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Treinar para formar ou ganhar? A resposta não é tão simples

Crédito imagem: Renata Lufti

Uma discussão frequente entre os treinadores de base, seja aqui nos Estados Unidos ou ao redor do mundo, é se devemos priorizar a busca pelo resultado ou se devemos enfatizar o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Na era dos comentários nas mídias sociais, é interessante analisar como pais e treinadores opinam fortemente sobre esse tema.

Neste texto abordarei esse tema, levando em consideração a minha experiência como treinador de categorias de base em uma grande variedade de ambientes e países, minha formação acadêmica proveniente da graduação em Educação Física e interação com outros profissionais da área.

O erro da abordagem binária

Para começar, é preciso deixar claro que não necessariamente esse tópico deve ser abordado de forma binária, ou seja, treinar para ganhar ou para desenvolver não são polos opostos em que o treinador deve abraçar algum. No entanto, esses objetivos nem sempre andam juntos:  algumas decisões podem enfatizar algum objetivo específico. Para que as decisões tomadas pelos pais, treinadores e dirigentes sejam adequadas, é preciso analisar a própria realidade e sopesar as consequências de cada abordagem.

Contexto: objetivos dos pais e atletas

Frequentemente, ao abordarmos o futebol de base, o foco está nos jogadores de elite, mais precisamente nas equipes profissionais. Na prática, seja no Brasil ou no exterior, a maioria dos praticantes de futebol de base não se encontram nesse cenário. Enquanto o sonho de se tornar um atleta profissional talvez seja comum para muitos, esse não é o objetivo principal de todos os pais ao inscrever seus filhos em um clube, escola de futebol, projeto social, ou qualquer outra organização que permita a criança jogar regularmente. O desenvolvimento motor, cognitivo, psicossocial e socioafetivo podem ser alguns dos principais motivos pelos quais as crianças são inseridas em um contexto de treinamento esportivo. Na perspectiva de quem joga, que pode também praticar outras atividades, a motivação pode ser simplesmente se divertir, buscar uma boa forma física, estar próximo de algum amigo ou até mesmo o prazer pela competição e pelo “estado de jogo”. Assim, além da própria filosofia do treinador nessa discussão entre treinar para ganhar ou desenvolver, é importante considerar o meio em que se encontra, e os objetivos de quem joga e de seus respectivos familiares. 

Formar para a vida ou para o futebol?

Esse não será o tema central deste artigo, mas vale a pena ressaltar que ao se discutir os objetivos do treinamento, quando nos referimos a “formação”, essa pode ser estritamente esportiva ou estar ligada à constituição de um cidadão íntegro, responsável e crítico, capaz de lidar com os pormenores da vida e de repensar o meio em que vive. Assim, ao se discutir treinar “para formar”, é importante compreender o que esse termo significa para cada um.

Note que essas definições do formar, não são antagônicas e que o esporte não precisa ter um fim em si mesmo, ou seja, em um projeto pedagógico, a formação esportiva pode acompanhar a formação pessoal, qualificando ainda mais o processo de ensino-aprendizagem.

Métodos e estilo de jogo

Os métodos empregados durante o treinamento e o estilo de jogo serão frequentemente os primeiros itens a serem discutidos em relação à formação ou ao desenvolvimento. Por exemplo, nos Estados Unidos, país onde moro, tradicionalmente existe um estilo de jogo muito direto, possivelmente por influência histórica de outros esportes como o futebol americano. Talvez por conta disso, grande parte dos treinadores de outros países que aqui trabalham (e são muitos, com predominância de europeus) se baseiam na ideia de que para desenvolver jogadores é necessário um estilo de jogo de posse de bola, com saída de jogo desde a própria meta.

