúvida, se refere às promoções e remunerações das comissões técnicas das categorias de base do futebol brasileiro.

Sob a perspectiva do crescimento vertical, quanto menor a categoria menor o salário do profissional. Outrossim, diz respeito ao crescimento dentro da instituição que, na grande maioria dos clubes, obedece uma progressão hierárquica sequencial. Sob este viés, um funcionário do clube que almeja chegar ao cargo de treinador da equipe sub-20 deve ter passagens como comandante das categorias menores. Exceções feitas às contratações.

Quem acompanha o mercado das categorias de base do país pode se certificar do que fora mencionado e, provavelmente, terá exemplos concretos de profissionais que vivenciaram ao menos uma destas situações.

O objetivo da coluna desta semana será trazer algumas reflexões sobre este modelo vigente, que se mal coordenado pode trazer impactos negativos importantes para toda a estrutura formativa do clube e, consequentemente, ao futebol profissional.

Logicamente não se pretende ignorar a complexidade dos elementos nos processos decisórios que envolvem as composições das comissões técnicas, tampouco desconsiderar o contexto técnico-político-administrativo que compreende cada clube e influencia as decisões. Pelo contrário, pretende-se trazer mais argumentos e ponderações para serem inseridos e debatidos pelos responsáveis por gerenciar as categorias de base dos clubes brasileiros.

Se, de fato, acreditamos no processo de formação, deveríamos relativizar a importância que se dá as diferentes categorias, do sub-11 ao sub-20. Pois, se de um lado o trabalho com a categoria mais velha é fundamental dada à proximidade e semelhança dos conteúdos em relação ao profissional, de outro, o trabalho com as categorias mais novas é indispensável para desenvolver o potencial cognitivo dos jovens jogadores. Quando se trata de formação, um trabalho de qualidade inferior a ideal em quaisquer etapas do processo traz consequências negativas significativas. Para exemplificar, se é praticamente consenso a queda de performance de Renato Augusto pela seleção brasileira (que tem recebido estímulos nos últimos meses de um futebol muito menos competitivo daquele que o levou à primeira convocação), o que dizer de um jovem de 15 anos recebendo maus estímulos ao longo de uma temporada inteira?

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Muitas vezes as diferenças de salário (que indiretamente estabelecem importância à função) entre os profissionais das categorias supracitadas são astronômicas. Desta forma, o clube corre o risco de estimular os treinadores de resultado. Sob um objetivo oculto de ser melhor remunerado, o treinador pode adotar a prática da vitória a qualquer custo, avessa a boa formação. Isso ocorre pois o treinador entende que uma das únicas formas de ser melhor remunerado pelo clube é subindo de categoria. Além disso, o cenário está montado para o pouco envolvimento dos profissionais inter-categorias. Afinal, o insucesso de uma categoria pode garantir a promoção do profissional da categoria imediatamente abaixo.

E é justamente sobre as promoções nas categorias de base que continuaremos as reflexões. Será que uma progressão sequencial é a melhor das alternativas para estimular um ambiente de melhoria contínua, produtividade e comprometimento com a instituição, maiores do que o envolvimento com uma única categoria?

Quais as justificativas para um profissional poder ser contratado no mercado para a categoria sub-17 mas um profissional do próprio clube, que exerce a função de auxiliar técnico da categoria sub-15, não poder ascender, desde que capacitado, diretamente para tal função?

Será que a promoção que privilegia uma ordem hierárquica não gera uma acomodação nos profissionais da instituição?

Esforço, dedicação, comprometimento, didática, planejamento e qualidade dos treinos são elementos que permitem análise e, minimamente, podem oferecer vantagem competitiva ao profissional que busca ascensão.

Para concluir, serão deixadas alternativas para os problemas apresentados. A primeira, que diz respeito à remuneração, sugere a definição de um piso para o cargo de treinador ou então qualquer outra função da área técnica de campo do clube. A partir dele, o salário será complementado em função de uma série de competências que o profissional pode possuir (curso de treinador, idioma, experiência como ex-atleta, graduação, especialização, mestrado, nível de jogo apresentado pela equipe, participação em congressos, etc.). Em linhas gerais, quanto mais competências o treinador possuir, melhor será a sua remuneração, independentemente da categoria.

Já em relação à promoção, sugere-se um acompanhamento detalhado da performance de cada um dos profissionais do clube ao longo da temporada. Para as categorias de base, o resultado de campo é apenas uma das variáveis que compõem as análises. Caso um profissional das categorias menores tenha se destacado o suficiente, vale a sua promoção. E tal promoção não está necessariamente relacionada à dispensa do outro profissional.

