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Palmeiras x Cristiano Ronaldo

Créditos da imagem: Reprodução/TNT Sports

O que o Palmeiras atual tem a ver com Cristiano Ronaldo? A nacionalidade do atacante do Manchester United é a mesma do treinador palmeirense… mas isso é irrelevante perto da grande e complexa reflexão que podemos fazer ao traçar um paralelo entre o atual estágio do bicampeão da Libertadores e o momento de carreira do ex-melhor do mundo.

Cristiano Ronaldo saiu do Real Madrid a peso de ouro para a Juventus da Itália. O objetivo da contratação era enfim ganhar novamente a Champions League. O time italiano batia na trave e havia a crença de que o atacante português era a peça que faltava para a tal mudança de patamar. Oras, se CR7 ganhava com o Real Madrid ele também faria a Juventus campeã…simples, não?! Só que não foi bem assim… o próprio retorno dele ao Manchester United foi cercado por expectativas parecidas…

A questão central é que Cristiano Ronaldo não conquistava as Champions para o Real Madrid. Era o Real que fazia o português conquistá-las. O clube era (e continua sendo) extremamente forte. A cultura vencedora alicerça o desempenho dentro de campo. A mentalidade focada em sucesso por trás de cada célula do clube espanhol embalava o que acontecia nas quatro linhas. CR7 era uma parte dessa engrenagem. Levá-lo para outro contexto não representa jamais a reprodução dos mesmos resultados. Gastar com jogadores, buscar ter os melhores, ajuda a ganhar títulos. Mas não é o mais determinante. O próprio PSG de Messi, Neymar e Mbappé simboliza bem essa questão…

E o que o Palmeiras tem a ver com tudo isso? Absolutamente tudo! A equipe palmeirense não tem os melhores jogadores. Não há um grande craque no time de Abel Ferreira. O Verdão não tem um centroavante como Gabigol. Ou um atacante tão completo como Hulk. Talvez Renato Augusto e Willian do Corinthians sejam melhores do que Zé Rafael e Gustavo Scarpa. Porém a engrenagem palmeirense dentro e fora de campo é disparada a melhor não só do Brasil como da América do Sul. E é isso que tem feito o clube tão vencedor!

Não há um só setor no Palmeiras que não seja profissional. As categorias de base são referência. Os departamentos médicos, de análise de desempenho, de marketing, jurídico etc, são de excelência. E isso impacta dentro de campo! Pode não parecer, mas tudo isso faz mais gols importantes do que um jogador que ganha dois milhões de reais por mês.

Não quero aqui pregar que o torcedor comemore, por exemplo, a chegada de um cientista do esporte ao invés de um craque renomado. Entretanto se faz necessário um olhar mais complexo para o que gera de fato conquistas duradouras e convincentes. O todo é maior do que a soma das partes. Ficaremos cada vez mais distantes das verdades por trás das vitórias enquanto buscarmos individualizar um jogo que é muito mais coletivo do que o onze contra onze nos noventa minutos…

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O palmeirense pode não comemorar. Mas o futebol sulamericano sim!

Crédito imagem: Fabio Menotti/Palmeiras

Sei que é demais pedir para o palmeirense comemorar a atuação contra o Chelsea na final do Mundial de Clubes. E está ok o torcedor ficar triste pelo segundo lugar. Torcedor torce! É passional. Tem que ser assim mesmo! Mas o desempenho do Palmeiras foi gigante. Imponente. Brigou sim de igual para igual com o poderoso campeão da Champions. Excelente alento para todo o futebol sulamericano.

A diferença econômica existe, é um indicador importantíssimo, mas não pode nunca ser um confortável limitador. Maior poderio financeiro e mais recursos para investir claro que trarão melhores jogadores. O elenco do Chelsea vale vinte vezes mais do que o do Palmeiras. Porém, insisto, que mais qualidade individual de um lado não deve significar para o outro pobreza de ideias, fraco jogo coletivo e um espírito derrotista e resignado. E foi possível enxergar nitidamente no Palmeiras de Abel Ferreira um bom plano de jogo, um comprometimento absurdo dos jogadores com e sem a bola e uma crença inquebrantável de que a vitória era possível.

Não podemos comparar cenários por conta de um jogo. Sim, a Premier League é infinitamente melhor do que o Brasileirão. A Champions League dá um banho em absolutamente tudo na Libertadores. Dentro e fora de campo. Mas essa final do Mundial de Clubes mostrou que os times sulamericanos não precisam ser tão diferentes dos europeus. Mesmo com muito menos dinheiro. No futebol globalizado de hoje, arrecadar menos não pode significar conceitos defasados, intensidade rasa e mentalidade de baixa performance. Parabéns Palmeiras! Você mostrou que o futebol da América do Sul sobrevive e compete!

