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Em um estudo acadêmico realizado no Departamento de Psicologia na Universidade Federal da Paraíba observou-se o caráter essencialmente contraditório da discriminação racial no Brasil.
 
Neste estudo constatou-se, entre outras coisas, que praticamente todos os 120 universitários entrevistados na pesquisa afirmaram existir preconceito racial no Brasil. Entretanto, e curiosamente, a grande maioria desses estudantes não se considerava preconceituosa.
 
Mas muitas outras facetas dessas contradições de nossa sociedade hierarquizada, segregacionista e, muitas vezes, antidemocrática podem ser notadas no futebol brasileiro.
 
Sabe-se que desde o final do século XIX, quando o futebol foi introduzido no Brasil, até por volta dos anos 20 do século passado, esta modalidade esportiva era praticada quase que exclusivamente por brancos e ricos.
 
Outro dia deparei com um artigo muito interessante sobre racismo no futebol escrito por Mário Prata, comentando um texto do jornalista Maurício Cardoso.
 
Ele comenta que entre 1923 e 1924 o Vasco da Gama causou alvoroço quando, com uma equipe formada por mulatos, negros e pobres, ganhou o bicampeonato carioca.
 
Conta também que nesta época “os brancos, ricos e finos, ainda tentaram resistir à entrada no negro no futebol criando uma regra especial: quando um branco cometia falta violenta sobre um jogador negro, o árbitro a assinalava e o jogo continuava. Quando o negro, por sua vez, cometia falta violenta sobre um branco, o juiz apitava e, antes da falta ser marcada, o branco tinha direito de responder à violência.” Ou seja, dois pesos duas medidas e a evidência explícita do preconceito.
 
Mas o articulista continua seu relato: “Às vezes até a torcida e a polícia entravam em campo para bater no infrator escuro. Resultado: os negros preferiram evitar as bolas divididas. Em vez de enfrentar os adversários, passaram a fintá-los”.
 
Dizem alguns estudiosos de nossa sociologia que tal gesto de resistência criativa exercida pelo negro consagrou definitivamente o drible no futebol brasileiro.
 

E aí, consubstanciando-se mais uma contradição da nossa cultura, observa-se o racismo produzindo arte, através da ginga, malandragem e perspicácia do negro brasileiro.

Para interagir com o autor: medina@universidadedofutebol.com.br

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Fundador da Universidade do Futebol

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