Já ouvi de diversos treinadores: “eu não me importo de perder todos os jogos, o que quero é desenvolver meus jogadores. Então, nunca damos um chutão, sempre saímos jogando de trás”. A premissa parece louvável, porém existem muitas “armadilhas” frequentemente associadas nesse processo. Entre elas:

  • Desenvolver essa saída de jogo e todo o treinamento através de funções específicas: enquanto treinos “específicos” para uma função frequentemente são percebidos por pais como algo relacionado a uma metodologia eficaz de treinamento, corre-se o risco de incorrer em uma especialização precoce durante o processo de formação, limitando o desenvolvimento dos jogadores.
  • Sempre sair jogando da mesma forma tira dos atletas parte do poder de leitura do jogo e da tomada de decisão, limitando assim o desenvolvimento.
  • Na bola curta, alguns jogadores farão muitas repetições enquanto que os jogadores mais distantes quase não participarão do jogo, de modo que não serão estimulados a lidar com a bola chegando de outras formas ou distâncias.

Ou seja, mesmo quando um treinador diz que “treina para desenvolver”, é necessário cuidado para ter certeza de que os métodos empregados realmente atendam aos requerimentos das janelas de aprendizagem, por exemplo apresentando alta variabilidade durante período iniciais da formação.

Motivação e escolha das competições

No item anterior, afirmamos que alguns treinadores não se importavam em perder, pois buscavam o desenvolvimento dos jogadores. E os jogadores? Será que entendem que a derrota é um preço a ser pago para o “desenvolvimento”?

Mesmo que equipes tenham jogadores determinados a buscar o profissionalismo no esporte, para a grande maioria dos atletas, a carreira irá acabar antes de chegar à idade adulta. Então, vale a pena deixar de ganhar para “desenvolver”, para uma carreira que não irá existir para a maioria dos jogadores?  Além disso, quais os efeitos dos resultados na relação do jogador com o esporte, e as consequências dessa relação para a permanência no esporte? Será que a derrota reduz a motivação e afasta os praticantes da modalidade?

As próprias crianças, no futebol de rua, frequentemente mudam as regras ou times buscando partidas equilibradas para manter a motivação de todos. Acostumar-se com a vitória ou com a derrota pode ser desestimulante.

O nível e frequência das competições escolhidas também pode ter um peso grande na forma de treinar a equipe e na relação do atleta com o esporte. Em alguns casos, fica a critério dos treinadores ou dirigentes determinarem em quais ligas e divisões deverão participar. Uma divisão muito difícil pode gerar pressão para alcançar resultados e afetar o treinamento da equipe de forma que se busque “atalhos” para conseguir bons resultados, mas que possam afetar negativamente o desenvolvimento. Por outro lado, uma divisão muito fácil pode afetar o desenvolvimento de certas valências e ajudar a criar “hábitos ruins” nos atletas.

Desenvolvimento do time vs desenvolvimento do indivíduo

Ao começar o trabalho em uma nova equipe e sabendo que está por vir um torneio importante, é compreensível que o foco esteja na organização da equipe, buscando otimizar os processos durante o jogo para a busca de resultados. Nesse processo de organização tática, os jogadores irão se desenvolver, já que deverão aprender as funções necessárias para colocar o plano tático em prática. Mas esse desenvolvimento será limitado às funções que o atleta terá que desempenhar. Ao se pensar no desenvolvimento do atleta, na maioria das vezes, a atenção irá para os “fundamentos” do futebol, ou seja, ações técnicas com a bola.

Já os princípios de jogo (por exemplo, amplitude, profundidade, penetração etc.) também têm sido enfatizados por muitos treinadores, geralmente na perspectiva do trabalho de aspectos táticos da equipe (por exemplo, como mudar o lado do ataque, compactar-se defensivamente etc.). No entanto, poucos trabalhos enfatizam as táticas individuais e de grupo, que podem ajudar na resolução de inúmeros problemas de jogo, aumentando a autonomia e a efetividade dos jogadores, sem a dependência de uma certa formação ou estilo de jogo.

