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Viagem peculiar

Fui a Manaus por uns dias, e acabei me deparando com algumas coisas muito curiosas, em especial no dia que fui fazer um pequeno city tour pela cidade.

Vale a visita. Manaus é uma cidade peculiar. Primeiramente porque é quase uma metrópole e fica no meio da floresta amazônica, o que por si só já dá diversos subsídios para a compreensão dessa peculiaridade. Um segundo fato é que o único jeito de chegar de carro por lá é indo até Belém, pegar uma balsa e subir o rio com ela por cerca de cinco dias. Isso também torna Manaus uma capital bastante peculiar.

Mais interessante, porém – pelo menos para aquilo que interessa essa coluna, é a relação entre a cidade e o futebol. Não há dúvidas de que o esporte desempenha um importante papel na cidade. O como que ele faz isso é que é passível de discussão.

Eu tenho o estranho costume de, sempre que possível, comprar, ou pedir, camisas de clubes de menor expressão nacional. Foi assim que minha coleção pôde contar com réplicas do uniforme do Francisco Beltrão – PR, Juventus-SP, Jabaquara-SP, ABC-RN, entre outras. Uma das minhas missões em Manaus era conseguir uma camisa de algum time de lá, embora eu já tivesse a do Nacional, eu acho. Talvez seja a do São Raimundo, não lembro bem. A minha preferência era por uma camisa do Fast, mas qualquer outra tava valendo.

Parei em uma loja de esportes grande e fui pesquisar. O vendedor falou ‘Time daqui? Tem nada não. ‘ E não tinha mesmo. Nada. Aliás, em Manaus quase não há resquício do futebol local. Futebol lá é com os times do RJ, em especial o Flamengo. Chega a impressionar. Tudo bem que a fase do Flamengo ajuda, mas o número de pessoas vestindo a camisa do clube e as bandeiras espalhadas por toda a cidade poderiam fazer um turista geograficamente mais desorientado acreditar que o Rio de Janeiro estava logo ali, assim como a África do Sul, que também é logo ali.

As razões para esse fenômeno são variadas, mas principalmente pela disseminação do clube nos anos 70 e 80 como força nacional e também pelo fato de lá o futebol ser essencialmente um produto televisivo. O futebol local, fora o Peladão que é outra história, quase inexiste.

Assim como inexistia a camisa do time de lá. O vendedor acabou me indicando uma outra loja, algumas quadras além, em que pude encontrar uma bela réplica da camisa do digníssimo Atlético Rio Negro Clube. O interessante é que a loja vendia um monte de camisas do mundo inteiro, tudo pirata, e colocava a marca de um patrocinador, o mesmo que no modelo adquirido estampava a camisa do Rio Negro. O patrocinador do Rio Negro era o mesmo que o patrocinador do Milan, do Flamengo, do Olympique e até da Seleção Italiana.

Basicamente, o cara aproveitou que era tudo pirata mesmo e estampou a marca de uma determinada empresa. Imagino que essa empresa tenha pago pra isso. E isso configura uma nova forma de patrocínio/marketing de emboscada jamais vista antes. Pelo menos eu não tinha visto. E, diga-se, é uma forma bastante peculiar. Assim como Manaus. Nada mais justo.

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Notas, muitas pequenas notas

Quatro, para ser mais preciso. Vamos a elas:

1-    Notícias cada vez mais freqüentes dão sinais de que a ampla oferta de crédito recente no mercado brasileiro começa a gerar problemas para a população de menor renda. Muitas dívidas aliadas à crescente inflação dos setores mais básicos de consumo, principalmente alimentação, implicam em dificuldades em continuar adimplente. Menos dinheiro disponível afeta, obviamente, o setor de recreação e lazer. Menos dinheiro disponível para o lazer, menos dinheiro disponível para o futebol. Não que isso vá ter um efeito devastador no futebol brasileiro, mas certamente afeta as projeções de crescimento do mercado para os próximos anos. E faz com que planos para estádios e afins fiquem sujeitos a possíveis revisões.

2-    Um importante jogador de um importante clube de futebol brasileiro disse em entrevista esses dias acreditar que o verdadeiro torcedor é aquele que vai ao estádio independente de tudo, que por vezes deixa de comprar comida para ir ao estádio, e que ele acha isso super bacana. Não, não é nada bacana. Não mesmo.

3-    Joan Laporta está se segurando por um fio na presidência do Barcelona. Dois anos atrás, quando o Barcelona ganhava tudo, ninguém ousaria questioná-lo. Quiçá o considerariam o melhor presidente do mundo. Depois de dois anos sem ganhar nada, a coisa mudou e a destituição do cargo parece iminente. São as maravilhas do regime associativo. Há quem goste. O Laporta, nesse momento, certamente odeia.

