Universidade do Futebol

Eduardo Fantato

09/08/2011

Tecnologia: mesclando gerações

Duas notícias no portal Terra na última segunda-feira chamaram minha atenção. “Menina descobre falha em jogos móveis para Android e iOs” e “Há 20 anos, o mundo ‘ficou online’ pela primeira vez”.

A primeira traz a informação de uma menina de 10 anos que fez uma apresentação num evento de tecnologia no qual apontou falhas num dos games para dispositivos móveis (“celulares e tablets”). A matéria encerra com a afirmação de que cada vez mais jovens são os hackers e especialistas.

A segunda matéria fala sobre os 20 anos da internet. Trazendo imagens do primeiro site disponibilizado.

E o que isso tem a ver com futebol?

Pois bem, é justamente nesta perspectiva que temos que tomar nossas posições frente à utilização dos recursos na modalidade. Somos defensores de seu uso, sem dúvida alguma, porém não podemos ficar apenas no discurso cobrando, criticando e sonhando com o advento da tecnologia nos gramados e nos processos fora dele

É preciso ter noção do que é todo esse fenômeno, do que ele representa, e sobretudo dos impactos que ele causa no inconsciente coletivo da humanidade.

Desta forma, hoje tomo um lado diferente das críticas sem, no entanto, perder minhas convicções dos benéficos e da necessidade da utilização da tecnologia no futebol.

A questão é que alguns assumem uma postura de querer fazer a tecnologia descer “goela abaixo”, e entendo que essa não é a melhor forma.

Basta vermos os profissionais que estão na gestão do futebol. Com certeza não viveram como a menina de 10 anos da primeira matéria citada – suas infâncias recheadas de dispositivos móveis e tecnológicos. Isso deixa evidente que a facilidade e costume com os recursos são de gerações mais novas, e quanto mais ambientado, mais fácil para uma geração extrair benefícios dos recursos, embora isso não os impeçam de desenvolver capacidades e habilidades tecnológicas, mesmo que tenham profundidade diferente das de quem nasce e vive intensamente essas mudanças.

Por outro ponto, não podemos colocar uma criança de 10 anos para gerir um clube; antes que alguns achem que essa seja a solução, não podemos desfazer das experiências e competências adquiridas, como também temos que ter noção de que muitos dos impactos que podem chegar ao futebol são relativamente recentes. Algumas soluções tecnológicas de gerenciamento, compartilhamento de informação e gestão de conhecimento partem da premissa de acesso remoto e compartilhado de informações que dependem da internet. Como vimos , esse é um recurso de pouco mais de 20 anos, ou seja, ainda um jovem adulto.

Com isso conseguimos compreender um pouco da resistência que existe para o advento da tecnologia no futebol. Ao contrário daqueles que têm interesse em não perder o controle e não abrir informações obscuras que infelizmente ainda existem, esses aspectos têm um caráter que transcende o futebol, são inerentes ao ser humano.

Em tempo, ainda é importante que a vivência pré-tecnologia – se é que podemos dizer assim – tenha seus significados, pois provavelmente a menina de 10 anos não saiba (pelo menos por enquanto) solucionar um problema quando a tecnologia falhar. É como ir num banco hoje e o gerente falar que é impossível fazer uma transação porque o sistema está fora do ar. O amigo mais experiente perguntaria: “oras, mas como não é possível se antes de existir o sistema se faziam tais transações?”.

O mundo tecnológico evolui rapidamente, numa velocidade incomensurável, porém, como lidar com ele e tirar o melhor proveito depende de nós, principalmente mesclando as novas vivências de quem tem as facilidades de explorá-las, com a de quem consegue enxergar mais além, com base nas suas experiências vividas.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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