Seleção Brasileira Global ou Nacional?

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O título da coluna de hoje não visa analisar se a nossa seleção e, consequentemente, o futebol brasileiro permanece com destaque e respeito mundo afora. O objetivo central é mostrar os prós e contras de um panorama novo trazido com os dois jogos amistosos disputados pela seleção em excursão pela Oceania, contra a sua arquirrival Argentina e contra a equipe da casa Austrália.

Nos acostumamos a acompanhar a transmissão de jogos da seleção durante a últimas décadas pela TV Globo, seja em jogos oficiais, como também em qualquer amistoso. A Globo permanece com os direitos de transmissão dos grandes eventos que a seleção participa, como Eliminatórias da Copa do Mundo, a própria Copa do Mundo e Copa América. Porém, não havia adquirido os direitos desses amistosos na Oceania e, para surpresa do mercado em geral, não houve acordo entre a emissora e a CBF.

A confederação, por sua vez, ao não ficar satisfeita com a proposta apresentada pela Globo, resolveu abrir o seu leque e, de forma planejada ou por força do acaso, criou a primeira experiência da seleção brasileira utilizando um novo modelo de transmissão. A CBF comprou espaço na TV Brasil, além de ter acertado com a TV Cultura, UOL e Vivo. A transmissão ficou sob responsabilidade da própria confederação, através da CBF TV, incluindo a geração de imagens, narração e até mesmo comentários com a presença ilustre de Pelé.

Ainda é muito cedo para avaliar se a iniciativa foi positiva ou negativa. O fato dos jogos terem ocorrido no início da manhã em dias de semana e a seleção ter tido desfalques importantes, incluindo a grande estrela Neymar, impossibilitam o entendimento mais claro do tamanho da repercussão gerada.

Um fato é claro. A ausência da Globo, não somente durante a partida, mas também durante o noticiário pré e pós jogo, fez com que muitos torcedores nem soubessem que os jogos aconteceriam. A audiência, o alcance e também o costume da emissora trouxeram, de certa forma, um distanciamento entre a seleção e o seu usual torcedor. Se fosse um Brasil e Argentina jogado em alguma cidade brasileira, com a presença de todos os grandes craques, em um dia e horário comum ao existente, o barulho poderia ser diferente.

São muitas correntes opostas analisando esse fato. Uns que clamam pelo fim do predomínio da Globo em nosso futebol e outros que enxergam que é justamente a presença da emissora que enriquece o espetáculo, pela qualidade técnica de sua transmissão e pelo alcance inigualável da massa em todos os cantos do país.

Como qualquer fato novo, a discussão é válida. Apesar dos inúmeros erros e negócios obscuros realizados pela CBF durante as últimas décadas, culminando em seu completo descrédito, é justo dizer que a iniciativa embrionária foi corajosa e audaciosa. Mesmo se tudo retornar ao binômio Seleção Brasileira + Globo, a semente foi plantada para que todos saiam de sua zona de conforto e enxerguem que há um mundo novo e desconhecido a ser explorado.

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