4-    Platini está encabeçando uma nova encruzilhada. A bola da vez é a busca pelo esfriamento do mercado de salários e transferências europeu, que cada vez mais ruma ao insustentável. Para isso, ele adotou a estratégia mais básica para esse tipo de controle, que é a instituição de um teto salarial para o futebol europeu. Historicamente, outras organizações, como a Football League até os anos 60, já adotaram essa prática. Nunca deu muito certo no mundo globalizado, uma vez que o futebol em geral é um mercado aberto. Teto salarial é bom pra ligas fechadas, como as americanas, por exemplo. Em ligas abertas, em que o mercado dos jogadores é amplo e não controlado, fica quase impossível instituir um teto salarial. Com um máximo de salário em um mercado, a tendência é que os jogadores busquem maiores salários em outras ligas. Caso instituíssem um teto no mercado inglês, por exemplo, os melhores jogadores se transfeririam para outros mercados que estivessem dispostos a arcar com maiores custos, como o espanhol. Fechando o mercado europeu como um todo, as portas estariam abertas para o oriente médio e, talvez, os Estados Unidos e México. Não por acaso, a Premier League já disse que é contra a idéia. O Platini está aproveitando que a França acabou de assumir a presidência do Conselho da União Européia para ver se consegue viabilizar politicamente o projeto. É uma medida meio batida e que dificilmente vai dar em alguma coisa. Mas se der, vai mudar muita coisa.

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Mais do mesmo

Mais uma publicação nacional, dessa vez uma mais especializada – a Exame – ressalta os avanços das classes econômicas do país. Mais precisamente, a última edição da revista apresenta algumas tendências de padrão de perfil dos novos consumidores que surgirão caso o momento econômico atravessado pelo país se consolide. Farei, aqui, uma breve análise do reflexo que cada um desses perfis pode ter no futuro do futebol nacional:
 
Tendência 1: O avanço das mulheres no mercado
 
A coisa boa: Gera um novo público para o futebol, que tende a exigir maiores condições de conforto e segurança, além de também atrair mais o público feminino. Na medida que clubes reconhecem o valor econômico desse público, eles devem criar mecanismos para atraí-lo, o que acaba sendo bom pra todo mundo. Além disso, o reflexo na venda de merchandising pode ser muito poderoso.
 
A coisa ruim: Com maior poder de decisão econômica familiar concentrado na mulher, o futebol arrisca perder o público jovem caso não ofereça condições de segurança necessárias, além de substituir o estádio por um outro passatempo em família mais cômodo. Além disso, possíveis conexões com jogadores ícones podem fortalecer o mercado externo e estagnar o mercado interno.
 
Tendência 2: Mais casais jovens sem filhos
 
A coisa boa: Casais novos tendem a ter mais dinheiro disponível para gastar com lazer. Entretanto, esse lazer precisa privilegiar o casal, e não os indivíduos, portanto precisa oferecer condições básicas, também, de segurança e conveniência. Além disso, a união com o clube pode ser mais uma maneira de expressar a união do casal e de criar uma identidade própria.
 
A coisa ruim: Sem filhos, não existe muito a necessidade de repassar tradições, um importante componente da cultura do futebol. Casais jovens sem filhos também são mais descompromissados e podem preferir uma viagem a um jogo de futebol. Caso o casal vá a um jogo e não goste da experiência, dificilmente eles voltarão ao estádio.
 
Tendência 3: Cresce o número de pessoas morando sozinhas
 
Coisa boa: Indivíduos com mais tempo livre, o que acarreta na busca por algum tipo de passatempo, e o futebol é um dos principais existentes. Sem responsabilidade, o solteiro pode ir a um jogo de futebol para confraternizar com os amigos, além de buscar maiores laços de aproximação com o clube, principalmente através da compra de produtos.
 
Coisa ruim: Como o indivíduo está teoricamente mais livre, ele pode buscar outras formas de entretenimento. Além disso, ao morar sozinho, o indivíduo concentra todos os seus custos, o que diminui a parcela que eventualmente pode ser utilizada para gastar com o futebol.
 
Tendência 4: Mais consumidores de meia-idade com alta renda
 
Coisa boa: Quanto mais velho, para o futebol, melhor. Quanto mais dinheiro, também. Se o futebol conseguir se aproximar, ganha não só a receita direta, mas também através de patrocínio e direitos de transmissão, além de outras parcerias.
 
Coisa ruim: Quanto mais dinheiro, mais opções para entretenimentos mais refinados. Quanto mais idade, também. E futebol não é uma coisa exatamente refinada.
 
Tendência 5: Uma vida mais longa e melhor
 
Coisa boa: Quanto mais velho, como dito acima, melhor. Afinal, depois de aposentados, sobra tempo e espaço para preocupações na cabeça das pessoas. Tempo e espaço que o futebol preenche muito bem.
 
Coisa ruim: Quanto mais velho, mais exigente a pessoa fica, principalmente com relação a conforto, comodidade e segurança. E, como se sabe, o futebol brasileiro dificilmente consegue oferecer isso.
 