A evolução do futebol brasileiro pede mudanças em todos os seus segmentos. Na gestão das categorias de base estão muitas delas. Por um futebol sem “muros” entre as categorias, que privilegie a competência e com melhor distribuição dos recursos!

Aguardo a sua opinião…

Comentários

  1. Everton Faustino disse:

    Professor quem poderia propor um piso salarial para os Treinadores e Integrantes da Comissão Técnica das categorias de base? O sindicato ou as federações?
    Outro ponto este meio ainda é fechado, pois nem sempre quem tem formação acadêmica e cursos de especialização na área possuem credibilidade dentro dos clubes.
    Uma vez deixei de receber uma oportunidade dentro de um clube por não ter sido jogador profissional e também pela pouca idade na época. Mesmo assim ainda acredito que terei a minha oportunidade e procurarei fazer a diferença quando estiver com os meus atletas e comissão técnica.

    • Eduardo Barros disse:

      Everton, penso que o piso salarial deve ser estabelecido por cada clube. As realidades econômicas e estruturais das centenas de clubes espalhados pelo país são muito diferentes. Sobre a formação acadêmica e especializações, já existe um bom número de clubes e profissionais que valorizam essas capacitações. Temos bons exemplos, inclusive, nos principais clubes do país. Abraços e obrigado pela mensagem.

  2. DIOGO SANTOS disse:

    Muito bom Eduardo!
    Esta é uma ideia que tenho desde a época da faculdade. E curiosamente, na última semana, estive conversando exatamente sobre isso com o Assistente Social do clube onde trabalho. Confesso que fiquei um pouco espantado, pois o texto é quase uma cópia da conversa da última semana!

    Bom trabalho

    • Eduardo Barros disse:

      Olá, Diogo! Fico feliz que tem conseguido abrir esta discussão no clube que trabalha. Quanto mais pessoas refletirem sobre os paradigmas do nosso futebol, maiores as possibilidades de mudança. Obrigado e parabéns! Abraços

  3. … Concordo no que tange a mudanças profundas na estrutura lógica e operacional do futebol. Acredito também, que a passos curtos caminhando para o entendimento de novos meios de soluções guiados pela compreensão das alterações, comportamentais, contextuais, ambientais, financeiras, pedagógicas… Neste rumo caro E. B., talvez eu seja um insano a perspectivar, contudo acredito, que devemos nos direcionar a uma estrutura organizacional mais ampla e integrada também em relação aos procedimentos dos treinadores na formação de futebolística. A divisão de trabalho (categorias) não pode restringir os profissionais a apropriações totalmente especificas. Logo, vejo como mais importante no futuro uma construção interdisciplinar e transdisciplinaridade na relação das comissões das diferentes etapas, uma integração do processo de formação e integração de trabalho… (Cada profissional dentro de suas características e habilidades especificas pode auxiliar na formação de outros planejamentos e até mesmo auxiliar de forma impar os trabalhos realizados, não sendo especifico a uma só etapa…mas pelo processo completo e continuo que é a orientação temporal da cultura esportiva) Cabe ainda, ressaltar que esta visão não acaba com a especialização predominante de cada profissional em suas categorias… mas, sim, incita a formação de uma estrutura de profissionais que atuem coletivamente para um melhor quadro de formação para o clube. Respondendo a isso, a criação de um piso salarial justo as capacitações, competências e responsabilidades… Da promoção, que a mesma se faça a medida em que as ações gerais e conhecimento do todo (processo de formação e gestão de futebolistas) seja efetivo, e que o profissional apresente competências e facilidade a data etapa da formação (sem contudo que deixe a perspectiva e responsabilidade ampla do processo), assumindo o cargo de coordenador/treinador responsável por uma etapa da formação. Assim, mais importante que mantermos a cultura de atingir o topo (a equipe profissional ou mais próxima disso), faz-se fundamental que o clube enxergue junto a seus formadores futebolísticos que cada etapa, estágio e categoria é um topo de excelência profissional que deve se almejado e em contrapartida, que recebam a visualização, valorização, remuneração adequada. Deixo por fim a indagatória, de como estimular profissionais formadores esportivos a permanecerem na formação de base onde são diferenciais e competentes, sem que sejam motivados/necessitados a subirem de cargo (categoria) para ganhar mais?

    • Eduardo Barros disse:

      Olá, Elson!
      Concordo plenamente com suas considerações e afirmo que nas oportunidades que trabalhei com categorias de base e com certa autonomia sobre o processo, na função de coordenador técnico ou metodológico, as tentativas eram permanentes de integração e e envolvimento dos profissionais com o Todo que você mencionou. Sobre sua indagação, penso que o passo inicial foi explicado na própria coluna: melhor equivalência dos salários e a possibilidade de progressão não sequencial dentro da instituição. Abraços e obrigado pelo seus excelentes comentários!

