Uma vitória nada brasileira

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A terra é vermelha. O sol é vermelho. O Brasil é vermelho. O colorado pintou na manhã de domingo o Brasil de vermelho, porque na noite de Yokohama o branco que vestia o Inter era campeão do mundo.
 
Uma vitória que consagra a raça, a vontade, a valentia e, sem dúvida, a sorte de um time campeão. Uma vitória que tem a marca do futebol gaúcho, muito mais do que o futebol brasileiro. Futebol que alia técnica à tática. Força à habilidade. Paixão à arte.
 
A vitória contestável de um time que se defendeu por 75 minutos, e só depois de fazer o seu gol passou a jogar com a grandeza internacional, torna-se inconteste quando coroa um trabalho que não envolve apenas o campo, mas também a gestão racional de um clube de futebol.
 
A conquista do Mundial de Clubes pelo Internacional é a prova de que um trabalho de longo prazo pode trazer resultados. É a personificação daquilo que sempre ouvimos os teóricos da gestão esportiva dizer: com um trabalho racional, o impensável acontece.
 
Foi assim que o Inter chegou ao Japão e saiu de lá com a taça de dono do mundo.
 
Sem cometer loucuras após ganhar a Libertadores e deixar Tinga, Rafael Sóbis e Bolívar, figuras fundamentais na conquista da América, partirem do Beira-Rio. Afinal, seria impossível reunir condições financeiras para mantê-los no clube.
 
Ou, então, do clube que soube repor as peças perdidas, sem fugir daquilo que planejava, sem trocar muitos jogadores, sem mudar a metodologia de trabalho.
 
Em time que está ganhando não se mexe. E foi assim que o Inter trabalhou para vencer ainda mais. Uma vitória digna das tradições gaúchas. Uma vitória de entrega de corpo e alma durante 90 minutos.
 
Uma conquista que não começou no apito inicial em Yokohama, mas há seis anos, quando um clube à beira da falência passou a ser repensado por sua diretoria, que foi substituída, mas que deixou seu plano de trabalho para os sucessores. E que agora, mantendo a fórmula do ano 2000, quando depois de quase ser rebaixado no Brasileirão-99 passou a olhar as categorias de base, a racionalizar os gastos e a investir em marketing, dá seu mais verdadeiro fruto.
 
Dentro e fora do campo, a vitória do Inter não foi típica do brasileiro. A garra bateu o talento. A razão superou a emoção. E o futebol brasileiro mostrou que, em se planejando, tudo dá. Dá até para sonhar.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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