O Brasil vai mudar. Mudará também o futebol?

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Os Conflitos da Copa do Mundo

Já existe no momento um certo movimento nacional em busca de estruturação para que a Copa do Mundo de 2014 possa ser realizada com sucesso no Brasil, apesar de até agora não haver nenhuma garantia maior que isso vai acontecer. A única coisa palpável até o momento é a palavra da FIFA, o que por si só não é certeza pra nada. Em 1998, o então presidente da FIFA, João Havelange, se reuniu com o primeiro ministro britânico, Tony Blair, e disse que era seu desejo pessoal que a Copa de 2006 fosse sediada na Inglaterra. A Copa de 2006, como bem se sabe, foi na Alemanha. Tudo bem que o presidente da FIFA era diferente e que o próprio cenário político interno da organização era outro, mas vale a menção como um alerta para a comoção que vem tomando conta do país.
 
Essa comoção é gerada, principalmente, por dois fatores. Primeiro por ser a Copa do Mundo considerada o maior evento global contemporâneo, o que faz com que qualquer lugar que a hospede seja visto, conhecido e destacado por quase todo o planeta. Para países como o Brasil, historicamente obcecado em se apresentar e ser reconhecido pelo mundo, a Copa é um prato cheio. O segundo fator que gera tanto burburinho em torno da possibilidade do país hospedar o evento é a própria constituição da sociedade brasileira, que nos idos tempos pós República Velha, teve o futebol como um dos principais pilares de construção da identidade nacional. Com esses dois fatores em mente, pode-se facilmente perceber que não foi à toa que já em 1950 a Copa do Mundo foi utilizada para disseminar para todo o planeta a idéia do Brasil-Potência, e que também não é por acaso que a possibilidade real de o país sediar o evento já gere tanta discussão, e discórdia, mesmo estando ele a sete anos de distância.
 
Passada a Copa do Mundo de 50, o Estado brasileiro passou a investir pesado na criação de uma estrutura nacional para a prática do futebol. Foi aí, mais precisamente nas décadas de 60 e 70, que houve um boom na proliferação de estádios por todo o país, sem que houvesse necessariamente um estudo de sustentabilidade do investimento. Ao somar o populismo da ocasião com uma certa demanda momentânea pelas praças esportivas, o resultado foi uma previsível superestruturação do futebol brasileiro. Construiu-se muito para pouco. O Estado entregou uma mansão para quem deveria ter ganhado uma kitnet. A partir disso, não foi nenhuma surpresa que os estádios brasileiros tenham ficado abandonados ou bastante subutilizados, o que colabora de maneira crucial para o baixo desenvolvimento da indústria do futebol nacional.
 
Quando se pensa em hospedar uma Copa do Mundo no Brasil, é preciso definir exatamente qual a linha de pensamento que será seguida: ou uma linha que se preocupa com a estrutura e o evento esportivo em si mesmo, ou uma outra linha que entende a Copa como um evento crucial para a afirmação mundial da sociedade brasileira, que, portanto, é assunto e objeto de todos inseridos no sistema democrático vigente.
 
Na linha esportiva, o ideal é que a racionalidade seja a maior direcionadora do processo decisório. As instalações a serem utilizadas devem obedecer a critérios que busquem a otimização dos espaços, a redução dos recursos empregados, a minimização dos riscos e a sustentabilidade do projeto como um todo. Dessa forma, o melhor seria utilizar estruturas que já ofereçam condições mínimas de sediar um evento e que demandem poucas mudanças, que eventualmente devem ser bancadas exclusivamente pelo setor privado. O problema, claro, é que reduzirá o apelo popular que as grandes inovações sempre atraem, além de jogar o nível da Copa para aquele que o Brasil de fato pode oferecer, que não é muito alto. Como resultado, têm-se instalações medianas, pra dizer muito, mas adequadas ao tamanho do mercado do futebol brasileiro.
 
Por outro lado, caso se busque na Copa do Mundo a afirmação do Brasil como nação super-desenvolvida, na mesma premissa da Copa de 1950, os projetos tenderão a ser maiores e pensados de forma efêmera, ou seja, com a sua utilização pautada exclusivamente para atender aos anseios de um evento de tamanho porte, e não com aquilo que virá depois. Aí sim, dentro desse contexto, o Estado pode colocar os tanques na rua para garantir a segurança, fazer alianças com movimentos sociais potencialmente perigosos e assim por diante, de modo que durante o um mês de Copa do Mundo, o Brasil consiga se maquiar para os olhares externos da maneira que bem lhe apetecer. É dentro dessa filosofia que se pode defender os projetos megalomaníacos, com estádios para tudo e para todos, e financiados pelo poder público, uma vez que possuem um fim político e não necessariamente financeiro. Aí sim se justifica um estádio novo, neutro e democrático, feito não para um time, mas para todos. Mesmo que ninguém venha o utilizar posteriormente.
 
