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Essa semana aconteceu na Venezuela o que todo mundo sabia que hora ou outra acabaria acontecendo. Hugo Chávez se re-reelegeu presidente e resolveu por fim ao regime pseudodemocrático venezuelano pra instaurar de vez a sua pseudoditadura.
 
Para isso, adotou a retórica da nacionalização das riquezas e sugeriu aumentar o seu próprio poder como presidente, o que eventualmente pode acabar significando no fechamento das portas do congresso venezuelano, que poderia até ser entendido como uma redundância, uma vez que este já se encontra devidamente em suas mãos.
 
Dessa forma, a Venezuela regressa a uma prática comum na América Latina de pouco tempo atrás, em que dominavam os governos militares que defendiam arduamente o nacionalismo e todas suas práticas subseqüentes.
 
Obviamente, você não quer saber disso aqui. E, obviamente também, eu não sou lá a melhor pessoa pra argumentar sobre a política venezuelana. Porém, posso soltar um palpite ou dois sobre as conseqüências do Chavizmo para o mundo do futebol. Mais especificamente, para o futebol brasileiro.
 
Assim como Lula deve olhar com desconfiança para o movimento que se consolida no noroeste sul-americano, Ricardo Teixeira precisa levantar pelo menos uma sobrancelha para a Federación Venezolana de Fútbol.
 
Regimes autoritários comumente promovem eventos de massa para buscar a catarse coletiva. Até pouco tempo atrás, evento de massa na Venezuela era jogo de beisebol e concurso de Miss. Não mais.
 
Hugo Chávez é um reconhecido fã de futebol, e vem ao longo do tempo financiando o desenvolvimento do jogo com seus petrobolivares. Não à toa a cada campeonato que passa, a seleção venezuelana vem ganhando mais destaque no cenário continental. Já não é mais o pano de chão da tabela que costumava a ser alguns anos atrás. Pensar na classificação venezuelana para a próxima Copa não é algo tão desmedido assim. Tanto evoluiu que essa semana mesmo conseguiu passar de forma relativamente tranqüila pelo Uruguai no Sul-Americano Sub-20.
 
Mas o maior sinal do despertar da Venezuela para o futebol virá no meio do ano, quando começar a Copa América. Muito beneficiada por ser a quinta maior nação petrolífera do mundo e pelo fato de 80% do PIB estar na mão do Estado, que está pagando a conta, a Copa América de 2007 tem tudo para impressionar. Oito estádios estão sendo ou construídos ou remodelados. Todos eles, ao que parece, estarão devidamente prontos e apresentáveis, ainda que seja possível notar um certo atraso em algumas das obras. E são estádios muito bons, aparentemente.
 
Chávez não vai perder a oportunidade. No discurso de abertura, que pode durar até quatro horas, ele vai eventualmente xingar o Bush, a.k.a. Mr Danger. Vai elogiar o trabalho do Comitê Organizador, que é chefiado por Aristóbolo Istúriz, seu companheiro político e Ministro da Educação, e também vai salientar que a Copa América é a demonstração de que a Venezuela tem condições de fazer as coisas direito e, se bobear, melhor do que os outros.
 
Nisso, vai um recado direto ao Brasil, que realizará o Pan quase que concomitantemente. O Pan do Brasil, supostamente, começa dia 13 de julho. A Copa América na Venezuela acaba dia 15. O sucesso do Pan é a grande cartada do Brasil para garantir a Copa de 2014 em terras tupiniquins. O sucesso da Copa América e o fracasso do Pan é a desculpa perfeita para Chávez dizer que talvez a escolha mais apropriada para sede da Copa seja a Venezuela.
 
Afinal de contas, Copa do Mundo na América do Sul até agora só em regime militar ou semelhante. E nada me tira da cabeça que o Chávez está de olho na oportunidade. Ele já quer dominar a América do Sul mesmo. Seria um bom jeito de mostrar ao mundo todo o poder latente da Venezuela e sua capacidade como nação desenvolvida. A mesmíssima retórica que o Brasil usou para a Copa de 50. E que vai usar para a Copa de 2014.
 
Na metade de 2007, caros leitores, todos atentos olhando pra TV.
Porque, se bobear, aí vem o Chávez.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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