O resultado é um desequilíbrio na formação dos jogadores: as táticas de equipe, e técnicas individuais são muito mais trabalhadas do que as táticas individuais e de grupo.

Considerando a minha experiência no futsal de alto nível, onde as táticas individuais e de grupo são em geral muito trabalhadas, ou pelo menos requisitadas, não consigo deixar de assistir um jogo de futebol sem prestar atenção em como tantos jogadores têm dificuldades em solucionar problemas do jogo sem depender exclusivamente de capacidades físicas ou técnicas.  Ao treinar equipes competitivas com jogadores entre 15 e 17 anos, que estão a quase 10 anos competindo no esporte, é difícil aceitar que não estejam familiarizados ou que não tenham desenvolvido de forma ótima algumas capacidades táticas individuais, como, por exemplo, fixar um defensor, flutuar na marcação, fechar linhas de passe ou temporizar ofensivamente.  

O que muitas vezes acontece, é que trabalhar a compreensão da lógica do jogo, o desenvolvimento da criatividade e a solução de problemas através de táticas individuais ou de grupo, sem dúvida não produz resultados tão rápidos quanto a organização da equipe. Assim sendo, trabalhar priorizando o desenvolvimento do individuo se enquadraria em treinar para “formar” muito mais do que treinar “para ganhar”.

Gestão da equipe

Vamos agora mudar o foco da discussão técnico-tática para abordar o tema a partir de outras perspectivas, começando pelo gerenciamento de uma equipe, clube ou associação. A gestão engloba uma variedade de aspectos, como o manejo das substituições e até mesmo a aplicação de sanções disciplinares, que podem elucidar uma clara diferença entre treinar para ganhar ou para desenvolver. Nesse sentido, somente utilizar os melhores jogadores durante as partidas e deixar de aplicar uma ação disciplinar em razão da importância de um jogador são exemplos da prioridade na busca de resultados imediatos em competições.

Autonomia, resiliência e capacidade de investigação

É fundamental desenvolver nos jogadores as capacidades de investigação, resiliência e autonomia, as quais podem, a longo prazo, ajudar as equipes a ganharem os jogos e a manterem uma coesão grupal. No entanto, os efeitos imediatos dessas capacidades tendem a ser menores do que o foco na organização e no modelo de jogo da equipe. Considerando que muitas vezes o treinador possui poucas horas na semana, é comum que a prioridade seja otimizar o desenvolvimento físico, técnico e tático. Assim, temos outro exemplo em focar no jogador ao invés da equipe, poderia ser apontado como fator mais relacionados ao desenvolvimento do que a busca de resultados (pelo menos a curto prazo).

Capitalismo, Pagar para jogar e Categorias de Base

Não podemos deixar de considerar o capitalismo dentro dessa temática. Sob a ótica dos treinadores, os que têm o futebol como “ganha pão” precisam ter como objetivo central a manutenção do emprego ou a ascensão profissional. Muito frequentemente, serão os resultados a curto prazo o elemento principal pelo qual um treinador será avaliado. É evidente que cada cenário carrega suas particularidades, mas a situação de cada treinador interfere em suas prioridades e decisões. 

Sob a ótica do “sistema”, considerando as situações em que os jogadores pagam para treinar, precisamos considerar que escolas (ou clubes) de futebol concorrem umas com as outras, e que, por vezes, agradar o cliente para a sua retenção pode afetar negativamente o processo de formação. Assim, na perspectiva do “cliente” que paga para jogar, as decisões muitas vezes podem ser tomadas de acordo com a prioridade de se atender ao cliente, o que pode deixar ainda mais complexo o processo de decisão.

Nas categorias de base, onde atletas não pagam para treinar, e muitas vezes recebem auxílio financeiro, em geral o treinador não tem tanta pressão em “agradar o cliente”, ficando em geral esse tipo de pressão ligada aos casos de jogadores de muito destaque, que o clube não queira perder. Mas a pressão sobre a comissão técnica por resultados muitas vezes continua presente, e no curto prazo pode se sobressair a um histórico de formação de jogadores, para o time profissional ou para transferências futuras.