Para clarificar esse conflito filosófico existente na estruturação para a Copa do Mundo, basta recorrer aos números. Historicamente, a média de público de um Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão fica entre 10 e 15 mil pessoas. Em jogos da seleção brasileira no Brasil, a média sobe pra mais de 40 mil.Ou seja, por uma análise bastante superficial – porém lógica e apropriada -, se um estádio for feito pra Seleção jogar na Copa, assumindo assim um caráter público, ele deve ser erguido pensando em 40 mil lugares. Se ele for feito para servir o futebol brasileiro, assumindo então um caráter privado deve-se reduzir o seu tamanho pela metade.
 
Independente de qual for a escolha a ser seguida, é preciso que haja um comprometimento de todos em prol de uma concordância nas ações a serem tomadas. É uma excelente oportunidade para o país aprender a se portar como uma sociedade coesa, justa e racional. A Copa do Mundo é, de fato, um grande momento para se abrir as portas do país para a comunidade internacional. Entretanto, caso todas as partes envolvidas tentem aproveitar o momento para se beneficiar individualmente sem se importar muito com algum possível bem maior, o evento acabará trazendo diversos malefícios para si e outros com os quais todos da sociedade brasileira terão que arcar futuramente.
 
Infelizmente, já existem indícios de que este último cenário será o mais provável.
Sediar a Copa do Mundo de 2014 pode, enfim, mostrar ao mundo aquilo que verdadeiramente somos.

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O Lemão e o Futebol

O Lemão e o Futebol
 
Como você bem deve saber, e eu sei que você sabe, o Big Brother Brasil acabou nesta terça-feira, com a vitória do Diego, vulgo Alemão.
 
Eu assisti, e é bem provável que você também tenha assistido.
Não precisa ficar com vergonha, pode admitir.
 
Você também não era o único.
 
Afinal de contas, de acordo com o Ibope, aproximadamente 70% dos televisores estavam ligados no programa pra ver quem iria enfim levar o montante pra casa.
 
O Big Brother Brasil é um formato de entretenimento que caiu nas graças do gosto brasileiro.
Também pudera.
 
A cultura latina, de um modo geral, é muito influenciada pela dramaturgia, e o Big Brother possui todos os elementos básicos de uma boa novela, adicionado ainda mais pela falta de um roteiro definido e pela possibilidade dos espectadores definirem o caminho a ser tomado pelo programa.
 
Tudo isso, é claro, sem ter que sair do conforto da sua casa.
 
O futebol também possui sua estrutura dramatúrgica, quase que nos mesmos moldes do Big Brother. Heróis, vilões, crimes, pecados, castigos, falsidades, redenções e tudo mais.
 
No Big Brother, entretanto, a possibilidade de você achar que está interferindo no resultado final está a um telefonema ou a um clique de mouse de distância. É lá que você dá o seu voto, que cria a idéia de que você está ajudando a interferir no resultado. Na verdade não está. Afinal, o seu um voto dificilmente vai fazer alguma diferença quando somado a tantos outros milhões. Mas dá o conforto de que você ajudou a definir o resultado do jogo.
 
No futebol, a possibilidade de interferência no resultado da partida dificilmente pode ser realizada dentro de casa. É preciso ir ao estádio e torcer para ajudar seu time. De nada adianta ficar em casa assistindo. Se você quer mesmo ter a ilusão de que está ajudando a construir o resultado do jogo, é preciso ir ao estádio, pra gritar, cantar e empurrar o time pra frente. Oferecer aos jogadores aquela energia a mais que falta para alcançar os objetivos.
 
Só que tem que sair de casa.
 
E sair do conforto de casa, no Brasil, é uma atividade de risco.
 
Sair do conforto de casa pra ir a um estádio de futebol, então, nem se fala.
 
Trânsito, violência, roubos e outros tantos problemas.
 
Pra quê?
 
O jogo é ruim, o estádio é ruim e é difícil conhecer os jogadores.
 
Melhor ficar em casa, vendo Big Brother, que é muito mais tranqüilo.
 
E essa comparação entre futebol e Big Brother é extremamente benéfica.
 
Basta imaginar como seria o Big Brother caso ele sofresse dos mesmos problemas do futebol nacional.
 
Acabaria a novela, e começaria o programa.
 
No cenário fora da casa, não teria quase ninguém nas arquibancadas das torcidas, que não alguns poucos vestidos com uma camiseta com uma caricatura demoníaca do candidato que eles conhecem, além de estarem carregando faixas, bandeiras e sinalizadores.
 
Haveria uma bateria no meio de cada torcida.
 
Entre a arquibancada e o palco do apresentador, um fosso, policiais e cachorros.
Aí o apresentador começaria a falar ao vivo.
 