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Palmeiras e o investimento na base

Crédito imagem: Reprodução/Palmeiras

O sucesso nunca é fundamentado em um único elemento. É a junção de algumas variáveis que compõe um sistema vencedor. No futebol isso é colocado à prova toda hora, pois trata-se de um jogo que é aleatório, imprevisível e caótico. Pode-se fazer tudo certo e mesmo assim o resultado positivo não aparecer. Sobretudo no curto prazo. A tendência natural, porém, é que no médio e longo prazo boas convicções, trabalho duro e foco no processo tragam vitórias convincentes.

O Palmeiras atual é um exemplo disso. Dentro desta reconstrução, o objetivo nunca foi ganhar a Libertadores novamente. Nas categorias de base, a meta não era ganhar a Copa São Paulo. No mercado, o foco não está em contratar os jogadores mais famosos e badalados do mundo. O olhar esteve, sim, sempre em criar uma cultura vencedora. Um sistema de processos e ações que paulatinamente aproximasse o clube do sucesso.

Meta de ser campeão todo time tem. A diferença está no modelo planejado e executado para chegar lá!

Sabe porque o Palmeiras nunca tinha vencido a Copinha? Porque nunca havia sido criada uma metodologia de trabalho na formação e o departamento de base nunca tinha recebido a atenção e os investimentos necessários. Para ir além da conquista de um campeonato, basta ver a quantidade de jogadores que o clube revela hoje e a quantidade que revelou em toda a história…

Ter um plano, acreditar nele, possuir humildade e sabedoria para em tempo real mensurar resultados e ir aparando arestas, mas sem sair da rota, não é para todo mundo. Todos querem ganhar não só no futebol, mas também na vida. Entretanto, poucos conseguem criar com paciência e persistência um meio consistente para atingir os fins. Tenha metas muito claras. Mas trabalhe arduamente para ser integrante ativo de um contexto que o aproxime de fato do sucesso.

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Canonização

O goleiro Marcos, grande ídolo do Palmeiras e campeão mundial em 2002 pela seleção brasileira, encerrou a carreira.

Parou o tempo para todos os que o admiravam, pelo que fazia dentro de campo, dentro da pequena área, mas também pelo que cativava aos que lhe rodeavam e conheciam fora dele.

Tempo congelado na figura rara, atualmente, de um jogador que se dedicou exclusivamente a um clube, tal qual um casamento à moda antiga, na alegria – foram tantas – e na tristeza – ao não aceitar o convite do Arsenal após ter sido campeão mundial e preferir a vida dura na Série B nacional.

Mas antes da outorga do status de santo, Marcos fora nominado beato, nos primórdios da carreira.

Teve grande escola com os goleiros Veloso e Sergio e, a partir disso, começou a operar seus milagres.

A beatificação, primeiro passo no processo de canonização para que alguém seja alçado ao status de santo, pressupõe algumas condições.

Uma Congregação para a Causa dos Santos é responsável por investigar sobre a vida, virtudes, martírio, fama de santidade ou milagres atribuídos a alguém.

Instaurado o processo, se ao nominado lhe são imputadas virtudes em grau heróico (fé, esperança, caridade, prudência, justiça, etc.), alcança o status de “Venerável”.

Ao se comprovar a prática de um milagre – cura inconteste frente à Ciência e à Medicina – a beatificação ocorre.

Quando se dá a verificação de um segundo milagre, o processo de canonização finda com a cerimônia, presidida pelo Papa, em que se dá o nome de Santo àquele que teve vida virtuosa e milagrosa.

Marcos, seguramente, passou por todo esse processo probatório de canonização, cuja veneração também se deu junto aos torcedores de clubes de todo o Brasil.

A festa realizada, na semana passada, foi digna de um grande ser humano – que vem antes do grande jogador de futebol – que, como se supõe dos Santos, serve de exemplo para muitos.

Tomando ao pé da letra o Código de Direito Canônico, nota-se a importância da figura do Santo na relação íntima com os fiéis quanto ao exemplo de vida e amparo às causas mundanas:

"Para fomentar a santificação do povo de Deus, a Igreja recomenda à veneração peculiar e filial dos fiéis a Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, que Jesus Cristo constituiu Mãe de todos os homens, e promove o verdadeiro e autêntico culto dos outros Santos, com cujo exemplo os fiéis se edificam e de cuja intercessão se valem."

Não ouvi falar, ainda, de como, oficialmente, se referem a este Santo, mas arrisco: São Marcos do Parque Antártica, o Bem-Aventurado e Bem-Humorado, Padroeiro das Defesas Milagrosas.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br