  4. Valter Santos disse:

    Muito bom o texto.

  5. Excelente conteúdo.
    Sou treinador de goleiros e ainda estou em fase de qualificação, e na minha opinião, o que deveria ser feito com maior atenção, seria uma fiscalização mais apurada em cima de pessoas que atuam em clubes sem sequer ter passado por uma sala de aula de faculdade, pois esses “profissionais“ são aqueles que se contentam com muito pouco desvalorizando aqueles que estudaram e se qualificaram.

  6. sebastião melo disse:

    Nao sou um treinador, mas tenho um projeto social aonde trabalho com 100 crianças de 8 aos 18 anos sei qto é sacrificou para treinador de base fazer seu trabalho, principalmente em clube que não dão estrutura necessária para o trabalho do profissional, sendo quando a revelação de atleta sempre é lembrado uma categoria. Devem ser mais respeito o profissional. Na nossa escolinha de futebol revelamos mais de 10 atletas para os clubes da nossa capital, porém nunca fomos ajudados por esses clubes,

  7. ronaldjose disse:

    so queria uma chance nesse clube mas infelizmente nao tem muitas peneiras em manaus mas to aqui rallando

  8. matheus jesus disse:

    Professor pode passar seu gmail por favor

  9. cristiano prestes de oliveira junior disse:

    Meu nome cristiano junior tenho 15 anos ,gostode jogar futebol sou zagueiro,meu sonho e ser um jogador de futebol.Moro em pelotas, estudo no adolfo fetter.sou uma pessoa que na hora de brincar eu brinco mais quando e para falar serio eu falo serio e so

  10. Delson disse:

    Bom dia sou Gabriel 15 anos bom d bola queria uma oportunidade moro no rio me indique para fazer um teste

  11. ricardo pagani disse:

    Caro amigo Edu barros, perfeito seu texto, mas coloco mais barreiras ai.
    Creio que a falta de etica entre os profissionais da categoria e um processo seletivo por vitorias ainda dificiculta a sequencia de um treinador e comissoa na base.
    Percebo que hj esta se criando uma.niva rivalidade, de queç fez curso especializaçao e os que nao fizeram ou se limitaram, e essa tao rivalidade acaba tb sendo um agravante.
    Mas por fim creio que temos exemplos de grandes gestoes de base ao profissional que podemos seguir e melhorar com esses modelos dentro d
    a nossa realidade.
    Grande abraço

  12. rommelaraujo disse:

    Belo artigo Professor Eduardo ! Acredito ser uma saída estabelecer um piso para remuneração dos profissionais de um modo geral. Culturalmente nós, preparadores de goleiros, somos o ´´quarto“ em uma real e compreensível hierarquia dentro de uma comissão técnica. Contudo este posicionamento não deveria ser utilizado como ´´base de cálculo“ para estabelecer a remuneração deste profissional e sim a sua importância técnica para uma equipe de futebol. Apesar de trabalhar com ´´apenas“4 ou 5 goleiros ( que é outro critério para estabelecer sua remuneração ), trabalhamos com um atleta de fundamental importância, onde tudo começa e que tem influência direta nos resultados de seus jogos. Outro ´´critério“ para se estabelecer a remuneração do preparador de goleiros é pagar a ´´metade“ do que ganha o PREPARADOR FÍSICO e que, por sua vez, ganha a ´´metade“ do que ganha o técnico da equipe e/ou um pouco menos. O estabelecimento de um piso poderia ser uma saída ! Abraços !

  13. Silverio dos santos oliveira neto disse:

    Prof:silverio sem a vocacao nao adianta trabalhar com futebol , deve ter um olhar coletivo , firmeza e saude mental equilibrada .o ganho deve ser muito bom , trabalhei na lusa em 1996 quando o profissional foi vice campea ganhei 80% dos jogos na categotia de base sou vocacionado espero um convite de responsabilidade e respeito .

  14. felipe martins ferreira disse:

    meu nome e felipe tenho 16 ano moro em tuparetama pernabuco gostaria que vc me emdicase um teste obrigado

  15. felipe martins ferreira disse:

    tenho muito talento meu nome e felipe jogo de atacante

  16. thierlliy disse:

    Nossa nunca fui em uma peneira…
    minha mãe não deixava eu ir ….
    hoje tou com 20 ano, e meu sonho é fazer uma peneira para tentar a sorte!!!