As torcidas começariam a ofendê-lo em coro.
 
Alguém tacaria um copo.
 
Alguns policiais passariam a proteger o apresentador com um escudo.
 
Depois, as torcidas passariam a se ofender mutuamente, com coros recheados de palavrões e palavras de morte.
 
Alguém eventualmente arremessaria uma bomba caseira.
 
Dentro da casa, faltaria água no banheiro.
 
Eventualmente, as transmissões teriam de ser interrompidas por falta de luz.
 
E seguranças teriam que estar de prontidão para conter possíveis invasões de pessoas de fora, que tentariam ou abraçar o jogador mais popular, ou bater no mais impopular.
 
Além disso, na hora de anunciar o resultado da eliminação, o apresentador seria intimidado pelos torcedores.
 
Assim que o resultado saísse, a torcida do eliminado o ameaçaria de morte e alguém tentaria invadir o palco.
 
Quando o eliminado saísse, o próprio partiria pra cima do apresentador.
 
Seria engraçado, não fosse triste.
 
Se bem que se o Big Brother fosse mesmo igual ao futebol, Diego, Íris, Alberto, Fani e Bruna estariam participando de algum Big Brother europeu.
 
Por aqui, ficariam todos aqueles que eu não lembro do nome.
 
Aí a graça cairia pela metade.

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Talvez a razão de todos os problemas

Sabe todos aqueles problemas do futebol brasileiro?
 
Não?
 
Relembro: violência, estádios mal cuidados, falta de estrutura, fraco atendimento, fraco rendimento, corrupção, escândalos, jogos fracos, péssimos horários, falta de acessibilidade, falta de transparência e por aí vai.
 
Lembrou?
 
Legal. Agora esqueça.
 
Sim, esqueça.
 
Quer dizer, ou esqueça, ou tolere, ou crie e lidere um movimento radical por mudanças.
Afinal, nada vai se transformar – pelo menos dentro de um curto espaço de tempo.
 
Os problemas do futebol brasileiro estão profundamente ligados a todos os problemas que pairam sobre o nosso país. Achar que o futebol será diferente do resto é acreditar que existe uma espécie de aura protetora ao redor do esporte. Se existe, ela não está funcionando.
 
Toda vez que se debate algum aspecto da estrutura do futebol nacional, sugere-se exemplos do além-mar. Algumas vezes, faz-se menção ao exemplo do funcionamento do esporte-entretenimento norte-americano. Em outras, utiliza-se o exemplo europeu como um estudo de caso. Mas são raras as vezes em que o próprio Brasil é utilizado como referencial, que seria de fato a coisa mais óbvia a se fazer.
 
De qualquer maneira, o meu argumento de que nada vai mudar tão cedo parte do princípio de que o desenvolvimento do futebol é uma conseqüência de outras mudanças sociais. Não a causa, como alguns preferem entender. Não. Jamais. Futebol vem depois. Primeiro as coisas mais básicas: saúde, segurança e educação. Depois uma outra montoeira de coisas, para que então todas essas elementares evoluções forneçam a conjuntura sobre a qual o ambiente do futebol brasileiro possa se desenvolver.
 
Analisando a partir dessa ótica, fica fácil prever um futuro não muito brilhante para o esporte nacional. O carro-chefe disso é o fato de que o público do futebol profissional brasileiro, no seu sentido defendido por legisladores, articuladores e afins, está cada vez mais deixando de existir.
 
Há no Brasil uma clara defesa de que o futebol é um produto subvalorizado, na mão de administradores incompetentes, e que carece de uma série de melhorias para que o público possa voltar aos estádios.
 
Bom, primeiro é preciso quebrar essa idéia de que o público um dia vai voltar aos estádios. Isso é mentira. O público nunca foi ao estádio. Salvo alguns raros anos, que podem muito bem ser entendido como exceção, a média de público dos campeonatos brasileiros não é muito maior do que a de hoje. Quatro ou cinco mil, no máximo, talvez. Nada de muito exuberante. Em geral, a média sempre foi pífia, ou seja, o público nunca foi muito chegado em ir ao estádio, por mais que afirme gostar de futebol.
 
Mas por que isso?
 
Basicamente porque o futebol, desde que ganhou contornos mais comerciais a partir do fim do século passado, passou a se sustentar na classe média, aquele limbo que fica entre a pobreza e a riqueza. E não só na Europa. Processos de globalização e evolução tecnológica fizeram com que esse caráter fosse assumido por todos os lugares onde existe futebol profissional que se preze, inclusive o Brasil.
 
A classe média é a classe essencial para o futebol profissional atual, pois é nela que residem pessoas com poder aquisitivo e tempo suficientes para conseguir consumir produtos relacionados ao seu clube de futebol regularmente, mas que não têm muito mais tempo e dinheiro para gastar com outras formas de entretenimento mais atraentes – como viagens, por exemplo.
 
