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Já, já vai acontecer uma grande tragédia no futebol brasileiro. Eu disse isso antes, digo agora e vou dizer mais algumas vezes até a tragédia acontecer, pra então lembrar a todos dizendo “eu não disse?”, coisa que eu não quero fazer porque vai parecer birra de criança.
 
O discurso está ficando batido, eu sei, mas é bem aí que mora o perigo. Como pouco, ou nada, aparentemente está sendo feito, a pouca relevância da minha retórica periga cair no esquecimento. E aí voltamos todos à estaca zero, se é que algum dia saímos de lá.
 
Dois exemplos recentes indicam que o perigo está muito mais próximo do que provavelmente se imagina.
 
O primeiro, e mais óbvio, acontece aqui do lado, logo ali, pulando o riacho. Devido à recente escalada da violência entre torcedores, notoriamente os organizados, o futebol argentino teve até a continuidade do seu campeonato nacional ameaçado. Torcedores brigando com torcedores, com jogadores, com dirigentes e com o poder público. Nada que seja lá muito diferente da situação aqui da terra de Santa Cruz, ou seja, é uma situação que pode perfeitamente acontecer por essas bandas. Apesar de essa ameaça ainda não ter se concretizado, o valor simbólico dela é de uma preocupação ímpar.
 
O outro exemplo que serve pra dar sustentação à minha teoria de que a tragédia no futebol brasileiro é iminente, é o triste episódio do acidente aéreo do avião da Gol, que matou um monte de gente. O exemplo não é exatamente o acidente em si, mas a série de eventos que permitiram que ele acontecesse.
 
Foi bastante noticiado essa semana o fato de terem acontecido recentemente pelo menos três quase-tragédias no espaço aéreo brasileiro. Salvaram-se por um triz. Esses três eventos foram devidamente relatados e reportados. Mas nada, porém, foi feito. Justamente porque no Brasil ainda impera a filosofia de que enquanto uma coisa não acontecer, tá tudo beleza.
 
Enquanto o prédio não cair, não tem por que se preocupar em saber se o pilar é de concreto, madeira ou isopor. Pra quê? Tá de pé, não tá? Se cair, é porque era pra cair. Tá tudo beleza.
 
Enquanto os aviões não se chocarem no ar, não tem por que se preocupar em melhorar as condições de tráfego aéreo. Pra quê? Tá tudo voando, não tá? E daí que três aviões quase bateram? ‘Quase’ não é ‘bater’, é? Então, não precisa mudar nada. Tá tudo beleza.
 
Enquanto não morrer mais de uma centena de pessoas ao mesmo tempo dentro de um estádio, não tem por que se preocupar com a segurança do futebol. Pra quê? Tá ganhando, não tá? Quem mais no mundo é pentacampeão? Desde quando segurança traz título? Além do quê, só vai pro estádio quem quer. Ninguém é obrigado, é? Que eu saiba não tá na Constituição. Além disso, não tá passando na televisão também? Então não reclama. Tá tudo certo. Tá tudo beleza.
 
Credo.

Parece desculpa de criança.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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