Conclusão

“Treinar para ganhar ou para desenvolver” é, certamente, uma discussão complexa, que pode ser analisada sobre uma infinidade de perspectivas. Neste texto, citamos alguns exemplos de assuntos pertinentes ao tema, ressaltando que muitos outros aspectos que não foram aqui citados, podem também influenciar decisões relacionadas à balança do “treinar para formar” versus “treinar para vencer”. Esperamos que este breve texto possa ajudar os envolvidos, sejam jogadores, pais, treinadores ou diretores, a refletirem sobre a complexidade do assunto e a buscar uma visão ampla do próprio ambiente de trabalho e do cenário em que se encontram, para que possam participar desse processo (seja em uma posição de liderança ou não), de maneira coerente com os objetivos e necessidades dos envolvidos.

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Táticas: restringem ou potencializam as tomadas de decisão? – Parte Final

Créditos imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Nesta terceira e última parte (Clique aqui para acessar a primeira parte ou aqui para a segunda parte), darei continuidade às discussões acerca da influência da tática nas tomadas de decisão, analisando uma outra possível abordagem do desenvolvimento tático na formação de um jogador, além de apresentar minhas conclusões sobre esse tema tão polêmico.

Princípios Táticos na Formação de um Jogador

Nessa parte, iremos discutir a formação do jogador de futebol através do desenvolvimento dos princípios táticos, usando como estratégias pedagógicas jogos condicionados e uma variedade de táticas individuais e de grupo.

Entenda por “princípios táticos” o resultado de décadas de estudos da pedagogia do esporte procurando compreender a lógica do jogo. Para Castelo (1994), citado por Costa et al. (2011), os princípios táticos são a tradução teórica a propósito da lógica do jogo, em que se busca operacionalizar os comportamentos técnico-táticos dos jogadores. Por isso, os jogadores precisam conhecê-los e saber como usá-los.

Diferentes princípios táticos, de acordo com o Glossário do Futebol Brasileiro (Fonte: CBF Academy, 2020).

Para que esses princípios possam ser compreendidos e desenvolvidos, uma opção de aprendizagem são os jogos condicionados, que envolvem atividades com mudanças nas regras (alterando o tamanho do campo, posicionamento e número de jogadores, gols etc.), procurando criar desafios para que os jogadores possam resolver os problemas do jogo (BALZANO, 2012).

Também é possível desenvolver princípios táticos específicos, através das táticas de grupo e individual, a partir do entendimento das mesmas como expressões do jogo, buscando soluções ótimas para desafios que se repetem em termos de lógica, dentro da variabilidade infinita do jogo. 

Dois exemplos de táticas individuais são a antecipação defensiva, no qual o defensor se antecipa ao atacante adversário a fim de interceptar a bola, e a antecipação ofensiva, que geralmente ocorre durante um cruzamento, no qual o atacante se antecipa ao defensor para tentar finalizar ao gol do oponente.

Para enriquecer o repertório e a criatividade dos jogadores, pode-se incluir no processo de ensino-aprendizagem características tanto da cultura brasileira, quanto de outras modalidades esportivas, especialmente o futsal.

Por exemplo, para fugir da marcação, pode-se ensinar uma movimentação típica do futsal conhecida como “dar o gato”, em que o jogador realiza rápidas mudanças de direção para criar espaço para receber a bola.

Ao pensar em táticas de grupo e combinações tradicionais como o “toca e vai” (também conhecida como “um, dois” ou “passe de parede”), pode-se adicionar variações a partir dos conceitos por trás de jogadas típicas do futsal, como os da paralela e da diagonal, para ajudar a desenvolver a capacidade de percepção das ações e as possibilidades da tomada de decisão dos jogadores (Antonelli, 2018).

