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“Não adianta. Vamos ficar aqui até amanhã procurando uma explicação e ela não existe. Nós perdemos porque é o futebol”…
 
Foi assim que um “nocauteado” Muricy Ramalho começou a responder à entrevista coletiva após a emocionante vitória do Fluminense sobre o São Paulo pela Libertadores. Derrota sem explicação, assim como a vitória é daquelas justificáveis apenas pela enorme força de vontade do time e, claro, pelo “Sobrenatural de Almeida”, o personagem criado por Nelson Rodrigues para explicar o inexplicável.
 
Mesmo assim, Muricy ficou cerca de 40 minutos respondendo a uma sabatina de perguntas, quase sempre chegando às mesmas respostas. Sem andar um passo à frente, sem questionar o planejamento do time para a temporada, sem ter o que falar ante um resultado simplesmente típico do futebol.
 
Mas o ritual foi cumprido. A imprensa martelando na tentativa de encontrar um culpado. Muricy com cara de cansaço físico e mental respondendo da mesma maneira desconexa e desinteressada às questões.
 
Na sala ao lado, a mesma coisa. A imprensa em busca de uma história diferente dentro da entrevista para exaltar o brilhantismo do Fluminense. Renato Gaúcho, embriagado pela euforia de uma das mais lindas vitórias da história do Tricolor carioca, falando coisas desconexas.
 
No dia seguinte, em Santos, a história repetida, mas com um enredo um pouco diferente. Nem bem terminou o jogo e o time santista correu aos microfones para dizer que a eliminação para o América era culpa do árbitro da primeira partida, que havia mal anulado um gol no minuto final da partida.
 
E a imprensa? Bem, era preciso dar corda para essa história…
 
Os jornalistas necessitam de vitoriosos e vencidos, de mocinhos e bandidos, de culpados e inocentes. É assim desde o início do jornalismo, quando os primeiros “repórteres” eram pessoas que defendiam um ponto de vista e produziam as notícias conforme esse interesse.
 
Hoje, com o desenvolvimento dos meios de comunicação e do acesso às informações, o noticiário deixou de ser tão tendencioso. Mas a essência é a mesma. A imprensa precisa de uma história diferente para se sentir satisfeita. E, para isso, nada melhor do que uma decisão.
 
A emoção de um duelo como foi Fluminense x São Paulo é mais do que suficiente para que saiamos da mesmice. Do choro de Washington ao momento de reflexão no meio de campo de Renato, tudo é notícia. Mas e quando temos a derrota?
 
Aí o discurso é o mesmo. E os meios para obtê-los, idem. Uma saraivada de perguntas até a tentativa de um deslize, de uma declaração polêmica. Afinal, é daí que a notícia aparece, daquilo que sai da mesmice.
 
Mas para sair da mesmice, infelizmente, a imprensa segue o mesmo roteiro. E se, na coletiva de imprensa com Muricy, um jornalista ousasse perguntar a ele como faria para motivar o time a entrar de novo em campo no domingo? E se não ficassem apenas questionando sobre Adriano e a sua possível permanência mesmo com a saída da Libertadores?
 
Um novo discurso levaria provavelmente a uma nova notícia. Mas será que a imprensa está preparada para isso?

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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