  17. Paulo Vasconcelos disse:

    Excelente texto, concordo plenamente com tudo, acho que precisamos ampliar este conceito, através de mudanças na forma geral do futebol de base, infelizmente não temos cursos de formação de treinadores, onde seria bem claro está proposta, acho que também, precisa tentar explorar está situação dentro das mídias, para o pequeno clube, entender e implementar este conceito, ele é o verdadeiro futebol, algumas equipes estruturadas já seguem este modelo ou similar, mas à maioria, nem conhece ou pensa em implementar, sou um grande admirador da universidade do futebol, gostei muito do seu pensamento, teoricamente perfeito, agora gostaria de uma melhor execução na prática, pra mim o mal do futebol brasileiro, além de toda má gestão, falta de organização, entre outros detalhes que já sabemos, um item pouco dito é a falta de entendimento do jogo, saber a diferença entre as equipes, pelo esquemas táticos, como funciona, as movimentações, as preparações para a partida, por que e como se ganhou ou perdeu um jogo, toda estas questões pela mídia especializada, não apenas justificar a arbitragem, a falta de vontade, a atuaçãode um jogador, o psicológico do atleta, isto que fazem, não tratam o futebol, como um jogo, esporte a competitivo, mas como entretenimento, isto mata o desporto em nosso país.. o que acha, professor Eduardo??

  18. ola sou weslley oliveira meu sonho e se jogador como de toda criaça mais ainda nao tive uma opotunidade. eu gostaria que essa chance viesse ate mim obg

  19. daniel disse:

    meu sonho e se jogador como de toda criaça mais ainda nao tive uma opotunidade. eu gostaria que essa chance viesse ate mim obg

  20. meu nome é antony tenho 13 anos e meu sonho é ser jogador de futebol mais não tive oportunidade de mostrar minha abilidade para um proficional mais gostaria de ter uma chancea se se interessar 081994910839

  21. João pedro disse:

    Pra min ser um jogador , folta uma oportunidade . quem puder me da essa oportunidade eu Agradeço que Deus abençoe você . meu numero 990385160

  22. Débora da silva Santos disse:

    Pra min ser um jogador , falta uma oportunidade . quem puder me da essa oportunidade eu Agradeço que Deus abençoe você . meu numero 954783339 . Meu grande sonho de ser jogadora , se alguém poder entrar em contato comigo Agradeço muito a deus !

  23. Leonardo G. S. Nascimento disse:

    Olá, Eduardo Barros , meu nome é Leonardo tenho 42 anos , estou no último ano da faculdade de educação física licenciatura.Meu objetivo é ingressar na área do futebol através da profissão de treinador , vou procurar cursos para qualificação e formação profissional , minha pergunta é , existe campo para se trabalhar no Brasil ? E no exterior também é possível ?

  24. jorge de sousa disse:

    ola meu nome e jorge tenho 16 anos queria té uma chance para joga mais vcs eu só zagueiro so também de amarante MA UMA cidade muita pequena aii não tem como fazer escolinha

  25. sheila disse:

    meu nome e richard mais meus amigos me chamao de rigol queria tentar ter pelomenos uma chase ai qual quer coisa so mi chama ta ai o numero 958866543

  26. sheila disse:

    richard eo meu filho

  27. Wesley disse:

    Oi meu nome é wesley minha posição é ponta atacante eu moro em Palmeira estou indo para São Paulo no fim do ano se poder deixar uma vaga pra vou te impressionar com a beleza do futebol meu numero 75 92187465

  28. rafael medina gonçalves disse:

    qual a diferencia de um atleta que inicia no futebol com uns 7 a 9 anos com um que esta ja quase sendo profissional 17 a 20 anos ? e qual a diferencia de trabalho de quem inicia e de quem ja esta acando suas categoria de base ?

  29. Alisson disse:

    Preciso de uma porta , sei que muitos jovens falam isso , mas realmente eu preciso , na minha cidade nao tem categoria de base , eu so consigo jogar com meus amigos , as escolinhas que tem aqui sao apenas para menores de 15 anos.
    tenho 15 anos , nasci em 2001 , nunca encontrei uma categoria para mim.
    Todos os meus amigos falam que eu jogo bem , meia atacante , as vezes jogo mais pelas laterais como meia esquerda , destro .
    Pontos fortes = velocidade e drible . Principalmente drible. Treino bastante .
    Só queria uma chance de mostrar o meu potencial , sei dele . Mas nunca tive a chance de mostra-lo . Nao espero que este texto me ajude , mas ele é para mim desabafar .
    obgd , ass = Alisson Peres

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