E o problema é que no Brasil a classe média vem diminuindo cada ano mais. Não são muitos os que estão por aí. É um número muito baixo para sustentar toda a estrutura do futebol nacional. Além disso, existe uma série de outros empecilhos que inibem o potencial de consumo desse já escasso público. Essa, por exemplo, é a classe econômica que mais sofre com as tributações, ou seja, tem menos dinheiro livre para aplicar onde bem entender. Futebol, no caso.
 
Enquanto o Brasil não conseguir se resolver socioeconomicamente, o futebol não vai evoluir. Não tem como.
 
Se você quer lutar pelo futebol brasileiro, lute pela classe média.
 
Ou lute pela melhoria das condições sócio-econômicas.
 
Mas lute com afinco. Afinal, você é brasileiro.
 
E brasileiro…
 
Bom, você sabe o resto.

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O futebol como instituição e os intelectuais

Na medida dos meus limites, procuro a cada semana trazer neste espaço uma reflexão diferenciada aos nossos leitores, sobre os aspectos mais gerais do futebol.
 
Encanta-me a idéia de buscar novos olhares sobre esta modalidade esportiva que é no meu modo de entender, uma das mais significativas manifestações culturais do século 20 e ao que tudo indica será também neste século 21.
 
Nesta perspectiva participei de um evento promovido pela Universidade do Futebol juntamente com profissionais formados em história, antropologia, jornalismo, economia, marketing, educação física, geografia e direito, todos vindos de instituições universitárias reconhecidas, como USP, PUC e Unicamp, entre outras.
 
A idéia era debater, dentro de uma abordagem interdisciplinar, algumas questões do futebol, buscando, entre outras coisas, caminhos que apontassem para a superação de um modelo tecnicista ainda vigente na prática deste esporte.
 
Para aqueles que não estudam este assunto eu diria que tecnicismo é, em linhas gerais, uma visão que se apóia exclusivamente na busca de um conhecimento centrado na técnica. No futebol seria, por exemplo, o conjunto de conhecimentos tecnicamente necessários para a melhora do rendimento. Simplificando poderíamos dizer que, sob este ângulo, para ensinar futebol bastaria conhecer seus fundamentos técnicos, suas regras entre alguns outros poucos conhecimentos complementares.
 
O debate foi muito interessante e como não poderia deixar de ser o grupo interdisciplinar de profissionais envolvidos no evento conseguiu demonstrar a riqueza cultural e sociológica do futebol que permite infinitos tipos de abordagens.
 
O que surpreendeu, entretanto, foi o relato destes estudiosos de que mesmo nas discussões mais acadêmicas e científicas há aqueles (muitas vezes mestres e doutores) que resistem em dar ao futebol a sua devida importância enquanto fenômeno cultural.
 
Qualquer um tem o direito de não gostar de futebol. Até conheço alguns (poucos é bem verdade) que não gostam. Mas o difícil de entender é ainda encontrarmos professores, pesquisadores, intelectuais, enfim, que não consideram o futebol como uma instituição, patrimônio ou fenômeno cultural de destaque no mundo contemporâneo e que mereceria por parte desses estudiosos a atenção no sentido de se revelar alguns aspectos da alma humana.
 
Em minha opinião este fato se caracteriza como uma pobreza de nossa intelectualidade. 

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Manifesto pelas olas nos estádios brasileiros

Uma das poucas, pouquíssimas coisas que diferem um jogo de Copa do Mundo de um jogo do Campeonato Brasileiro da série A é a ola.
 
A ola, ou la ola, ou ainda the mexican wave, é um fenômeno próprio de grandes eventos de massa em estádios, que surge no momento em que uma determinada coluna de torcedores nas arquibancadas simultaneamente se levanta com os braços pra cima, muitas vezes gritando algo parecido com “ôôôôôôêêêêêê” e em seguida se senta, no mesmo momento em que a coluna de torcedores ao lado se levanta e repete todo o ritual, e assim por diante até o processo rodar o estádio inteiro, simulando o efeito de uma onda que passa por todos os presentes no evento em questão.
 
A ola, porém, aceita algumas variações. Quando o movimento é de frente para trás, ao invés de ir para a direita ou para a esquerda, a ola é denominada transversa. Caso ela volte ao lugar de origem pelo sentido de partida, chama-se reflexiva. E se ela for para duas direções opostas ao mesmo tempo, ela é conhecida como bidirecional ou oposta. A maior ola já registrada aconteceu nas Olimpíadas de Sydney, em 2000, quando 110 mil pessoas realizaram uma ola duplo-reflexiva.
 
