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Sempre fui contra a mania, criada pelos ingleses e rapidamente adotada pela Fifa, de sonegar imagens de vandalismo nos jogos de futebol. Desde a década de 90 que os britânicos não mostram pela televisão torcedores invadindo o campo, violência entre torcidas, etc.

 

Onde fica o jornalismo nessa história? Até que ponto é correto, para quem está em casa, não saber que o jogo está paralisado por uma invasão ao gramado? Ou, ainda, que ninguém consiga entender porque os jogadores estão mais preocupados com o que se passa na arquibancada do que com a bola?

 

Afinal, na final do Mundial de Clubes de 2005, o mundo inteiro mostrou as fotos do torcedor corintiano que invadiu o campo de um dos jogos do São Paulo e entregou a Rogério Ceni um bicho de pelúcia do personagem bambi. Menos quem estava em casa, acompanhando ao vivo a partida, conseguiu ver a provocação.

 

Nas últimas semanas, porém, finalmente consegui entender o motivo de tamanha precaução dos ingleses.

 

Desde o início do ano que o Brasil tem acompanhado uma série de notícias sobre pessoas que resolvem andar com seus carros pela contramão de uma estrada ou avenida muito movimentada. Não lembro ao certo o número, mas lembro de ter lido pelo menos umas seis notícias diferentes com o mesmo enredo.

 

Recentemente, foi a vez de o relato da fuga das amigas adolescentes em direção a Buenos Aires ganhar os jornais. Mesmo com o caso resolvido, poucos dias depois mais um adolescente sumiu com a idéia de desbravar algum lugar distante.

 

E como fica o papel do jornalista nessa história? É correto divulgar a notícia? Sem dúvida que é. Mas será que é válido publicar a matéria e, indiretamente, encorajar outros a tomarem o mesmo tipo de atitude?

 

É isso que os ingleses decidiram abolir, em nome do futebol-espetáculo. Mostrar ao mundo um jogo limpo, sem invasões de campo, sem duelos entre torcedores, com o foco apenas na qualidade do espetáculo, na festa da torcida, no grito de gol do craque.

 

Por mais que exista razão jornalística, o peso da notícia deve ser considerado. Afinal, antes de ser jornalista, a pessoa é um ser humano. Deve estar sempre consciente do que é fato jornalístico e do que deve ser também um ato cidadão.


E o futebol com isso? O crescimento da modalidade como negócio passa pela profissionalização da exposição do esporte. E, entre uma bela jogada ou uma pisada de bola da torcida, não há dúvida do que é melhor para o negócio…

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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