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Mais um ano vai-se embora. Corrido, passageiro, com muitas novidades, outro sem-número de polêmicas, mas, sobretudo, com muitos exemplos de como é tênue a linha que separa o bom comportamento da imprensa da exploração banal da notícia.

O ano de 2008 teve alguns episódios marcantes que revelam a efemeridade da conduta dos jornalistas, especialmente quando o assunto é algo tão passional e dinâmico quanto o futebol.

Talvez o personagem do ano seja Ronaldo. Em junho, o Fenômeno foi manchete de todos os jornais após o escândalo em que se envolveu com a travesti Andréa Albertini. Acabado, humilhado, um astro em decadência. O antigo camisa 9 da seleção foi duramente criticado e, mais do que isso, colocado no rol dos craques-problemas, daqueles que não tem mais solução.

Mas aí veio dezembro. E a contratação do Ronaldo pelo Corinthians recolocou-o nos céus. Em época de crise, nada como uma notícia bombástica para desviar o foco da imprensa e reacender no corintiano o desejo de ver o time vitorioso no regresso à Série A do Brasileirão. E Ronaldo, como num passe de mágica, voltou a ser gênio, voltou a ser aquele rapaz acostumado a cair no fundo do poço e se reerguer.

Foi assim também com Muricy Ramalho. Execrado após mais uma derrota na Copa Libertadores, o treinador ficou na corda-bamba. O São Paulo foi nocauteado, e os abutres da informação já previam um 2009 com Muricy em outro clube e com um Tricolor tentando se reerguer depois da hegemonia do bicampeonato nacional.

Mas aí veio dezembro. E a conquista do hexacampeonato brasileiro elevou Muricy ao topo, a ponto de ter como indiscutível a sua presença na seleção. Afinal, só ele ganhou três nacionais na seqüência e pelo mesmo time. Só Muricy acreditava no título tricolor. Só Muricy era ranzinza porque precisava ser. Só Muricy sabia como ser campeão. Só Muricy…

Ou, ainda, com o Internacional de Porto Alegre. Que foi apontado por todos como o grande fiasco do ano antes mesmo de ele acabar. Afinal, com investimento em nomes do calibre de Daniel Carvalho e D’Alessandro, era impossível algum outro time ir bem no Campeonato Brasileiro além do Colorado. Indefinições, jogadores lesionados, falta de entrosamento. Tudo contribuiu para o Inter ser um figurante de luxo no Brasileirão.

Mas… Claro. Aí veio dezembro. E o Inter foi o primeiro time do país a ser campeão da Copa Sul-Americana. Torneio que não valia nada até o ano passado, mas que depois de ter um vencedor do Brasil, passou milagrosamente a ser uma competição importante na visão tacanha da imprensa. E Tite, de motivador sem tática, passou a ser o artífice da vitória colorada, fazendo do Inter o “campeão de tudo”, como brincaram seus torcedores e se esbaldaram os profissionais de imprensa pelo Brasil afora. Simplesmente um luxo!

Por falar em luxo, quem viu a vida trocada neste ano foi Luxa, ou Vanderlei Luxemburgo. Um começo de ano provando que ele vale os R$ 500 mil por mês que são pagos. Palmeiras campeão paulista depois de 12 anos. Time dos sonhos com o dinheiro injetado pela Traffic, clube projetando a modernização do estádio, time líder do Brasileirão após quatro anos.

Mas… Aí veio a TV Globo, que convidou Luxemburgo para comentar um jogo de futebol. Até aí esse era o menor dos problemas, se não fosse um mero detalhe: a partida era do próprio Palmeiras, pela Copa Sul-Americana, então desprezada pelo time após perceber o óbvio, que o elenco era fraco demais para disputar em boas condições duas competições simultâneas.

E Luxa foi para a telinha, ao mesmo tempo em que, pelo rádio, instruía o auxiliar Nei, que lá da Argentina tentava dar rumo para um time que perdia o seu rumo exatamente naquele momento. E Luxemburgo viu não só o Palmeiras perder, mas sua pose de “melhor do Brasil” começar a ser contestada. Não pela imprensa, que não condenou o imponderável. Mas pela torcida e, principalmente, pelos próprios jogadores do clube.

O Palmeiras desandou e não foi campeão nacional, mas no final das contas conseguiu a vaga na Libertadores graças ao fracasso de outro treinador que foi do céu ao inferno pelo segundo ano seguido: Caio Júnior, comandante que não soube comandar o Flamengo na reta decisiva do Brasileirão para assegurar uma vaga na competição sul-americana.

E temos outros incontáveis exemplos de céu e inferno neste ano que chega ao fim. E por que isso acontece? Para variar, o resultado pauta o noticiário esportivo. E, dessa forma, quem trabalha na área acaba na gangorra da opinião pública. Tão volátil quanto o placar de um jogo.

Que o novo ano traga um pouco de lucidez para a imprensa e paute os jornalistas para buscar a profundidade nas análises, deixando o resultado do jogo para mostrar que o esporte é tão legal por ser extremamente imponderável. O São Paulo e o piloto Lewis Hamilton que o digam.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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