Figura 2. Dentro de um modelo tático, os jogadores podem se utilizar da sua capacidade de leitura de jogo e realizar diferentes combinações para ludibriar a marcação adversária. Fonte (Antonelli, 2018).

Cada tática de grupo exigirá dos jogadores uma série de táticas individuais para serem aplicadas com eficiência. Por exemplo, durante as combinações descritas acima, o jogador poderá também decidir individualmente se faz uma corrida mais longa quando o marcador for ultrapassado ou curta com parada brusca quando o marcador se afastar (Balzano, 2020), proporcionando assim outras formas de realizar a conexão.

Para Santana (2019), as táticas individuais são uma forma de expressão da autonomia dos jogadores e representam um recurso importante na resolução dos problemas do jogo.

Dentro dessa perspectiva de adicionar elementos para o processo de leitura, tomada de decisão e execução das respostas, as táticas de grupo e individuais podem ser usadas como catalizadoras da tomada de decisão, desenvolvimento cognitivo e motor, permitindo ao jogador excelência na resolução dos problemas do jogo, podendo ser aplicadas em qualquer esquema tático e, assim, ajudando a formar um jogador “criativo”. Nessa perspectiva, um jogador com uma formação rica de estímulos que permita compreender a lógica do jogo será capaz de executar soluções eficientes dentro do universo “micro” do mesmo. E em momentos posteriores da sua formação, quando as capacidades cognitivas estiverem mais desenvolvidas, será possível aprender com maiores detalhes os esquemas táticos e as funções que irá desempenhar dentro dos modelos de jogo modernos.

Conclusões

Afinal, as táticas restringem ou ampliam as tomadas de decisão? As táticas podem tanto restringir quanto ampliar as capacidades de decisão dos jogadores. A questão não é buscar uma visão dualista e considerá-las como “boas” ou “ruins”, mas compreender o universo tático e as implicações de diferentes abordagens (didáticas-metodológicas), seja na formação de um jogador ou no aprimoramento do atleta em idade adulta.  A forma como o treinador entende, desenvolve e possivelmente exige a aplicação de cada tática pode torná-la mais restritiva ou abrangente.   

É preciso tomar cuidado para não as usar de forma a restringir o desenvolvimento de jogadores durante a sua formação, através de uma especialização precoce de “posição e função”, ou ao exigir que certas táticas (sejam elas individuais, de grupo ou coletivas) sejam utilizadas sem a compreensão das mesmas, o que pode acarretar em uma utilização fora do contexto mais apropriado.  Por outro lado, uma abordagem tática intencional e organizada, que considere os diferentes estágios de desenvolvimento, pode ajudar a desenvolver jogadores que sejam capazes de compreender e seguir esquemas e desempenhar funções específicas, e também de serem criativos e efetivos dentro dos campos, podendo ter capacidade autônoma de responder aos inúmeros problemas que emergem durante o jogo.

Referências

Antonelli 2021: O Futebol Potencializado pelo Futsal. Disponível em: https://www.soccerpoweredbyfutsal.com/livros

Balzano 2012: Metodologia dos Jogos Condicionados para o Futsal e Educação Física Escolar. 1 ed. Várzea Paulista, SP.

Balzano 2020: Dois Um Brasil: Um Método Genuinamente Brasileiro. Fontoura.

Beuker, M. (2021). Thinking differently at AZ Alkmaar. Disponível em: https://trainingground.guru/articles/marijn-beuker-thinking-differently-with-az-alkmaar

Da Costa, I. T., da Silva, J. M. G., Greco, P. J., & Mesquita, I. (2009). Princípios táticos do jogo de futebol: conceitos e aplicação. Motriz. Journal of Physical Education. UNESP, 657-668.

Santana, W. (2019). Qual o maior legado para o futebol do jogador formado no futsal? Clique aqui para acessar.