Em 2002, dois pesquisadores húngaros e um alemão estudaram a fundo o fenômeno da ola para tentar tirar conclusões a respeito de controle de movimentos de massa. Depois de analisar diversos vídeos, chegaram à conclusão que uma ola em geral é iniciada pelo movimento conjunto de não muito mais do que uma dúzia de pessoas e que a partir daí, dependendo das variáveis de excitação e de pessoas envolvidas no processo inicial, ela pode tomar o estádio inteiro em um movimento estável e de forma quase linear.
 
Ainda de acordo com eles, uma ola geralmente roda no sentido horário – provavelmente devido ao fato da maioria das pessoas serem destras -, a uma velocidade estável de 12 metros por segundo, ou 43,2 km/h, o que dá mais ou menos uns 20 assentos por segundo, e possui uma largura entre 6 e 12 metros, mais ou menos uns 15 banquinhos.
 
Há atualmente uma intensa discussão a respeito do surgimento da ola. A idéia mais aceita é que ela apareceu no começo da década de 80 nos estádios de hóquei sobre o gelo do Canadá, mas que logo migrou para os estádios de beisebol dos Estados Unidos. Fato é que ela ganhou notoriedade mundial em 1986 durante a Copa do Mundo do México, daí a homenagem ao país em um de seus nomes de batismo.
 
Aliás, Copa do Mundo e ola são duas coisas que combinam bastante. Em geral, as olas surgem em estádios lotados, quando ou o jogo está muito chato, ou as pessoas que foram ao estádio não estão lá muito interessadas na partida. Em jogo de Copa do Mundo, é bastante comum acontecer os dois ao mesmo tempo. Aí como a torcida tende a fazer o que for preciso para aparecer na televisão, mesmo aqueles que não vão fantasiados ou pelados, ela vai lá e começa uma ola. É batata que a montoeira de braços levantados será transmitida para os bilhões de espectadores ligados no jogo da Copa. A manha é começar a ola quando alguém precisar de atendimento médico em campo.
 
No Campeonato Brasileiro, porém, é raro uma ola aparecer. Existem suas razões para isso. Primeiro porque não dá. Dos vinte clubes jogando a primeira divisão, cinco possuem estádios em que é impossível acontecer uma ola normal, uma vez que vai aparecer um buraco no meio do caminho, já que os estádios não possuem arquibancadas cercando os quatro lados do campo. Ainda assim, mesmo nos estádios que possuem a volta completa, falta gente. Na maioria dos jogos, uma ola estaria fadada ao desaparecimento uns três segundos depois que for iniciada. Ou, no caso, 36 metros. 60 colunas de cadeiras. Talvez nem isso.
 
Ainda assim, o ambiente é propício. O jogo, na maioria das vezes, é de pouquíssima qualidade, e alguns dos torcedores nunca vão ao estádio muito interessados em ver o jogo. O problema é que ao invés de esses torcedores se concentrarem em criar olas, o desinteresse é convertido em pancadaria pra tudo que é lado. Ao invés de se levantar e jogar os braços pra cima, o torcedor se levanta e dá um soco no outro.
 
Os órgãos públicos responsáveis vêm se empenhando em resolver o problema da violência dentro dos estádios. Talvez eles devessem começar a incentivar as olas durante os jogos do Campeonato Brasileiro. Aí sim ficaria tudo igual à Copa do Mundo.
 
Tim-tim por tim-tim.

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West Ham não é mais o mesmo depois da chegada dos argentinos

Quando Tevez e Mascherano ainda se encontravam no Corinthians, era muito comum ver e ouvir relatos sobre confusões nos vestiários e rachas no elenco. As últimas colocações do time no Campeonato Brasileiro não eram surpresa pra ninguém. Porém, por causa daquelas forças capitais que não precisam ser enumeradas, os dois foram transferidos e, ao que tudo indica, o Corinthians começou a ter mais paz, respirar melhores ares e conseguiu momentaneamente escapar da área da degola para a segunda divisão.
 
Ambos, como se bem sabe, rumaram para a Inglaterra, também em busca de melhores ares e, possivelmente, maiores cifrões. Curiosamente, tanto para mim quanto para você e, principalmente, para os ingleses, os dois foram anunciados como reforços do West Ham, clube londrino também conhecido como “Martelos”, que tem muita tradição em revelar jogadores de suas categorias de base. Tanta tradição que se proclama “A Academia do Futebol”. Não pra menos, afinal do clube já saíram diversos figurões do futebol inglês. Basta ver que na seleção inglesa da Copa de 2006, três dos principais jogadores haviam sido revelados por eles: Frank Lampard, Joe Cole e Rio Ferdinand. Além desses, destacam-se atualmente na Premier League, Michael Carrick, do Manchester United, e Jermaine Defoe, do Tottenham.
 
É natural que um time que revele tantos jogadores também possua uma política muito clara para privilegiar os jogadores formados em casa. E é exatamente aí que começam os problemas entre Tevez, Mascherano e West Ham. Do mesmo jeito que começaram os problemas no Corinthians.
 
