Categorias
Conteúdo Udof>Artigos

Uma nova abordagem para o preparador físico

Caros amigos,

nas ultimas duas postagens publiquei um artigo do amigo Gilterlan Ferreira, preparador físico do Náutico Futebol Clube, que tive o prazer de conhecer no 2º Seminário de Futebol realizado no mês de setembro no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Entre vários assuntos, regados a alguns copos de café nos intervalos e boas risadas das histórias da bola por este Brasil, um tema foi constante: “A mudança de postura e funções dos preparadores físicos nas comissões técnicas”.

Nos parece que uma nova tendência vem surgindo para esta função. Porém, em hipótese alguma pensamos que ela será extinta. Muito pelo contrário, pode-se ter cada vez mais valor e importância deste profissional na contextualização do futebol e das comissões técnicas.

Se você é partidário da seguinte conclusão “Jogador joga, treinador treina e preparador físico prepara!”, acho melhor você parar de ler esta coluna.

Sem deixar de ser esta peça dentro da comissão, de ter responsabilidades pela condição física da equipe, apresentando qualidade e condições de atender a alta intensidade das partidas e da dureza de um campeonato, contribuindo para uma equipe forte fisicamente e com poucas lesões musculares. Tudo isto se soma a outros dois fatores:

1º) Ter qualidade de trabalho e atender as expectativas de treinador, clube e jogadores em um curto espaço de tempo na preparação.

2º) Com dois jogos na semana , é quase impossível treinar a equipe no meio do campeonato. Com isto, a pré-temporada ganha ainda mais importância na sua realização. Os trabalhos devam atender o modelo de jogo do treinador e suas especificidades.

Sendo assim, a preparação física ganha uma importância vital para o trabalho e com isto a figura, interação e o entendimento do profissional da preparação física ganha uma nova visibilidade e importância.

Em minha opinião, além de termos os testes físicos e clínicos de início de temporada, que darão condições de mensurar e projetar um início de trabalho, saliento a importância destes testes e retestes.

Não acredito em trabalho sem ponto inicial, sem um local de partida. Portanto, os testes apresentam uma radiografia, um norte de onde estamos, para onde podemos ir, ou vamos; quais recursos poderão ser utilizados e de que maneira faremos para atingir os resultados almejados para o período e ainda qualificarmos a equipe e ganharmos tempo para aprimorar o modelo de jogo pretendido pelo treinador no início do trabalho.
 

O Novo Preparador Físico do Futebol: faça agora mesmo o curso online da Universidade do Futebol. A primeira aula é grátis!

 

Sobre os retestes, minha posição é clara: temos que aplicar os mesmos da pré-temporada e que estes possam ser realizados durante a competição sem prejuízos físicos aos jogadores em meio à competição. Portanto, cuidado, clareza e bom senso nas escolhas dos testes para aproximarmos do ideal os resultados e qualificarmos nossas informações e dados. Dados que, quando bem coletados, não mentem, nos protegem e nos fazem ter a certeza de que não existe milagre. Existem, sim, é trabalho e conhecimento por parte destes profissionais.

Após deixar claro minha posição em relação aos testes, vou falar da sequência do trabalho. No momento, não acredito em outra alternativa: desde o início dos trabalhos deve haver a utilização de exercícios com bola que contemplem a intenção de jogo do treinador, a postura com e sem bola dos atletas, ambição da equipe e principalmente em nossa área, atividades que atendam à melhora da condição física. Exercícios que atinjam e contribuam para evolução da resistência, força e velocidade. Valências físicas pertinentes ao atleta de futebol.

Com esta postura, nós, preparadores físicos, precisamos buscar qualificação, entendimento, quebrar paradigmas, porque acredito que estamos de frente para uma nova situação e posição dentro das comissões técnicas. Talvez estejamos virando auxiliares ou, se preferirem, como já escutei, treinadores adjuntos. Sem sair de nosso quadrado, lembrando que existe um chefe de equipe e seu auxiliar principal e que nosso trabalho é de qualificar suas decisões.

Não percamos o norte! Independentemente de qual seja a terminologia dos preparadores físicos, teremos dados e informações muito preciosos aos treinadores principais. Poderemos realizar trabalhos nos quais os técnicos poderão observar e adiantar suas conclusões. Junto com auxiliares técnicos ganharemos tempo, deixaremos nossos trabalhos mais específicos – acredito que desta forma a possibilidade de erro diminui e a qualidade de trabalho e condição técnica, tática, física e de concentração da equipe melhora, cresce!

Portanto, a extinção dos preparadores físicos está longe de acontecer, porém, devemos estar atento às modificações que o mercado apresenta para contribuirmos mais para a qualificação do futebol de alto rendimento dentro das equipes.

Se você é partidário a este lema “Jogador joga, treinador treina e preparador prepara!”, estamos em outra vibração profissional. Talvez uma conversa ou um café possa aproximar nossas ideias…

Abraço a todos e até a próxima!

*Marcelo Duarte é preparador físico de futebol profissional com passagens por clubes como G.E. Sapucaiense, E.C. Cruzeiro/RS, Porto Alegre F.C. Riograndense F.C. Atualmente é Preparador Físico do Inter, de Santa Maria-RS.

No seu trabalho, utiliza técnicas e ferramentas da complexidade humana, coaching esportivo e comportamental para desenvolver valores, qualificar e elencar qualidades de suas equipes.

Contato: marcelo.duartesports@gmail.com www.twitter.com/tmarceloduarte