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O cargo de coordenador técnico existiu na CBF de 1992 até poucos dias atrás, quando foi sumariamente extinto. A nova “Era Dunga” que começa neste período pós-Copa do Mundo, dispensa a figura do chamado coordenador técnico. E imagino que, da forma como era exercido, não fará mesmo muita falta.
 
Embora o cargo tenha sido ocupado por profissionais com graus diferentes de experiência no futebol como Zagallo, Zico e Antonio Lopes, a função de coordenador técnico,como o próprio nome indica, nunca existiu. Os ocupantes deste cargo foram, na realidade, muito mais assessores ou conselheiros dos treinadores do que verdadeiramente coordenadores.
 
É lamentável que este cargo, que durou quase 15 anos na seleção brasileira, jamais tenha se tornado uma função.
 
Numa época em que as especializações exigem cada vez mais conhecimentos específicos mesclados com conhecimentos gerais, a figura de um verdadeiro coordenador técnico se impunha.
 
Entretanto, para exercer esta função, relativamente nova e complexa, o coordenador técnico deveria, tanto nos clubes como na seleção, possuir alguns conhecimentos e qualificações especiais. Deveria ter noções básicas a respeito de todas as áreas que coordena, sejam elas técnicas, de saúde, administrativas ou de serviços, sem que precisasse ser especialista em qualquer uma delas. 
 
Fundamental é que tivesse uma vivência futebolística sólida, se possível uma formação de nível superior, e, sobretudo, que acompanhasse permanentemente os avanços constantes das técnicas e ciências esportivas e administrativas. 
 
Além disso, seria indispensável que este profissional tivesse também liderança, capacidade de avaliar situações com ponderação e equilíbrio, objetividade, eficiência e eficácia no conjunto de suas ações e, finalmente (mas não menos importante), capacidade de comunicação e relacionamento.
 
Deveria, enfim, ser capaz de:
1) Planejar as atividades voltadas para o alto rendimento esportivo;
2) Controlar, de forma rigorosa, individual e coletiva, esse rendimento; e finalmente
3) Buscar a melhoria permanente e sustentável dos processos que conduzem ao alto rendimento esportivo.
 
Trata-se, portanto, de uma atividade complexa e difícil de ser exercida que requer conhecimentos, habilidades e atitude. É uma função, na forma como a entendemos, tão importante que sua escolha deveria anteceder a do próprio treinador e estar respaldada por um projeto para o futebol brasileiro. Nestas condições de organização seria o coordenador técnico que escolheria o treinador e não o contrário.
 

Infelizmente ao longo de mais de uma década a CBF não conseguiu transformar o cargo em função. Pelo contrário, descaracterizou-a. A solução que encontrou foi extingui-la.

Para interagir com o autor: medina@universidadedofutebol.com.br

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Fundador da Universidade do Futebol

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