Já está sendo noticiado que o vestiário do West Ham não é mais o mesmo depois da chegada dos argentinos. Primeiro porque o West Ham é um time de base, ou seja, não está lá muito acostumado a jogadores estrangeiros. Dos 27 jogadores do atual elenco, nada menos do que 22 são britânicos. E a Grã-Bretanha e a Argentina não são exatamente dois países amigos, tanto que entraram em guerra na década de 80 por causa de uma ilha.
 
Mas tudo bem, rivalidade regional por rivalidade regional, possivelmente o ambiente brasileiro seja pior e os dois argentinos se deram relativamente bem por essas bandas. Mas esse não é o pior problema, nem de longe. Pra variar, o problema está justamente no lugar que foi a solução do West Ham ao longo de sua história: as categorias de base.
 
Com a súbita chegada das duas estrelas, os jogadores formados na casa se sentiram desprestigiados. Nada de inesperado. Afinal, foram eles que na temporada passada ralaram pra conseguir uma vaga pra Copa da Uefa e chegar à final da Copa da Inglaterra, que escapou entre os dedos nos pênaltis para o Liverpool.
 
Alan Pardew, técnico da equipe londrina, diz que o problema todo está na adaptação para o futebol inglês e assim que os seus jogadores latinos se adequarem ao sistema, começarão a produzir o futebol de qualidade que se espera deles. É bom que ele esteja certo e que essa adaptação seja rápida, porque os resultados indicam que o problema talvez seja maior do que o imaginado.
 
O início dos Martelos na temporada não é dos melhores. Em seis jogos somou apenas cinco pontos, uma vitória, dois empates e três derrotas. Antes da chegada de Tevez e Mascherano, o clube havia ganhado uma, empatado outra e perdido uma. Depois dos dois, apenas um empate na primeira partida, que Tevez entrou como substituto e Mascherano não jogou, e duas derrotas. Mascherano, até agora, só perdeu. E, enquanto Tevez esteve em campo, o West Ham ainda não marcou um gol sequer.
 
Aliás, o clube não tem marcado muitos gols até agora. Em seis partidas, o West Ham marcou apenas seis gols. Bobby Zamora, companheiro de Tevez no ataque, foi responsável por cinco deles. Curiosamente, ou não, Zamora é cria da “Academia do Futebol”.
 
É difícil dizer exatamente onde a parceria entre o West Ham e a MSI pode levar o clube e os jogadores, mas é fato que algumas tradições no futebol mundial estão sendo rompidas, e isso não significa necessariamente uma coisa boa. É uma clara demonstração do poder do capital dos grupos de investimento, que se antes tinha tamanha explicitação reservada a mercados periféricos como o nosso, agora começa a dar as caras até no campeonato nacional de clubes mais poderoso do mundo.
 
E já que as tradições daqui estão sendo levadas para lá, é bom o Alan Pardew começar a ficar preocupado e dar um jeito do time mostrar serviço logo. Em mais de cem anos de história, o West Ham só teve dez técnicos diferentes. Em menos de dois anos de parceria com a MSI, o Corinthians já teve seis.

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Um ano escrevendo sobre futebol

Em setembro do ano passado escrevi minha primeira coluna na Cidade do Futebol. Semana após semana, por 54 vezes, fui exercitando forma e conteúdo e, talvez, um pouco também da paciência dos leitores que se dispuseram a acompanhar minhas idéias.
 
Lembro-me que em um dos primeiros textos tentei demonstrar que o futebol não é como muitos pensam sinônimo de saúde, cultura ou educação, se os seus protagonistas não tiverem a intenção de transformá-lo em verdadeiro instrumento de desenvolvimento humano.
 
Um ano escrevendo sobre futebol.
 
Os valores mais caros que devem permear o futebol e o esporte de uma forma mais ampla, como solidariedade, cooperação, busca de superação dos limites, espírito democrático, respeito aos nossos oponentes etc., não caem do céu e devem ser construídos por todos que participam de atividades lúdicas, educativas ou competitivas.
 
Em outra oportunidade procurei falar sobre a inteligência dos jogadores de futebol e entender como atletas, às vezes analfabetos e ignorantes, conseguem encontrar soluções motoras geniais dentro dos problemas e dificuldades que surgem dentro do campo.
 
Mas um dos meus temas preferidos é refletir sobre que tipo de saber deve ter os profissionais que trabalham no futebol. Para serem competentes bastaria ao treinador, preparador físico, nutricionista ou psicólogo apenas estar muito atualizados em suas especializações.
 
Porém, há algo que perpassa estes conhecimentos específicos que precisa ser devidamente compreendido por todos, para que se entenda a complexidade do ser humano que está por trás do atleta.
 
Um ano escrevendo colunas e tentando a cada semana buscar novos olhares sobre este fenômeno cultural chamado futebol, me reforçou o sentimento de que falar sobre este esporte é falar sobre a vida.

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